Depois de ter sido constantemente ‘nocauteado’ pelo dragão, o governo já anuncia o uso de todas suas armas para evitar a elevação do ‘arqui-inimigo’, que se aproxima cada vez mais do limite máximo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), na faixa dos 6,5%, segundo o sistema de metas de inflação do BC (Banco Central).
Mesmo depois do Copom (Comitê de Política Monetária) ter decidido aumentar a Selic em 0,25 ponto percentual, a expectativa do mercado financeiro para o IPCA subiu pelo sétimo ‘round’ seguido, passando de 6,29% para 6,34%, de acordo com o boletim Focus, divulgado pelo BC.
Porém, não é uma surpresa as projeções da inflação oficial terem sido aumentadas. De acordo com o economista e consultor empresarial, José Laredo, o efeito da medida sofre influência de outros fatores, como a questão da importação e o dólar mais barato, por isso não dá retornos instantâneos.
O economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), José Alberto Machado, explica que desde o início do ano houve um acirramento muito forte de alguns fatores que contribuíram para este arrocho, como a alta no preço dos alimentos e o crescimento das despesas públicas.
Machado fala que a expectativa estabelecida ainda se mantém animadora, pois o saldo do IPCA deve ser bem maior no fim do ano. “Em algum momento, quando fizer a conta do acumulado, vai ultrapassar até mesmo o teto da inflação”, especulou. Outros índices que também mostraram evoluções, mesmo que de forma branda, foram os medidos pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) caminhou vagarosamente dos 7% para 7,01%, enquanto o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) pulou de 7,04% para 7,06%. Segundo o professor, no momento o aumento nos juros é a melhor solução para conter o avanço inflacionário, tendo em vista que a alternativa de redução no orçamento público está em ‘stand by’, já que o governo precisa acelerar os gastos de investimento por conta da Copa do Mundo.
Quem não deve ficar feliz com isso é o setor industrial, ainda mais quando a estimativa divulgada pelo boletim Focus para o crescimento da produção industrial em 2011 caiu de 4,08% para 4,06%
A própria CNI (Confederação Nacional da Indústria) já havia considerado a decisão do Comitê como inadequada, devido o combate ao aumento dos preços não contar com uma análise devida na política fiscal e ser centrado unicamente na política monetária. Para a confederação, a política fiscal é subutilizada no controle da inflação, quando deveria ser prioritária para evitar uma alta sistemática dos preços. Segundo justificativa da CNI, a experiência internacional mostrou que o controle dos gastos públicos causa um efeito mais rápido sobre o nível geral de preços do que a política monetária. Laredo comenta que, mesmo com o Mundial, o governo é obrigado a gerenciar corretamente seus gastos. Porém há outras maneiras adotadas para resolver o problema da inflação, como o aumento do IOF e as mudanças no depósito compulsório. No entanto, ele ressalta que os fatores externos contribuem para o efeito da medida.
Importação e dólar impulsionam inflação
Em: 27 de abril de 2011
Para especialistas do AM, medidas de contenção da inflação não dão retorno imediato
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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