Infraestrutura precária

Em: 1 de dezembro de 2010
Há muito a fazer para tornar a economia brasileira mais competitiva
Há muito a fazer para tornar a economia brasileira mais competitiva

Há muito a fazer para tornar a economia brasileira mais competitiva. Deficiências na infraestrutura econômica agravaram-se nas últimas décadas e têm funcionado como obstáculo à competitividade de nossos produtos. Embora a questão cambial venha dominando a atenção dos empresários, o país tem problemas estruturais crônicos – tão ou mais graves que a apreciação do real – que não devem ser esquecidos. A ZFM conhece bem os gargalos logísticos que enfrenta para o desempenho eficiente da economia. Temos deficiências históricas que se perpetuaram no tempo, desfiando sucessivos governos.
Além do câmbio valorizado, reflexo do próprio fortalecimento da economia brasileira, há outros problemas importantes a resolver. Denominados “custo Brasil”, eles espelham nossas deficiências estruturais: infraestrutura precária, carga tributária elevada, complexo e anacrônico sistema tributário, juros absurdamente altos, baixa qualificação da mão de obra, elevados “custos de transação”, Justiça lenta e pouco eficaz, insegurança jurídica, volatilidade das regras, clima desfavorável ao empreendedorismo, burocracia excessiva etc.
Recente estudo encomendada pelo Deconcic/Fiesp mostrou, por exemplo, que os portos brasileiros têm a 8ª pior avaliação na comparação com os dez países estudados na América do Sul, continente que não é bom exemplo de excelência portuária. A qualidade da infraestrutura dos portos do Brasil só é melhor do que a da Venezuela.
Entre os selecionados, o Chile foi o país que obteve a 1ª colocação em cinco setores de infraestrutura: rodovias (Brasil é 6º), transporte aéreo (Brasil é 6º), energia (Brasil é 4º), portos (Brasil é 8º) e ferrovia (Brasil é 3º). Há um nítido descompasso entre as dimensões da economia e a qualidade e quantidade da infraestrutura que o país dispõe.
O aparelhamento inadequado dos portos brasileiros é uma deficiência logística que vem prejudicando enormemente a competitividade da indústria nacional. O estudo comparativo que ressaltou esse ônus logístico foi feito pela consultoria LCA Consultores, que atribuiu notas de 1 a 7 para a qualidade da infraestrutura. A pesquisa foi apresentada na “Construbusiness 2010”, evento anual do setor que ocorreu no início desta semana.
Além das notas para transporte aéreo, energia, ferrovia, rodovia e portos, a LCA fez um levantamento completo de todos os projetos com investimentos previstos no país. A consultoria apurou que o Brasil deve receber até 2022 cerca de R$ 850 bilhões em recursos para ajustar sua infraestrutura. “Essa cifra pode ser maior, mas foram considerados apenas os investimentos com projetos já definidos”, disse Manuel Rossito, diretor do Deconcic e coordenador da pesquisa.
O setor com maior investimento apurado pela LCA é o de energia. Até 2022, os aportes para o setor atingirão R$ 385,4 bilhões. A recuperação e construção de estradas devem consumir R$ 200 milhões até 2022, e, em obras no saneamento, serão investidos R$ 206 bilhões para universalização do saneamento. A meta é atingir a cobertura de 98% em abastecimento de água e 93% em tratamento do esgoto. Hoje, segundo o relatório, o Brasil tem 84% da população com acesso a água encanada, 50% a coleta de esgoto e 43% a tratamento. O trabalho será usado na pauta de reivindicações do setor da construção junto ao governo Dilma Rousseff.
A ZFM – é oportuno dizer – está sofrendo, com o acidente ocorrido no Porto Chibatão, verdadeiro “apagão” portuário na movimentação de cargas, o que prejudica todos os setores da economia, principalmente a indústria (o PIM) e o comércio. Considerando que a ZFM é o grande motor de crescimento em operação no Amazonas, o problema portuário tem reflexos negativos imediatos na geração de renda, emprego, investimentos e arrecadação tributária.

Brasil é o 3º mais desigual

O Brasil é o terceiro país com maior desigualdade na América Latina, ao lado do Equador e atrás de Bolívia e Haiti, segundo Relatório Regional sobre Desenvolvimento Humano para a América Latina e Caribe 2010, recém-divulgado pela ONU em Quito. Brasil e Equador compartilham a posição com 56% de desigualdade (100% é o índice no caso hipotético em que só uma pessoa receberia toda a receita). Esta triste realidade resulta de décadas de uma educação de má qualidade ministrada aos brasileiros, os quais, desde cedo – em função da cidade onde nasceram e da classe social de suas famílias – têm oportunidades profundamente desiguais na sociedade. O representante da ONU no Equador, José Manuel Hermida, disse, na apresentação do relatório, que o “estudo contribui para a formação de políticas públicas para diminuir a desigualdade”. Para ele, a persistência da desigualdade é um grande entrave ao desenvolvimento econômico. Segundo o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Equador (e o Brasil) é um dos 15 países mais desiguais do mundo, dos quais, dez estão na América Latina e no Caribe, região com as maiores diferenças econômicas entre os habitantes. Ao contrário da América Central, onde a desigualdade diminui desde 1990, na região andina o índice só começou a cair em meados da década atual, assinala o documento. As observações e medições sociais externas são importantes para que os brasileiros tomem conhecimento de que, embora o país possua a 9ª maior economia do mundo, no âmbito social o Brasil ainda pertence ao Terceiro Mundo. Espera-se que o governo Dilma Rousseff continue a política de redução das desigualdades sociais perseguida nos últimos anos.

A ambição da China

Paralelamente aos seus feitos extraordinários no âmbito econômico, que já a colocaram na posição de segunda maior economia do mundo, após os EUA, a China persegue de forma determinada a supremacia na geração de conhecimento em todos os segmentos da ciência. Seu desenvolvimento nas tecnologias para a conquista espacial vem sendo acompanhado por passos seguros no desenvolvimento da biologia e da medicina, como se observa em sua mais recente aquisição para formar centros de excelência. O cientista francês Luc Montagnier, que recebeu o prêmio Nobel de 2008 pela descoberta do HIV, está se transferindo para a Universidade Jiaotong, em Xangai, como parte do esforço do governo chinês para atrair pesquisadores de elite. Sem divulgar o salário a ser pago ao pesquisador, a universidade criou um instituto a ser chefiado pelo grande cientista com o sugestivo nome de “Instituto Luc Montagnier”. A China compreendeu bem o fato de que nenhuma nação poderá ser realmente desenvolvida sem ter uma educação de qualidade mundial, indispensável à produção de conhecimento científico e inovação. Os chineses captaram bem a mensagem do que disse o brasileiro Monteiro Lobato no século 20: “Um país se faz com homens e livros”. A metáfora do grande escritor foi enunciada há quase cem anos com o intuito de alertar o Brasil para o papel da educação na construção da grandeza das nações.

Cidadão do Amazonas

Em reconhecimento aos serviços relevantes prestados à economia do Polo Industrial de Manaus, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas concedeu, ontem pela manhã, o Título de Cidadão do Amazonas ao empresário Armando Ennes do Valle Júnior, diretor da Whirlpool Eletrodomésticos AM Ltda. e membro do Conselho Superior do Centro da Indústria do Estado do Amazonas. Em razão da homenagem, as entidades empresariais apresentam seus cumprimentos ao novo cidadão amazonense.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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