Indústria critica decisão da ABNT

Em: 19 de novembro de 2009
A mudança nos plugues e tomadas elétricas brasileiras para um padrão diferente dos existentes no mercado não agradou algumas lideranças industriais do PIM (Polo Industrial de Manaus)
A mudança nos plugues e tomadas elétricas brasileiras para um padrão diferente dos existentes no mercado não agradou algumas lideranças industriais do PIM (Polo Industrial de Manaus)

A mudança nos plugues e tomadas elétricas brasileiras para um padrão diferente dos existentes no mercado não agradou algumas lideranças industriais do PIM (Polo Industrial de Manaus). Para garantir o uso dos novos sistemas, o governo federal determinou que, a partir de janeiro, estará proibida a fabricação e importação de aparelhos eletroeletrônicos com plugues antigos. Além disso, a comercialização de produtos com os plugues atuais não será possível depois de julho de 2011.
Na avaliação do diretor-executivo da Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, a mudança vai trazer problemas para o setor, que corre o risco de ficar com produtos defasados em seus estoques. “A indústria precisará se adaptar para produzir somente com o padrão novo e provavelmente não conseguirá escoar toda a produção antiga para o comércio em tempo”, lamentou.

“Jabuticaba eletrônica”

Os especialistas estão apelidando o novo padrão de tomadas e plugues de “jabuticaba eletrônica”, pelo ineditismo do item em outros países, tal qual o fruto brasileiro. Para Mota, a escolha do novo formato trará transtornos inúteis para empresas e consumidores, ao impor a utilização de um produto exclusivo do Brasil.
“A justificativa de que trará maior segurança não tem consistência, pois as residências brasileiras, salvo algumas exceções, não utilizam o fio terra nas tomadas, o que evitaria a maioria dos acidentes domésticos”, pontuou o diretor-executivo da Cieam.
A Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), por outro lado, não vê grandes reflexos nas empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) por não haver muitos fabricantes locais de tomadas e plugues, como disse o diretor-executivo Flávio Dutra.
A diretora brasileira de comunicação da Nokia, Jô Elias, informou que a empresa oferecerá produtos adequados às novas dentro do prazo estabelecido pelo governo. “Não fazemos julgamento das decisões tomadas pelo governo. Acatamos a determinação, que visa mais segurança, e já determinamos que os carregadores das baterias sejam fornecidos pelas empresas terceiras que fabricam este acessório dentro das especificações novas”, amenizou.

Especialistas garantem que nova formatação é mais segura

“Todos os anos morrem em torno de 4.000 pessoas no Brasil por acidentes elétricos e 70% ocorrem com usuários comuns. O novo tipo de tomada e plugue vai salvar vidas e padronizar de uma vez o sistema brasileiro”, defende o engenheiro elétrico e diretor assistente da ABEE/AM (Associação Brasileira dos Engenheiros Eletricistas do Amazonas), Carlos Alecrim, em resposta ao novo modelo de tomadas e plugues estabelecido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O especialista destacou também que 80% dos plugues existentes serão compatíveis com o novo padrão de tomadas.
Segundo o diretor de qualidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), Alfredo Lobo, a energização do pino do plugue só ocorre quando ele estiver totalmente encaixado na cavidade, impedindo assim o choque. Além disso, os plugues de aparelhos com maior potência não se acomodam nas tomadas feitas para cargas menores, o que diminui o risco de curto-circuito. Serão dois modelos, conforme a voltagem.

Reforma completa

O economista, especialista em Indústria Brasileira, Ronaldo Bomfim lembra que a adaptação só será possível e segura, em alguns casos, se ocorrer uma reforma completa do sistema elétrico do prédio, casa ou loja.
“Acho isso uma utopia diante de todos os problemas com segurança, saúde, educação, entre outros, que o Brasil possui. Impor a população um gasto desnecessário de refazer toda a fiação elétrica, adequar a voltagem e trocar as tomadas apenas para agradar os ‘burocratas’ da ABNT, que decidiram inventar um modelo único para país é um absurdo”, finalizou Bomfim.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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