Importados avançam sobre produtos do PIM

Em: 4 de junho de 2008
Sinaees aponta que as linhas de áudio e vídeo foram as mais prejudicadas no primeiro trimestre.
Sinaees aponta que as linhas de áudio e vídeo foram as mais prejudicadas no primeiro trimestre.

Os eletroeletrônicos produzidos no PIM (Pólo Industrial de Manaus), assim como seus similares fabricados no restante do país, estão perdendo a guerra contra os importados, principalmente nas linhas de áudio e DVD. A avaliação é do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), que aponta a desvalorização do dólar como principal munição da concorrência.
De 1º de janeiro até a última sexta-feira, 29, a cotação da moeda americana teve desvalorização de 7,91% – de R$ 1,77 para R$ 1,63, a compra, segundo o Banco Central. Combinada ao crédito facilitado, a apreciação do câmbio torna os importados mais baratos para o consumidor, se comparados ao produto nacional.
Os indicadores de produção fornecidos pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) referentes ao primeiro trimestre de 2008 –a estatística mais recente disponível no órgão– apontam queda significativa em itens importantes para o segmento, como aparelhos de DVD (26,19%), aparelhos de som (26,68%), home theaters (32,21%), fornos de microondas (19,09%) e condicionadores de ar (19,52%).
A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) informa, por outro lado, que as importações de eletroeletrônicos de “utilidade doméstica” somaram US$ 493.5 milhões no primeiro trimestre de 2008, um resultado 38,9% acima do mesmo período de 2007 (US$ 355.3 milhões).
Contabilizado em dólares, o faturamento da indústria de eletroeletrônicos instalada no pólode Manaus cresceu 17,61% no primeiro trimestre –de US$ 2.35 bilhões (2007) para US$ 2.76 bilhões (2008). Por efeito da queda livre da moeda americana, contudo, o resultado em moeda nacional foi 3,20% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado –R$ 4,78 bilhões (2008) contra R$ 4,94 bilhões (2007).

Saída é manter ritmo até setembro, diz Périco

“Estamos sim, competindo em algumas linhas com produtos importados. Em áudio e DVD, se compararmos os números do que foi comercializado com o que foi produzido no PIM, ficará claro que a participação de produtos importados é cada vez maior. Esperamos manter o ritmo e alcançar aquecimento no final do terceiro trimestre, por conta do Natal”, desabafou o presidente do Sinaees, Wilson Périco.
Um fator positivo destacado pelo dirigente a respeito da desvalorização da divisa norte-americana foi a redução do custo dos componentes utilizados pela indústria, que também ajudou a inflar as importações. A importação total de eletroeletrônicos, quando se considera também os insumos, chegou a US$ 7.08 bilhões no primeiro trimestre, 39,37% a mais do que no mesmo intervalo do ano passado (US$ 5.08 bilhões), segundo a Abinee.
A entidade estima que o Brasil deve totalizar US$ 30 bilhões em aquisições externas ao final de 2008.

Custo da mão-de-obra sobe para 6,27%

Um dos reflexos do fraco desempenho dos eletroeletrônicos foi sentido na evolução do número de empregados. Em março, a indústria estacionou em 46.607 trabalhadores, número 0,23% inferior ao do ano passado (46.713). “Houve uma migração da mão-de-obra dentro do segmento. Sofremos uma retração nos últimos dois anos e essa queda só foi compensada pelo crescimento da produção de celulares”, lamentou Wilson Périco.
Na comparação do primeiro trimestre de 2008 com o mesmo período do ano passado, as fábricas de telefones celulares instaladas no PIM faturaram US$ 391.37 milhões e registraram alta de 64,14% na produção, saltando de 3.358.633 (2007) para 5.512.980 unidades (2008).
Outro efeito sentido pelo pólo eletroeletrônico no primeiro trimestre foi o crescimento do custo da mão-de-obra efetiva, que teve sua participação ampliada no faturamento, de 5,55% (2007) para 6,27% (2008). É um resultado que acompanha a tendência registrada nos últimos cinco anos.
“Um dos motivos foi o índice de reajuste salarial da categoria, que comtemplou aumento acima da inflação. Vale ressaltar também que a redução do custo da matéria-prima importada pelo dólar desvalori

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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