Indústria do Amazonas reduziu ritmo de produção em janeiro

Em: 20 de abril de 2023

Assim como ocorrido em dezembro, a indústria amazonense fechou janeiro com ritmo de produção oscilante e reduzido. O faturamento real voltou a despencar em todas as comparações e novamente em escala de dois dígitos. O nível de emprego e o uso da capacidade instalada das fábricas também sofreram declínios expressivos. Embora tenham acelerado em relação a dezembro – mês de férias coletivas – a quantidade de horas trabalhadas foi menor do que as de janeiro de 2022 – marcado pela terceira onda de covid-19 no Estado. Pelos mesmos motivos, o oposto ocorreu com a massa salarial do setor.  

É o que revelam, em síntese, os números locais dos Indicadores Industriais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), compilados em parceria com a Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas). Vale notar que, embora tenham sido levantados em uma conjuntura de incertezas internas e instabilidade na geopolítica global, os números contrastam com as sondagens da Suframa e do IBGE para o mesmo mês. A primeira apresentou melhor comportamento para as vendas – embora nem tanto para os empregos. Já o segundo mostrou um terceiro mês de aceleração para a produção, com crescimento mais difundido entre seus segmentos – principalmente bebidas e motocicletas.   

Mas, de acordo com a CNI, o faturamento real da manufatura do Amazonas desabou 24,7% na variação mensal, aumentando o fosso aberto em dezembro (+39,9%). O primeiro resultado negativo do ano veio na sequência de seis baixas alternadas, ao longo de 2022, nesse tipo de comparação. A comparação com o mesmo mês de 2022 confirmou um tombo ainda maior (-41,4%). A média nacional caiu apenas 0,9% ante o último mês do exercício anterior e retraiu 1,1% frente o dado de 12 meses atrás. 

O dado de UCI (utilização da capacidade instalada) não foi muito melhor. O percentual de máquinas em produção da indústria estadual saltou de 77,7% para 73,7%, em relação a dezembro do ano passado, configurando uma diferença de 4 pontos percentuais (ou -0,52%). Já o confronto com janeiro de 2022 (79% de uso) amargou retração de 5,3 p.p. (-6,71%). Com números mais amenos, o indicador nacional (79,7% de uso) se manteve estável na variação mensal e declinou 1,2 p.p. (-1,50%) na base anual.

Em contrapartida, as horas trabalhadas nas linhas de produção locais ensaiaram recuperação, e subiram 2% na virada de dezembro de 2022 para janeiro de 2023. O resultado, no entanto, foi insuficiente para repor a perda do levantamento anterior (-16%). O confronto com a marca de igual intervalo do exercício anterior, também mostrou retração de dois dígitos (-12,8%). Em todo o país, a quantidade de horas trabalhadas na indústria aumentou 0,5% na variação mensal, e foi ainda melhor em relação a janeiro de 2022 (+3,2%). 

Empregos e salários

Os dados relativos à mão de obra da indústria do Amazonas, por sua vez, voltaram a indicar desempenhos divergentes. O pior desempenho veio do nível de empregos. A média do saldo de contratações no parque fabril do Estado encolheu 9,8%, na comparação com dezembro, também ampliando a queda do levantamento anterior (-1,3%). A queda se manteve com maior intensidade no confronto com janeiro do exercício anterior (-13,1%). Os respectivos números brasileiros (+0,5%, +1%) foram todos melhores e positivos.

Outros levantamentos já haviam confirmado que as contratações vinham perdendo força na indústria do Amazonas, embora tenham se mantido acima das demissões. Segundo o ‘Novo Caged’, a indústria “em geral” trocou de sinal em janeiro, mas foi pouco além do zero a zero. O setor criou apenas 12 vagas formais e subiu 0,01% ante o estoque anterior. As contratações foram puxadas pela indústria de transformação (+110), especialmente nas linhas de produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+367).

Os Indicadores da CNI revelam, por outro lado, que a massa salarial local perdeu fôlego no primeiro mês de 2023, apesar de ter decolado sobre a fraca base de comparação de igual intervalo de 2022. A soma dos vencimentos dos trabalhadores caiu 6,7% em relação a dezembro, em sentido inverso ao do levantamento anterior (+23,7%). Já a variação anual registrou escalada atípica de 51,9% ante janeiro de 2022 – período marcado por afastamentos de trabalhadores e pausas na produção. O Amazonas também foi batido com folga pela média brasileira (+1,5% e +7,8%) nesse quesito.

Aquecimento e cautela

Em texto e vídeo da assessoria de imprensa da CNI, a economista da entidade empresarial, Larissa Nocko, assinalou que a indústria de transformação brasileira ocupou posição relativamente menos desconfortável em janeiro. De acordo com a economista, o destaque veio das contratações e do rendimento médio real dos trabalhadores que, mesmo tendo perdido força na variação mensal (-0,3%), conseguiu acumular alta de 3% no último bimestre de 2022 e se mostrar 6,6% mais robusto em um ano. 

“O emprego teve novo avanço. Isso veio associado ao número de horas trabalhadas. Ainda que tenha sofrido recuos no final de 2022, o subindicador já apresenta o terceiro mês consecutivo de alta, mostrando certo nível de aquecimento”, pontuou. “Vale destacar também que outros indicadores relacionados ao mercado de trabalho, como massa salarial e rendimento médio, vinham de uma série de altas ao longo de 2022”, emendou.

Larissa Nocko acrescenta, contudo, que o mesmo não pode ser dito das vendas do setor em todo o país. “O faturamento real da indústria de transformação começou o ano com recuo de 0,9% em relação a dezembro e marcou o quinto mês consecutivo de quedas. E, mesmo na comparação com janeiro do ano passado, o faturamento apresentou recuo de 1,1%. Isso mostra um comportamento de certa cautela por parte do empresário”, alertou. 

Amostragem e flutuações

Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Fieam, e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, ressaltou que os Indicadores da CNI são uma amostragem menor do PIM e, por isso, alguns dos subsetores ponderados podem impactar mais negativamente os números globais, assim como questões sazonais.

O dirigente frisou também que o setor enfrenta dificuldades decorrentes de instabilidade econômica e política do país, além de problemas conjunturais do setor. Também reiterou que a falta de insumos em nível global e a “elevada taxa de juros” são fatores preponderantes para as “flutuações” na performance fabril mês a mês. 

Em nova entrevista, o presidente da Fieam considerou que, de uma forma geral, os números da indústria do Amazonas têm sido “alvissareiros”. “Os indicadores demonstram a tendência de crescimento que o PIM apresenta desde o último exercício. Embora ainda sofrendo com os impactos dos juros e da carência de insumos em determinados setores, o Polo tem apresentado boa tendência de recuperação no mercado. Mesmo porque produz itens de alto giro de trocas, como televisores e celulares. Nossa expectativa é de um crescimento paulatino e constante no decorrer do ano”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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