Além da retração natural que afeta a economia todo início de ano, as perspectivas não são boas e 2016 ainda vai demorar a engrenar, é o que dizem fontes ligadas a economia e indústria amazonense. O pessimismo também se estende a criação de novas vagas de emprego, que de acordo com pesquisas nacionais, terão o pontapé inicial a partir de março. Com isso as promessas de que o ano realmente iniciaria após o carnaval terão que esperar mais um pouco.
Indústria ainda lenta
A lentidão tem como principal prejudicado o setor de transformação e quem mais depende deste, o polo componentista, conta o economista Francisco Mourão Júnior. “Após as férias coletivas, veio o carnaval que durante alguns dias paralisou linhas de produção que já estavam lentas, o que afeta também os fornecedores de componentes”, afirma Mourão. “É difícil explicar o cenário atual para um investidor estrangeiro. Isso causa insegurança e traz descrédito ao Brasil”, disse Mourão.
A indústria de bicicletas do PIM que daria as primeiras pedaladas após o carnaval, mesmo com toda a expectativa, terá que se segurar até abril, assim como todo o setor de duas rodas, conta o gerente da unidade Manaus da Sense Bike, Joel Silva. “O start será dado já na próxima semana, mas o ano ainda não começou. Durante janeiro e até o Carnaval, tivemos uma redução na produção, mas é preciso rever as estratégias agora, aproveitando a visibilidade que o setor tem conquistado”, afirma.
Novas máquinas e possíveis novas contratações entram nas perspectivas, mesmo que as melhoras esperadas demorem um pouco mais. “Ano passado não contratamos, mas, mesmo com todas as dificuldades, também não demitimos. Vai ser um ano difícil, mas só está começando e temos que fortalecer a indústria local de duas rodas. Contamos com o apoio da Suframa e Abraciclo, para isso uma reunião entre as entidades está agendada para abril”, disse Silva.
Empregos
Candidatos a vagas e empregadores também esperam o momento certo, conta a vice-presidente da Abrh-Am (Associação Brasileira de Recursos Humanos-Amazonas), Elaine Jinkings. “Para alguns candidatos que já se encontram nas filas de emprego desde janeiro, espalhando currículos, a chance é bem maior. Mas há quem espere mais um pouco como estratégia de criar um leque maior de opções. Quem tem uma poupança ou ainda se vale do seguro-desemprego pode optar por isso, mas a maioria precisa se apressar”, disse Elaine.
Quanto às empresas, a demora em iniciar o ano pode ser explicada pela questão cultural intrínseca, difícil de ser extinta. “É um período de aquecimento dos motores que afeta principalmente a indústria, que no Amazonas ainda é uma grande empregadora. É natural que as coisas melhorem a partir de março, mas ficar parado não é a solução”, fecha Elaine.
Os primeiros três meses de 2016 serão de poucas contratações, segundo pesquisa do ManpowerGroup sobre a Expectativa de Emprego divulgada em dezembro último. De acordo com o estudo, o índice de contratação no primeiro trimestre do ano, deverá ficar em -13%, um número menor do que o de empresas que pretendem demitir. A pesquisa ainda elencou os setores com as piores perspectivas de novas vagas: Construção, Transportes e Serviços Públicos, Indústria, Serviços e Agricultura, pesca e mineração.






