Inadimplência recua no comércio, aponta CDL-Manaus

Em: 10 de janeiro de 2020
A taxa de inadimplência no varejo do Amazonas recuou de 3,3% para 3,1%, na comparação de 2018 com 2019
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A taxa de inadimplência no varejo do Amazonas recuou de 3,3% para 3,1%, na comparação de 2018 com 2019

A taxa de inadimplência no varejo do Amazonas recuou de 3,3% para 3,1%, na comparação de 2018 com 2019, conforme informações da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus). A região seguiu na mesma trajetória da média nacional, que apresentou sua primeira queda em mais de dois anos, conforme a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). Os dois levantamentos foram embasados por dados do SPC Brasil.

Boa parte da redução se deve à campanha anual de recuperação de crédito, promovida pela CDL-Manaus e pelo SPC, ‘Limpe seu Crédito e Faça seu Nome Brilhar’, que conseguiu tirar 41.260 amazonenses da inadimplência em comércio e serviços. No início de novembro, o Estado contava com 395 mil cadastros negativados. Ao longo do mês, 3.850 entraram e 21.180 saíram, deixando um estoque de 377 mil. Em dezembro, as saídas (25.730) voltaram a superar as entradas (1.800), reduzindo o total de registros para 353.070.

A CDL-Manaus não tem informações a respeito do corte dos débitos por classe socioeconômica. O levantamento da entidade sobre o valor das dívidas, contudo, dá uma ideia sobre o cenário. A maior parte dos contratos em aberto era (60%) liquidados em novembro e dezembro de 2019 de dívidas de até R$ 1.500, sendo que uma parcela de 20% era de contas de R$ 1501 a R$ 5.000 e os 20% restantes tinham valores superiores a R$ 5.000. Na divisão por gênero, 55% dos devedores era do sexo feminino e 45%, do masculino.

Emprego e inflação

O presidente da CDL-Manaus considera que, embora a taxa de inadimplência do Estado ainda se mantenha acima do patamar dos 3%, a campanha de recuperação de crédito conseguiu atingir sua meta, ao superar os números de suas edições anteriores. “Foram 41.260 que saíram da negativação, quando a média das campanhas dos outros anos era de 38 mil a 40 mil. Só em novembro, houve um aumento de 6% na quantidade de pessoas que saíram do SCP, quando comparado ao número do mesmo mês de 2018, de 16.230 para 17.230”, comemorou.

Ralph Assayag atribui a redução da inadimplência à relativa melhora na economia brasileira entre 2018 e 2019, com a elevação no número de pessoas empregadas e melhoria salarial em um ambiente de inflação mais baixa, embora não considere que a taxa de juros menor tenha ajudado tanto, já que esta teria feito diferença apenas na hora da negociação das dívidas. O dirigente não arrisca números, mas considera que o cadastro positivo deve contribuir para reduzir a inadimplência nos próximos meses.

Inadimplência no Brasil

Em âmbito nacional, o desempenho também foi positivo, embora em proporção menor. Dados apurados pela CNDL e pelo SPC Brasil mostram que o número de brasileiros com contas em atraso e registrados em cadastros de inadimplentes recuou 0,27% em novembro na comparação com o mesmo período de 2018. Até o fechamento desta matéria, a entidade ainda não havia divulgado os dados de dezembro.

Embora a taxa venha em trajetória de desaceleração desde o final de 2018, foi a primeira vez em mais de dois anos que o indicador recuou. A última queda havia sido observada em setembro de 2017 (-0,88%). Entre os consumidores que fecharam novembro com o CPF negativado, 37% deviam até R$ 500. A maioria (53%) tem dívidas que não ultrapassam R$ 1.000, seguidos por aqueles que devem entre R$ 1.000 e R$ 2.400 (20%), de R$ 2.500 a R$7.500 (16%) e os que tem débitos superiores a R$ 7.500 (10%).

Em novembro, a inadimplência recuou em três faixas etárias: jovens de 18 a 24 anos (-21,6%), entre 25 e 29 anos (-11%) e de 30 a 39 anos (-3,2%). Já entre a faixa de 40 a 49 anos houve aumento de 0,7%. Nas demais faixas houve altas mais acentuadas: entre 50 e 64 anos (+1,6%) e idosos de 65 anos ou mais (+3,8%).

“Com a retomada do ambiente econômico acontecendo de forma lenta, houve uma demora considerável para observarmos a primeira queda no número de inadimplentes. Além do fator conjuntural, o dado coincide com acontecimentos extraordinários, como a liberação dos recursos do FGTS e a realização de diversos feirões de renegociação de dívidas, que impulsionaram a recuperação de crédito no mercado”, encerrou o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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