A pulverização de mercado, a redução do crescimento potencial e a pressão dos custos estão aumentando a procura pelos serviços de terceirização no setor de panificação. Trata-se de uma tendência que já chegou há dez anos no Brasil, embora o Amazonas ainda engatinhe na oferta de produtos semiprontos.
Há muitas empresas regionais que trabalham como “pontos quentes” de venda, sem produção ou manipulação de massas. Sem necessidade de investimentos em maquinários, ou de atender normas de produção e se submeter a vistorias da Anvisa, a opção também isenta de gastos com mão de obra, água, luz e espaço. É uma tendência comum nos supermercados e pequenas padarias do Amazonas.
“Os custos operacionais nas empresas tem subido muito acima da velocidade das vendas. Sendo assim a necessidade do aumento da produtividade é cada vez mais evidente”, assinalou o diretor técnico do ITPC (Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria) Emerson Amaral, em texto da Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria).
Quem atende a demanda dessas empresas são os fabricantes de “pão congelado”, prontos para serem aquecidos e comercializados. Esse segmento, contudo, ainda é limitado no Amazonas, dada a necessidade de investimento inicial de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.
Segundo o Sindpam (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas), enquanto 20% do mercado brasileiro já responde por essa oferta, o percentual de fabricantes de “pão congelado”, entre as 1.400 padarias listadas pela entidade no Amazonas, é desprezível.
“É comum ver padarias locais que trabalham apenas com assadeiras e a venda do produto. Outros segmentos comerciais, como o de super e hipermercados, atuam dessa forma para agregar valor a seus serviços. Mas, o tamanho do investimento necessário para fornecer ainda inibe o empresário local, apesar de o retorno se alto. A demanda local acaba sendo atendida por fabricantes fora do Estado e distribuidoras regionais”, informou o presidente do Sindpam, Carlos Azevedo.
No entendimento do dirigente, a dinâmica de consumo de pão nos últimos anos também não está sendo propícia para incentivar novos aportes no setor. No primeiro trimestre, as 80 empresas associadas ao Sindpam cresceram 3%, em média, na comparação com os resultados obtidos no mesmo período do ano anterior.
Identidade e fidelidade
O proprietário da Nego Bom – Padaria & Confeitaria, Rodrigo Souza, conta que até conhece colegas de profissão que já estão terceirizando a produção para reduzir custos operacionais. Mas, o empresário diz ter restrições em relação à iniciativa e avalia que pode acabar afugentado os clientes mais tradicionais e fiéis.
“Tenho, por exemplo, uma cliente de oito anos de idade que pede para a mãe dela comprar pão por aqui, porque gosta do nosso produto. Se a empresa terceirizar muito, pode acabar perdendo a identidade, já que o pão fica igualzinho ao de outras padarias. Nesse caso, é melhor trocar a placa”, opinou.
O carro chefe continua sendo de produção própria, isso não impede que a Nego Bom terceirize os produtos de maior custo de manufatura e menor demanda proporcional. É o caso do pão de queijo, pamonha, e outros itens de maior valor agregado que respondem por 30% do portfólio da panificadora.
“Para produzir pão de queijo, precisaria manter toda a estrutura necessária, além de comprar dois ou três tipos de queijo e encaixar a manufatura em outras linhas de produtos da padaria. Mas, a venda mensal é de 250 a 300 quilos. Não vale a pena”, justificou.
Investir no fornecimento de “pães congelados” para atender à demanda dos “pontos quentes” de venda de Manaus também está fora dos planos do empresário, que admite ter sido procurado recentemente para abrir sociedade em um empreendimento do gênero.
“Você tem que investir, pelo menos, na aquisição de uma câmara congelada, um grupo automático e um túnel de congelamento. Sai muito caro. Prefiro apostar na abertura de uma nova loja, como pretendo fazer ainda neste ano”, finalizou Rodrigo Souza.






