Inflação estabiliza, mas juros vão subir

Em: 8 de novembro de 2013
No acumulado até outubro, IPCA estabilizou em 5,8%, abaixo da meta do governo
No acumulado até outubro, IPCA estabilizou em 5,8%, abaixo da meta do governo

Ainda que a inflação em outubro tenha ganho fôlego com o câmbio e a nova rodada de fortes aumentos de alimentos, o IPCA acumulado em 12 meses se estabilizou nos dois últimos meses ao redor de 5,8%, abaixo do teto da meta do governo (6,5%) e num nível inferior às taxas das medições anterior. Em outubro, o índice ficou em 5,84%. Em junho, o acumulado bateu no teto, com 6,7% -variação superior, portanto, ao limite máximo estabelecido pela equipe econômica.
Segundo analistas, a menor pressão, entretanto, não é um sinal de alento nem sinaliza um afrouxamento da política de alta dos juros, cujo objetivo é conter o consumo e, por conseguinte, os preços.
“O Banco Central vai ter de continuar aumentado os juros. O BC trabalha, e não é de hoje, com compromisso que não é mais o centro da meta [de inflação, de 4,5% neste ano], mas aceita uma inflação mais alta. Isso requer um instrumento monetário [a alta dos juros para segurar a inflação]”, diz o economista Gabriel Leal de Barros, da FGV.
Em outubro, a autoridade responsável pelos rumos dos juros básicos da economia e por monitorar a inflação elevou a taxa Selic para 9,50%. Um grupo de analistas espera mais um aumento até o fim do ano de 0,50%. Assim, a taxa fecharia 2013 em 10%. Se concretizada a previsão, será o mais alto patamar desde janeiro de 2012.
Barros diz que o governo aposta somente na alta dos juros para segurar a inflação, sem lançar mão de outro importante instrumento: o controle dos seus próprios gastos especialmente num ano em que a arrecadação frustrou diante de um crescimento econômico aquém do previsto.
Sem ajustar as despesas ao menor ritmo da receita obtida com impostos e outras fontes, o governo ampliou neste ano desonerações tributária para estimular a economia -medidas que não tiveram o efeito esperado, segundo analistas – e aumentou gastos sociais, como consequência, por exemplo, do maior deficit da Previdência.
Esses e outros fatores colocam em risco a meta de superavit primário (a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida), de 2,3% do PIB neste ano. Muitos analistas não creem que o objetivo será alcançado.
Talvez de olho numa provável redução da nota de risco de crédito do país pelas agências internacionais –que, se vier, poderá ampliar os custos do governo para captar juros no exterior e pagar parcelas de empréstimos –, a equipe econômica já anunciou medidas de austeridade. Uma delas foi a menor injeção de recursos do Tesouro no BNDES, o que limitará o orçamento do maior banco de fomento do mundo a R$ 150 bilhões no próximo ano – em 2013, a cifra estimada é de R$ 190 bilhões.

Combustíveis

Apesar de vir num patamar elevado (0,57%), o IPCA de junho ficou perto do esperado pelo mercado. O Itaú previa 0,60% e já antevia uma forte pressão dos alimentos, principal motor da inflação em outubro, com alta de 10,3% –perto da variação prevista pelo banco, de 1,1%. A instituição estima um IPCA de 5,8% em 2013, ou seja, no mesmo nível do acumulado em 12 meses até outubro.
O governo também já vislumbrava uma pressão intensa dos alimentos e, por isso, não permitiu ainda um reajuste da gasolina –asfixiando as contas da Petrobras, que pleiteia um aumento ainda neste ano e quer uma fórmula previamente determinada de reajustes periódicos para 2014.
Diante do fim do período de queda dos preços do álcool – que passaram de uma deflação de 0,72% em setembro para uma alta de 0,93% em outubro –, a gasolina também interrompeu a tendência de redução. Os preços médios do combustível ficaram praticamente estáveis em outubro (0,01%), após uma retração de 0,42% em setembro.
Os dados mostram que o governo talvez tenha perdido a “janela” para reduzir o preço da gasolina e evitar um impacto maior ao consumo, aberta com o forte recuo dos últimos meses do álcool diante da safra recorde de cana deste ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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