Indústria de componentes para duas rodas em compasso de espera

Em: 28 de março de 2010
Apesar de projetarem incremento de 5% para este ano ante 2009, as fabricantes de componentes do polo de duas rodas ainda estão no compasso de espera
Apesar de projetarem incremento de 5% para este ano ante 2009, as fabricantes de componentes do polo de duas rodas ainda estão no compasso de espera

Apesar de projetarem incremento de 5% para este ano ante 2009, as fabricantes de componentes do polo de duas rodas ainda estão no compasso de espera. A produção ainda não deslanchou porque as empresas de motocicletas ainda estão desovando os estoques do ano passado.
O presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas de Materiais Elétricos de Manaus), Athaydes Mariano Felix, disse que a mão-de-obra dos componentistas do setor -hoje em torno de 25 mil trabalhadores- está estacionada, porque a produção das fabricantes ainda não voltou à normalidade.
Mesmo assim, Felix avaliou que o polo de duas rodas motorizado (motocicletas) está com boas perspectivas de vendas neste 2010, num patamar de 5%. Diferente do não motorizado (motocicletas), que está, segundo ele, devagar.
Conforme o dirigente, as fabricantes de duas rodas estão na expectativa de uma nova prorrogação dos incentivos fiscais anticrise, concedidos pelo governo do Estado, para se manterem competitivas. O incentivo concedido aos segmentos de duas rodas e termoplásticos vai até 31 de março.
Athaydes Mariano Felix disse que o segmento ainda enfrenta problemas de fluxo de caixa por conta da crise financeira internacional, deflagrada em setembro de 2008, se estendendo até meados do ano passado. “Uma nova prorrogação seria fundamental para garantir a competitividade e os postos de trabalhos das empresas”, avaliou.
O presidente do Simplast/AM (Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Amazonas), Carlos Monteiro, também defende que as indústrias de duas rodas continuam precisando dos benefícios fiscais concedidos pelo governo pelo menos até junho. “No auge da crise as fabricantes buscaram capital de giro com suas matrizes que geraram altos passivos que estão sendo pagos gradativamente”, informou.
A aposta dos representantes de classe é que o governo do Estado mais uma vez possa entender as dificuldades enfrentadas pelos empresários de duas rodas e termoplástico e estenda o pacote de benefícios por mais 90 dias. A Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) tem respondido que o governo está atento às necessidades dos segmentos e que novas possibilidades estão sendo analisadas.

Montadoras querem prorrogação de incentivos

Recentemente, em entrevista local, o presidente da da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Paulo Takeuchi, defendeu uma nova prorrogação dos incentivos fiscais para o segmento por entender que os dados de recuperação ainda não atingiram os patamares do início de 2008 quando a economia brasileira estava aquecida.
Vale destacar que o pacote anticrise prevê, entre outras coisas, a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a taxa de energia elétrica, considerado pelos empresários como um dos mais atrativos, por conta do óleo combustível utilizado nas caldeiras. Lançado em janeiro de 2009, o pacote anticrise, inicialmente iria vigorar até junho de 2009, depois dessa data sofre três novas prorrogações. 
Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados recentemente pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que em janeiro de 2010, o segmento de motocicletas produziu 110,11 mil unidades, o que resultou num faturamento de US$ 391.56 milhões. Em igual mês de 2009, o setor fabricou 85,23 mil unidades do produto, que somou US$ 287,59 milhões. O resultado mostra um pequeno incremento entre o ano passado e este.
Athaydes Mariano Felix aposta neste incremento e acredita que a partir de junho o cenário será outro. Segundo o dirigente, 80% das empresas de metalurgia são fornecedoras de componentes para o segmento de duas rodas. “Se o setor de motos começar a deslanchar novamente as empresas componentistas acompanham a evolução”, assegurou.

Concorrência desleal

Quanto ao segmento de bicicletas, a aposta de Ataíde não é tão grande. Ele até acredita que o produto ainda esteja em alta. O problema está na concorrência com os chineses e com as bicicletarias espalhadas no país. “Cada bicicletaria é uma fábrica de bicicletas, porque eles montam clandestinamente, importando partes e peças da China, sem contudo haver um controle neste tipo de negócio”, lamentou.
O dirigente defende o fortalecimento do mercado interno a partir de incentivos fiscais às indústrias presentes no PIM, onde estão três das bases fabris mais populares do país (Caloi, Sundown e Prince Bike). No passado, o polo teve outras grandes marcas como a Monark, que fechou suas portas dois anos atrás. “O mercado está bagunçado, existem mais de mil bicicletarias no país que funcionam de forma clandestina, porque não pagam impostos e nem tributos trabalhistas”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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