PIM minimiza alta das matérias-primas

Em: 1 de dezembro de 2010
Apesar de o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) ter avançado 1,20% no segundo decênio de novembro, ultrapassando o percentual de maio, que havia obtido a maior alta (+1,19%), o setor industrial do Amazonas ainda não sofre com o aumento
Apesar de o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) ter avançado 1,20% no segundo decênio de novembro, ultrapassando o percentual de maio, que havia obtido a maior alta (+1,19%), o setor industrial do Amazonas ainda não sofre com o aumento

Apesar de o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) ter avançado 1,20% no segundo decênio de novembro, ultrapassando o percentual de maio, que havia obtido a maior alta (+1,19%), o setor industrial do Amazonas ainda não sofre com o aumento.
Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, quem é obrigado a lidar com a alta é o consumidor final. “Ele é o maior prejudicado, que termina pagando a conta”, enfatizou.
Para o presidente do Sinaees/AM (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos e Similares do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a maior preocupação do segmento não se deve ao IGP-M. “Pior que isso é a questão cambial e o ingresso de produtos importados. Há notícias de empresas que estão fechando em Pernambuco”, destacou.
Por enquanto, esta situação ainda não é visível nos eletroeletrônicos do PIM (Polo Industrial de Manaus), mas o dirigente salienta que a ameaça paira sobre o segmento.

Grupo alimentação

De acordo com os dados divulgados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), o subíndice IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou aumento de 0,59%. A maior influência para o incremento surgiu do grupo alimentação, com um percentual de 1,26%.
O presidente do Sindicato de Alimentação e Bebidas do Estado do Amazonas, Carlos Rosa, comenta que agora só resta ao setor se adequar. Entretanto, ele assegura que o maior vilão do segmento na verdade são as matérias-primas para a produção de embalagens. “Com a procura elevada por estes produtos, os materiais de embalagem sofreram uma elevação, que acaba refletindo no preço da alimentação”, analisou.
No caso da construção civil, o presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria de Construção Civil no Amazonas), Eduardo Lopes, fala que o incremento não traz transtorno para o setor. “Até porque o aumento nosso se deve pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção)”, frisou.
Além disso, ele diz que o acréscimo não é tão discrepante quanto parece e está na faixa para o fim do ano. “Todos os anos há uma subida no final. Mas, quando isto acontece, o governo toma medidas para resolver o problema”, detalhou.
O economista José Fernando Pereira evidencia que a economia do país está em plena expansão e, segundo as previsões oficiais, para este ano haverá um aumento de 7,5% no PIB. “O que mostra um dinamismo muito grande de nossa economia (aquecimento na demanda de bens e serviços). Logo a elevação do indicador está proporcional ao nosso atual ambiente econômico”, salientou.

Para o setor, maior problema ainda é o câmbio sobrevalorizado

Apesar de materiais e componentes para manufatura terem contribuído, no período, com apenas 0,58% na inflação de 1,55% do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), um dos subíndices que compõe o IGP-M, o Polo de Componentes do Estado é mais uma vez afetado.
Aliado aos problemas locais, ele acaba sendo penalizado pela alta nos preços. “Já estão trazendo tudo de fora pronto”, desabafou o presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques.
Atualmente, grande parte da mercadoria produzida pelo polo de componentes é destinada ao de duas rodas e ao polo eletroeletrônico.
Périco declara que os representantes industriais do Amazonas têm procurado sensibilizar as entidades responsáveis pela fiscalização para neutralizar os efeitos danosos causados pelas importações. “Precisamos encontrar mecanismos para combater a entrada em excesso”, afirmou.
Segundo Marques, a importação de insumos aumenta a cada ano. Até setembro de 2010, os gastos com insumos regionais (US$ 2.82 bilhões) foram os menores desde 2005. Enquanto isso, os valores de custo dos que vêm do exterior ficam na segunda posição do ranking de números mais altos, com US$ 7.84 bilhões, perdendo apenas para os de 2008, com US$ 8.55 bilhões. O resultado corresponde a uma fatia de 59,83% na aquisição de insumos pelas indústrias da região.
No dia 9 de dezembro, os representantes do setor vão ter a última de uma série de reuniões programadas para discutir sobre este assunto na sede da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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