Há muito a fazer para tornar a economia brasileira mais competitiva. Deficiências na infraestrutura econômica agravaram-se nas últimas décadas e têm funcionado como obstáculo à competitividade de nossos produtos. Embora a questão cambial venha dominando a atenção dos empresários, o país tem problemas estruturais crônicos – tão ou mais graves que a apreciação do real – que não devem ser esquecidos. A ZFM conhece bem os gargalos logísticos que enfrenta para o desempenho eficiente da economia. Temos deficiências históricas que se perpetuaram no tempo, desfiando sucessivos governos.
Além do câmbio valorizado, reflexo do próprio fortalecimento da economia brasileira, há outros problemas importantes a resolver. Denominados “custo Brasil”, eles espelham nossas deficiências estruturais: infraestrutura precária, carga tributária elevada, complexo e anacrônico sistema tributário, juros absurdamente altos, baixa qualificação da mão de obra, elevados “custos de transação”, Justiça lenta e pouco eficaz, insegurança jurídica, volatilidade das regras, clima desfavorável ao empreendedorismo, burocracia excessiva etc.
Recente estudo encomendada pelo Deconcic/Fiesp mostrou, por exemplo, que os portos brasileiros têm a 8ª pior avaliação na comparação com os dez países estudados na América do Sul, continente que não é bom exemplo de excelência portuária. A qualidade da infraestrutura dos portos do Brasil só é melhor do que a da Venezuela.
Entre os selecionados, o Chile foi o país que obteve a 1ª colocação em cinco setores de infraestrutura: rodovias (Brasil é 6º), transporte aéreo (Brasil é 6º), energia (Brasil é 4º), portos (Brasil é 8º) e ferrovia (Brasil é 3º). Há um nítido descompasso entre as dimensões da economia e a qualidade e quantidade da infraestrutura que o país dispõe.
O aparelhamento inadequado dos portos brasileiros é uma deficiência logística que vem prejudicando enormemente a competitividade da indústria nacional. O estudo comparativo que ressaltou esse ônus logístico foi feito pela consultoria LCA Consultores, que atribuiu notas de 1 a 7 para a qualidade da infraestrutura. A pesquisa foi apresentada na “Construbusiness 2010”, evento anual do setor que ocorreu no início desta semana.
Além das notas para transporte aéreo, energia, ferrovia, rodovia e portos, a LCA fez um levantamento completo de todos os projetos com investimentos previstos no país. A consultoria apurou que o Brasil deve receber até 2022 cerca de R$ 850 bilhões em recursos para ajustar sua infraestrutura. “Essa cifra pode ser maior, mas foram considerados apenas os investimentos com projetos já definidos”, disse Manuel Rossito, diretor do Deconcic e coordenador da pesquisa.
O setor com maior investimento apurado pela LCA é o de energia. Até 2022, os aportes para o setor atingirão R$ 385,4 bilhões. A recuperação e construção de estradas devem consumir R$ 200 milhões até 2022, e, em obras no saneamento, serão investidos R$ 206 bilhões para universalização do saneamento. A meta é atingir a cobertura de 98% em abastecimento de água e 93% em tratamento do esgoto. Hoje, segundo o relatório, o Brasil tem 84% da população com acesso a água encanada, 50% a coleta de esgoto e 43% a tratamento. O trabalho será usado na pauta de reivindicações do setor da construção junto ao governo Dilma Rousseff.
A ZFM – é oportuno dizer – está sofrendo, com o acidente ocorrido no Porto Chibatão, verdadeiro “apagão” portuário na movimentação de cargas, o que prejudica todos os setores da economia, principalmente a indústria (o PIM) e o comércio. Considerando que a ZFM é o grande motor de crescimento em operação no Amazonas, o problema portuário tem reflexos negativos imediatos na geração de renda, emprego, investimentos e arrecadação tributária.
Brasil é o 3º mais desigual
O Brasil é o terceiro país com maior desigualdade na América Latina, ao lado do Equador e atrás de Bolívia e Haiti, segundo Relatório Regional sobre Desenvolvimento Humano para a América Latina e Caribe 2010, recém-divulgado pela ONU em Quito. Brasil e Equador compartilham a posição com 56% de desigualdade (100% é o índice no caso hipotético em que só uma pessoa receberia toda a receita). Esta triste realidade resulta de décadas de uma educação de má qualidade ministrada aos brasileiros, os quais, desde cedo – em função da cidade onde nasceram e da classe social de suas famílias – têm oportunidades profundamente desiguais na sociedade. O representante da ONU no Equador, José Manuel Hermida, disse, na apresentação do relatório, que o “estudo contribui para a formação de políticas públicas para diminuir a desigualdade”. Para ele, a persistência da desigualdade é um grande entrave ao desenvolvimento econômico. Segundo o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Equador (e o Brasil) é um dos 15 países mais desiguais do mundo, dos quais, dez estão na América Latina e no Caribe, região com as maiores diferenças econômicas entre os habitantes. Ao contrário da América Central, onde a desigualdade diminui desde 1990, na região andina o índice só começou a cair em meados da década atual, assinala o documento. As observações e medições sociais externas são importantes para que os brasileiros tomem conhecimento de que, embora o país possua a 9ª maior economia do mundo, no âmbito social o Brasil ainda pertence ao Terceiro Mundo. Espera-se que o governo Dilma Rousseff continue a política de redução das desigualdades sociais perseguida nos últimos anos.
A ambição da China
Paralelamente aos seus feitos extraordinários no âmbito econômico, que já a colocaram na posição de segunda maior economia do mundo, após os EUA, a China persegue de forma determinada a supremacia na geração de conhecimento em todos os segmentos da ciência. Seu desenvolvimento nas tecnologias para a conquista espacial vem sendo acompanhado por passos seguros no desenvolvimento da biologia e da medicina, como se observa em sua mais recente aquisição para formar centros de excelência. O cientista francês Luc Montagnier, que recebeu o prêmio Nobel de 2008 pela descoberta do HIV, está se transferindo para a Universidade Jiaotong, em Xangai, como parte do esforço do governo chinês para atrair pesquisadores de elite. Sem divulgar o salário a ser pago ao pesquisador, a universidade criou um instituto a ser chefiado pelo grande cientista com o sugestivo nome de “Instituto Luc Montagnier”. A China compreendeu bem o fato de que nenhuma nação poderá ser realmente desenvolvida sem ter uma educação de qualidade mundial, indispensável à produção de conhecimento científico e inovação. Os chineses captaram bem a mensagem do que disse o brasileiro Monteiro Lobato no século 20: “Um país se faz com homens e livros”. A metáfora do grande escritor foi enunciada há quase cem anos com o intuito de alertar o Brasil para o papel da educação na construção da grandeza das nações.
Cidadão do Amazonas
Em reconhecimento aos serviços relevantes prestados à economia do Polo Industrial de Manaus, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas concedeu, ontem pela manhã, o Título de Cidadão do Amazonas ao empresário Armando Ennes do Valle Júnior, diretor da Whirlpool Eletrodomésticos AM Ltda. e membro do Conselho Superior do Centro da Indústria do Estado do Amazonas. Em razão da homenagem, as entidades empresariais apresentam seus cumprimentos ao novo cidadão amazonense.







