Inteligência emocional ajuda a ampliar empregabilidade

Em: 28 de julho de 2019
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Alguns aspectos são fundamentais para quem pretende conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho e manter-se inserido dentro das organizações. Alguns estudos  revelam que existem fatores cruciais para que o candidato tenha destaque em qualquer tipo de processo seletivo. Um deles é baseado na inteligência emocional, a busca pelo perfil de profissionais que saibam conduzir sua habilidade emocional para alcançar resultados satisfatórios, tem sido uma crescente dentro das organizações.

Mas que conceito é esse? A psicologia descreve que é a capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

Em artigo publicado com  tema, Inteligência Emocional: Fator Relevante para a Empresabilidade e Empregabilidade, o professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e psicólogo Marcelo Alves explica que frente aos desafios do mundo pós-moderno, as empresas estão investindo cada vez mais em seus colaboradores. As organizações, pequenas ou grandes, estão reconhecendo a importância da psicologia organizacional na aplicação dos seus conhecimentos para melhores resultados.

“A manifestação das emoções está presente em todo lugar, sobretudo, no convívio social, onde somos desafiados a lidar com diferentes personalidades, temperamentos e comportamentos”. Ele afirma que alguns estudos já apontam que profissionais truculentos nos seus relacionamentos, com pouco controle sobre o humor, que não aceitam opinião dos outros, difíceis de lidar, exercem considerável influência negativa sobre o comportamento dos demais colaboradores. 

Assim, exigências cada vez maiores surgem por parte das empresas que buscam profissionais para compor seus quadros. Elencamos aqui alguns pré-requisitos: motivador, proativo, saber trabalhar em equipe, boa comunicação, agregador, resiliente.   No mundo competitivo, exigente e excludente, conhecer as suas emoções e aprender a controlá-las, por certo, é um grande diferencial. 

Na avaliação dele um tema relevante como a inteligência emocional, no campo científico, a produção intelectual, por meio de publicações ainda é escassa. “Há um campo vasto para pesquisa nesse sentido. Em face disso estamos desenvolvendo outros artigos sobre a matéria”. 

No aspecto prático, as empresas estão buscando selecionar candidatos com muita capacidade técnica, mas que manifestem controle comportamental também.

Autocontrole é ferramenta para nivelar emoções

Sonia Maria Barbosa, especialista em RH, assegura que o autocontrole é um dos aspectos para quem procura se destacar em todos os campos, seja no profissional ou no pessoal. Ela afirma que é um fator que sempre foi exigido e com o passar do tempo, vão surgindo outras  maneiras de chamar o comportamento e fazer com que o colaborador atente mais para essas necessidades e competências a serem desenvolvidas.

“A busca por pessoas com  inteligência emocional é uma crescente. Os especialistas estão buscando novas formas de identificar esta característica no candidato, apontada como um dos fatores essenciais para se tornar um grande líder.”

Ela exemplifica que um profissional que comanda uma equipe, precisa saber lidar com as próprias emoções em determinadas situações. “É necessário ter aptidão para entender o fator humano e sanar problemas pontuais.  Buscamos líderes com inteligência emocional e isso ultrapassa barreiras das características admiradas no chefe de uma equipe”. 

Segundo Sônia, é importante ressaltar que é no processo seletivo por meio de uma entrevista bem estruturada com as ferramentas corretas que este tipo de competência é observada, mas nem sempre isso é garantia de que esse candidato possui essa capacidade. “Essa liderança está atrelada ao autoconhecimento. Como esse líder é no seu dia a dia. Muitas vezes esse olhar depende propriamente do feeling de quem está selecionando”, explicou.  

A mentora de negócios e líderes, Renata Tolotti,  reafirma que quem sabe lidar com as emoções têm mais chances nos recrutamentos. “Normalmente sim. Digo "normalmente" porque ainda há empresas que não levam em conta a personalidade do candidato, e continuam dando foco só nas experiências anteriores ou formação acadêmica. Já ouviu a frase “contrataram por currículo e demitiram por comportamento?”. Exatamente isso. As empresas têm se aberto para entender que pessoas podem gerar um caos ou podem trazer soluções e neste ponto os comportamentos  são fundamentais a serem avaliados”, avalia. 

Ela assegura que as empresas têm percebido cada vez mais que as competências comportamentais são mais importantes do que habilidades técnicas. No dia a dia de qualquer função, as pessoas passam por situações que geram diferentes sentimentos. Saber reagir a estes sentimentos (bons ou ruins) de uma maneira positiva é o que chamamos de inteligência emocional. As empresas valorizam cada vez mais o profissional que possui inteligência emocional bem desenvolvida. 

Principais elementos presentes na inteligência emocional:

– Capacidade de manter a calma em momentos de estresse

– Capacidade de deixar o ego de lado em momentos de decisão, focando no melhor para a empresa antes de tudo

– Capacidade de lidar com as frustrações, de modo a não assumir que "é incompetente", e sim que "não foi competente o suficiente" naquela situação específica

– Capacidade de conseguir falar sobre o que sente sem colocar emoção excessiva na fala

– Capacidade de conseguir identificar os sentimentos presentes e analisar o que sente e porque sente, antes de tomar decisões importantes, especialmente que possam afetar aos outros

– Capacidade de lidar com conflitos e/ou gerenciar conflitos visando o melhor para todos (não apenas para si)

– Capacidade de ser resiliente, ou seja, saber lidar com a pressão

Algumas questões comuns com enfoque comportamental, que recrutadores utilizam em entrevistas de emprego:

Quais resultados você quer alcançar? Quais são seus pontos fortes?

Qual foi a última vez que você se sentiu envergonhado e como lidou com a situação?

Quais hábitos que você entende que são bons para você.

Você se incomoda em pedir ajuda a outras pessoas?

Comente sobre uma “batalha” interna que você enfrenta diariamente.

O que o deixa bravo?

Como você poderia trazer mais equilíbrio para sua vida?

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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