Mal saída da recuperação registrada em agosto, a indústria do Amazonas voltou a oscilar em setembro. O melhor dado veio do faturamento, que galgou altas de dois e três dígitos, batendo a manufatura nacional. Houve estabilidade no uso da capacidade instalada e no emprego, empatando com a média brasileira. Já as horas trabalhadas e a massa salarial recuaram, em trajetória oposta à do restante do país. É o que revelam os dados locais dos Indicadores Industriais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), compilados em parceria com a Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas).
Conforme o estudo, o faturamento real da manufatura local subiu 14,5% na variação mensal. Foi um desfecho mais forte do que o do levantamento precedente (+11,8%). No confronto com setembro de 2020 – quando o PIM já surfava na demanda reprimida do pós-primeira onda –, as vendas decolaram 90,2%. Em nove meses, o aumento foi de 145,9%. Foi um desempenho melhor do que o da média brasileira, que caiu nas variações mensal (-1,5%) e anual (-9,9%), além de chegar a um acumulado bem mais discreto (+8,9%).
Em paralelo, as horas trabalhadas nas linhas de produção da indústria amazonense reduziram o passo em 1,9%, entre agosto e setembro deste ano, em desempenho inferior ao do levantamento anterior (+20,3%). Na comparação com a marca de 12 meses atrás, o indicador se manteve no campo positivo (+6,3%), segurando o acumulado do ano em alta de 20,2%. Em todo o país, o setor seguiu na direção contrária na variação mensal (+1,7%), além de crescer nas demais comparações (+4,2% e +12,4%, respectivamente).
Após o dado negativo de agosto, a UCI (utilização da capacidade instalada) – que trata do percentual de máquinas comprometidas na produção – estabilizou em setembro. O indicador praticamente empatou (+0,2%), entre o oitavo (80%) e o nono (80,2%) mês deste ano. Em relação a setembro do ano passado (71,6%), houve expansão de 12,01%. Na média do acumulado do ano (76,89%), ficou 4,2 pontos percentuais acima da marca do mesmo intervalo de 2020 (72,69%), segundo análise da Fieam. O indicador nacional também mostrou queda de 3,8%, entre agosto (81,8%) e setembro (78,8%), na medida dessazonalizada, além de ficar aquém da marca de setembro do ano passado (81,6%).
Empregos e salários
Os dados relativos à mão de obra da indústria do Amazonas, por sua vez, foram nas duas direções. O saldo de contratações no parque fabril do Estado mal se moveu (+0,1%) na comparação com agosto de 2021. No confronto com o nono mês do ano passado, houve um acréscimo de 10,8%, mantendo no azul o acumulado até setembro de 2021 (+8,9%). Em âmbito nacional, o indicador zerou na virada do mês, embora tenha apresentado tímidas melhoras nos demais respectivos comparativos (+5% e +4,2%).
Já a massa salarial da manufatura amazonense segue oscilando e, desta vez, acabou retornando ao vermelho. Diminuiu 3,4%, na passagem de agosto para setembro, eliminando parte dos ganhos do levantamento anterior (+12,1%). Em relação ao número de 12 meses atrás, houve um tímido crescimento de 1,2%, mas o aglutinado de janeiro a setembro se manteve na casa de um dígito (+4,4%). Na média brasileira, as respectivas elevações percentuais foram de +0,2%, -0,3% e +1,9%.
“Série de problemas”
O texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNI destaca que os dados do estudo mostram um cenário pior para indústria nacional, em setembro, com a interrupção de quatro meses seguidos de crescimento no emprego, queda no faturamento, um terceiro mês consecutivo de UCI no campo negativo e rendimento médio real com tendência de retração. “O emprego vinha crescendo de forma intensa e contínua, já havia perdido ritmo em agosto e, em setembro, interrompeu a sequência de 13 meses consecutivos de altas”, lamentou o gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria, Marcelo Azevedo.
Na análise do especialista da CNI, os dados mostram uma desaceleração no crescimento da indústria brasileira no terceiro trimestre, e esse quadro seria resultado da alta de juros, da inflação, da falta de insumos e da crise hídrica. “A economia continua em trajetória de normalização, com o avanço da vacinação. A indústria poderia estar em melhor momento, mas essa série de problemas traz insegurança e trava a atividade”, ressaltou.
“Arritmia no mercado”
O presidente da Fieam, e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, considerou que, com exceção da variação positiva do faturamento, os demais indicadores mantiveram-se estáveis. No entendimento do dirigente, as vendas globais do Polo Industrial de Manaus apresentariam uma linha ascendente desde junho do último ano, à exceção dos três primeiros meses de 2021, que apresentaram queda em razão da segunda onda da pandemia de covid-19.
“O período ainda está eivado de muitas incertezas decorrentes da pandemia, as quais causaram uma acentuada arritmia no mercado. As indústrias, mesmo com demanda reprimida, estão sofrendo os efeitos da falta de insumos e da pressão sobre os preços. É importante ressaltarmos, contudo, a solidez do nosso Polo Industrial ante todas as dificuldades. Os indicadores estáveis demonstram que o modelo deve superar esse momento no curto/médio prazo”, finalizou.







