Setor de serviços do Amazonas volta a crescer no Amazonas

Em: 15 de novembro de 2021

Depois de tropeçar no mês anterior, o setor de serviços do Amazonas voltou a crescer, na passagem de agosto para setembro, embora não tenha conseguido repor a perda anterior. O desempenho positivo veio na contramão da média nacional, que entrou em campo negativo, após cinco meses seguidos de alta. A atividade ainda se encontra com expansão de vendas na escala de dois dígitos nas demais comparações, mas a escalada da inflação ajudou a promover distorções no indicador da receita nominal. É o que revelam os dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada pelo IBGE, na sexta (12).

O volume de serviços no Estado subiu 2,2% ante agosto de 2021, em intensidade ainda abaixo da retração anterior (-2,5%). No confronto com setembro do ano passado, ainda houve elevação de 10,8%, índice que ficou pouco aquém ao do apresentado no mês passado (+13,2%). Foi suficiente para segurar a atividade no campo positivo, nos aglutinados do ano (+14,3%) e de 12 meses (+11,4%). A performance do Amazonas só ficou atrás da média brasileira (-0,6%, +11,4%, +11,4% e +6,8%) na variação anual.

Com o acréscimo mensal (+2,2%), o Estado disparou da 23ª para a quarta posição, entre os maiores valores do setor em todo o país, em um mês em que 20 das 27 unidades federativas amargaram recuos. Só perdeu para Roraima (+10,6%), Mato Grosso do Sul (+3,6%) e Distrito Federal (+2,9%). Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Sergipe (-5,7%), Acre (-4,8%) e Alagoas e Tocantins (ambos com -3%).

O desempenho acumulado do ano ainda consolidado no azul garantiu ao Amazonas a manutenção da nona colocação no ranking nacional. Tocantins (+18,4%), Santa Catarina (+16,6%) e Minas Gerais (+16%) tiveram os melhores números, enquanto Rondônia (+2,2%), Piauí (+5,8%) e Distrito Federal (+6,1%) figuraram no rodapé de um rol sem performances negativas. Na variação anual, contudo, o Estado ficou na 16ª posição, empatado com Goiás, em uma lista protagonizada por Alagoas (+29,7%) e encerrada por Rondônia (-2,3%). 

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação nos preços correntes – apresentou números significativamente melhores, justamente por essa razão. A elevação na passagem de agosto para setembro foi de 3,2% – contra a retração de 1,9%, no mês anterior. No confronto com o mesmo mês de 2020, contudo, houve incremento de 19%, possibilitando a sustentação dos acumulados dos oito meses iniciais de 2021 (+18,1%) e da variação anualizada (+13,8%) no terreno positivo. Os respectivos números brasileiros foram +0,6%, +16,6%, +13,8%, +8,6%.

Com a expansão mensal da receita nominal (+3,2%), o Estado decolou do 23º para o quarto lugar do ranking nacional do IBGE. Os extremos ficaram em Roraima (+13,3%) e Distrito Federal (+9,7%), de um lado, e em Sergipe (-5,8%) e Acre (-4,6%), do outro. No comparativo do aglutinado do ano (+18,1%), se manteve na sétima posição, empatado com Alagoas e bem distante da liderança – ocupada por Roraima (+23,8%) – e da última colocação – Rondônia (+3,8%). Levando em conta a variação anual (19%), por outro lado, o Amazonas ficou em 11º lugar.

“A atividade voltou a crescer em setembro, o sexto crescimento no ano, que proporciona um ótimo desempenho no acumulado. A cada mês, o setor apresenta-se positivo, mesmo na comparação com 2020. Estes resultados demonstram que o seguimento tende a crescer ainda mais até o final do ano. O indicador de receita nominal mostra que, não fosse a inflação, o resultado local seria bem melhor. Infelizmente os dados locais não nos permite mensurar em que áreas a atividade está tendo boas vendas”, pontou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Alimentação e hospedagem

Em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas não apresenta os dados desagregados por segmentos. Em âmbito nacional, a queda foi puxada por quatro das cinco atividades, com destaque para transportes (-1,9%) – que foi impactada pelas passagens aéreas, um dos principais itens a influenciar o IPCA de outubro. Na sequência vieram “outros serviços” (-4,7%), informação e comunicação (-0,9%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%). O único avanço veio dos serviços prestados às famílias (+1,3%), que inclui alimentação e hospedagem.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, assinala que a retração do setor se deu de maneira “relativamente disseminada”, mas destaca que o resultado para os serviços financeiros auxiliares pode ser explicado também por uma base de comparação alta. “A queda da taxa de juros fez com que as pessoas e os investidores institucionais buscassem outras formas de investimento, fugindo da poupança e usando como intermediários financeiros corretoras de títulos e valores mobiliários”, explicou.

No caso dos serviços prestados às famílias, Lobo ressalta que estes são justamente os serviços que mais sofreram com os efeitos econômicos da pandemia e que têm mostrado algum tipo de fôlego e crescimento. “Com o avanço da vacinação e a flexibilização das atividades econômicas, as pessoas voltam a consumir com maior intensidade serviços de alojamento e alimentação”, lembrou, acrescentando que a atividade ainda está 16,2% abaixo do patamar pré-pandemia.

Efeito vacinação

O presidente em exercício da Fecomecio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que os serviços “sempre foram muito fortes”, em âmbito local. A partir de observações e conversas com empresários ligados à atividade, o dirigente avalia que o setor vem se recuperando com força nos últimos meses, graças ao efeito vacinação e ao refluxo das estatísticas da pandemia, e sob o peso das variáveis negativas do câmbio, inflação e juros. 

“Tenho sentido que os serviços estão em fase de recuperação, porque está passando aquele período de apreensão e medo da covid-19. Os restaurantes estão voltando a ter movimento em nível próximo ao anterior à pandemia, o volume de obras residenciais está em recuperação e o segmento de hospedagem só não está bem no Centro, já que o turismo de pesca vem alavancando os hotéis em outras partes do Estado. O subsetor de transportes também saiu ganhando e é possível ver maior fluxo de contêineres e ônibus levando operários às fábricas”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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