Inflação promete esquentar negociações salariais

Em: 1 de junho de 2011
A inflação promete esquentar o clima entre os empresários e as representações das principais categorias dos trabalhadores, nos meses de agosto e setembro deste ano
A inflação promete esquentar o clima entre os empresários e as representações das principais categorias dos trabalhadores, nos meses de agosto e setembro deste ano

A inflação promete esquentar o clima entre os empresários e as representações das principais categorias dos trabalhadores, nos meses de agosto e setembro deste ano. Justamente na data-base da campanha salarial, quando categorias como metalúrgicos, construção civil e bancários estão na mesa de negociações, a inflação deve atingir seu pico, com a altas do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicadores que balizam os ganhos dos profissionais. Os especialistas advertem que os objetivos salariais das categorias podem entrar em choque com a política anti-inflação do governo federal.
O acumulado dos 12 meses, divulgados pelo governo federal e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), fechou abril, o dado disponível mais recente, com o INPC atingindo 6,30% e o IPCA: 6,51%. Os principais atingidos pela a aceleração dos preços seriam os trabalhadores, que se encontram com o salário em defasagem em virtude da alta da cesta básica de alimentação, gasolina, gás e transporte.
Para o presidente do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Erivaldo Lopes, os trabalhadores devem ga‑ nhar o reajuste pelo INPC. “Acredito que o trabalhador tem direito de receber o INPC cheio, mas é difícil recompor as perdas salariais de uma só vez. O chamado aumento real vai depender de setor para setor e as ve‑ zes nem sempre se lucra o quanto se pensa que lucrou. Ache que tudo vai depender das negociações. Com boas negociações acredito que não haverá prejuízos e vai ser possível manter o nível do emprego”, ponderou.
No Amazonas, a categoria dos bancários espera atingir os objetivos salariais propostos, porque, segundo o presidente do sindicato laboral, Nindberg Barbosa, as instituições bancárias não tiveram prejuízos, principalmente neste ano.
“Eles ganharam com o aumento nas taxas de empréstimos, nas tarifas bancárias, nas taxas de cheques especiais. Quer dizer, ganharam em tudo. Então, não tem porque eles não darem a percentagem de ganho que pedimos. Vamos pedir a reposição da inflação, mais o PIB, e nosso reajuste deve oscilar até 13%”, adiantou.
Nindberg Barbosa disse que as negociações para reajuste salarial devem começar em agosto. Na semana passada, a entidade participou de encontro dos dirigentes sindicais, em Fortaleza (CE) para começar o processo de planificação do reajuste salarial do ano. A data-base é dia 1º de dezembro.

Ganho real

O advogado do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Cons‑ trução Civil em Manaus), Wilson Araújo, informou que entre as várias cláusulas pleiteadas pela categoria está o reajuste salarial correspondente ao INPC referente a 1º de julho de 2010 e 30 de junho de 2011. “Acreditamos que vamos pedir um reajuste de até 7%. Além da reposição salarial estamos pleiteando um aumento real de mais 7%”, salientou.
Já o Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Cons‑ trução Civil do Amazonas), também avalia que os ganhos salariais devem sofrer a influencia da inflação, mas que não devem ser concretizadas em 15%, como querem os trabalhadores. “Nossa proposta deve girar em torno do INPC, com ganho real de 1,5%. Mas, ainda estamos no início das discussões e acho que até a data-base já teremos um caminho mais concreto para fecharmos os acordos”, finalizou o presidente do Sinduscon/AM, Eduardo Lopes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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