O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) avançou 2% em janeiro, em sua quarta alta mensal seguida, e bem acima do incremento da média nacional (+1,2%). Há mais otimismo entre os manauenses que ganham mais, embora a percepção tenha melhora apenas para os que recebem menos. Os dados estão na pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), disponibilizados nesta quinta (23).
O ICF de Manaus atingiu 107,6 pontos, mantendo-se na zona considerada de satisfação (igual ou acima de 100 pontos), onde está desde fevereiro de 2019 – quando marcou 102,9 pontos – e bem acima da marca registrada há exatos 12 meses atrás (98,6 pontos). Na média nacional, o indicador ficou em 97,1 pontos, alcançando o melhor resultado para meses de janeiro desde 2015, embora siga abaixo do nível de satisfação desde abril do mesmo ano (102,9 pontos).
Apenas três dos sete componentes do ICF, contudo, cresceram em Manaus: Momento para Duráveis (+19%), Nível de Consumo Atual (+14,5%) e Perspectivas de Consumo (+2,1%). Em sentido inverso, Renda Atual (-5,7%), Perspectiva Profissional (-3,1%), Emprego Atual (-1,7%) e Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-0,7%) recuaram. No Brasil, apenas Momento para Duráveis (+3,3%), Nível de Consumo Atual (+0,6%) e Acesso ao Crédito (+0,3%) foram positivos.
A capital amazonense aparece descolada da média da região Norte (-1,6% e 100,7 pontos), que entrou, neste mês, na zona de satisfação. O maior grau do ICF aparece no Sul (105,5 pontos) – que encolheu 0,8%. O Centro-Oeste (+0,8% e 101,5) foi a única região que cresceu. O Sudeste pontuou estabilidade e insatisfação (95,7), enquanto o Nordeste apresentou a menor pontuação (93,1) e o terceiro pior desempenho mensal (-0,7%).
Renda e emprego
Houve recuo no indicador para famílias manauenses que ganham dez salários mínimos ou mais (-2%), embora a satisfação seja maior (136,8 pontos). Em contraste, consumidores que ganham abaixo desse patamar (104,8) elevaram seu otimismo (+2,5%). Os dados mais negativos vieram de Renda Atual, tanto entre os que ganham mais (-21,3%), quanto entre os que recebem menos (-3,6%). No primeiro grupo, a maior satisfação está no Emprego Atual (+6,4%) e no segundo, em Momento para Duráveis (+21,9%).
A mesma disparidade não se deu no número brasileiro. Os números foram plenamente negativos para as famílias que ganham até dez mínimos (-1,9% e 103,9 pontos). Em contrapartida, houve melhora (+1,3%) no grupo com remuneração maior (114,4 pontos).
Acima da média
O assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, minimizou as variações negativas mensais entre alguns subíndices do ICF e a aparente contradição entre a percepção positiva para o consumo de bens duráveis e a avalição negativa a respeito das compras a prazo.
“É importante dizer que a redução da oferta de juros e o aumento na oferta de crédito estão impulsionando o consumo e isso é muito bom para o setor. E o aumento da renda média de Manaus foi superior ao de outras cidades brasileiras. Tanto é que ficamos com uma pontuação no índice maior do que a média nacional. Estamos vendo uma recuperação da indústria, do comércio e dos serviços e as perspectivas para 2020 são ainda melhores”, frisou.
“Recuperação gradual”
Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, destacou que as quedas nos indicadores de emprego e renda em âmbito nacional podem ser explicadas pelo fato de janeiro ser um mês no qual uma parte dos contratos de empregos temporários é encerrada.
“Normalmente, também há uma redução de renda neste período, visto que os funcionários não sentem os efeitos do benefício do 13º salário e da disponibilidade do saque do FGTS, como em dezembro. Além, claro, dos gastos sazonais no início do ano, como IPTU, IPVA e matrículas escolares”, explicou.
No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, atribui os números a uma maior cautela dos consumidores em relação aos seus gastos no curto prazo, mas destacou que o cenário está mais otimista para o longo prazo, indicando que a economia brasileira deve ter um 2020 melhor do que 2019.
“Os resultados estão alinhados com uma melhora da percepção econômica, já sinalizada pelo aumento da confiança dos empresários do comércio, que também teve seu melhor janeiro em anos. Os indicadores medidos neste primeiro mês traduzem uma recuperação gradual, impulsionados pela inflação baixa e redução nas taxas de juros”, encerrou.







