Depois de crescer no mês anterior, a intenção de gastos das famílias em Manaus seguiu caminho inverso ao do Brasil e caiu entre agosto e setembro, mas segue acima da média nacional. Os dados estão na pesquisa do índice ICF (Intenção de Consumo das Famílias), divulgada nesta quinta (19), pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
A capital amazonense registrou 100,1 pontos, sendo que o maior otimismo vem das famílias que ganham mais de dez salários mínimos mensais (103,4). Setembro ficou 2,3% abaixo da marca de agosto (102,5) e muito aquém do patamar de maio (107,9), quando o ICF acumulava quatro meses seguidos de expansão. A partir de junho, o indicador entrou em trajetória de ziguezague, com uma queda seguida de duas altas e um novo mergulho em setembro.
Em âmbito nacional, o resultado representou a segunda alta mensal consecutiva do ICF em 2019 (+0,3%), após a queda experimentada entre março e julho. O indicador da CNC chegou a 92,5 pontos, alcançando a melhor pontuação desde maio (94,6 pontos), sendo que o recorde do ano foi registrado em fevereiro (98,5). Também ficou acima da marca de setembro de 2018 (86,9).
Números do ICF abaixo de 100 pontos estão na zona de insatisfação, enquanto números acima desse patamar indicam satisfação das famílias. Segundo a CNC, a capital amazonense entrou no campo positivo desde fevereiro de 2019 (102,9 pontos), enquanto a média brasileira segue negativa há 49 meses seguidos, desde abril de 2015.
Em Manaus, três componentes do indicador apresentaram elevação mensal, indicando otimismo: “Emprego Atual” (+1,7%), “Perspectiva Profissional” (+4,3%) e “Perspectiva de Consumo” (+5,3%). A expectativa positiva dos entrevistados foi acompanhada por ceticismo em relação ao presente e às compras a prazo, dada a retração nos índices de “Renda Atual” (-5,7%), “Nível de Consumo Atual” (-15%), “Compras a Prazo/Acesso ao Crédito” (-6,5%) e “Momento para Duráveis” (-10,8%).
Em nível nacional, os dados positivos vieram de quatro variáveis que compõem o indicador da CNC: “Emprego Atual” (+0,1%), “Compras a Prazo” (+2,2%), “Perspectiva de Consumo” (+1,1%) e “Momento para Duráveis” (+0,2%). “Renda Atual” (-0,6%) teve a maior retração. O melhor grau de satisfação veio de “Emprego Atual” (116,6 pontos) e o menor, de “Momento para Duráveis” (64,2).
Na comparação com o mesmo mês de 2018, as famílias brasileiras enxergam melhor expectativa de consumo (33% contra 27,6%), mas a maioria (39,7%) entende que o horizonte para compras ainda não se apresenta oportuno. Em setembro de 2018, contudo, o percentual de ceticismo era ainda maior (42,5%).
“Sem bolhas”
“Isso mostra que a nossa economia está se recuperando, o que é favorável para a atividade comercial. Nos últimos 13 meses, a intenção de compra das famílias de Manaus vem oscilando, dentro de um patamar razoável, pois não houve bolhas de consumo, mas um bom desempenho da economia do país com perspectivas de crescimento para o futuro”, ponderou o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva.
O economista atribui o diferencial de Manaus em relação à média nacional ao fato de a capital amazonense ser uma “cidade-Estado” e reforça que as perspectivas são positivas para o consumo local, ao lembrar que há três “sazonalidades” para reforçar o crescimento do setor até dezembro: Dia das Crianças, Black Friday e Natal.
Crédito e FGTS
Segundo o economista da CNC Antonio Everton Junior, os dados nacionais reforçam a expectativa de aumento do consumo e das vendas do comércio brasileiro. Ao levar em conta a elevação do componente “Compras a Prazo”, o especialista avalia que as famílias podem até considerar tomar algum tipo de empréstimo para fazer compras, por entender que o acesso ao crédito está mais fácil.
Diante do potencial de consumo verificado com o estudo, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, considera que o maior otimismo das famílias tem relação direta com a recuperação da economia, gerando vendas comerciais crescentes para o setor em todo o país, até dezembro.
“As famílias continuam se mostrando mais dispostas a consumir, impulsionadas, sobretudo, pela estabilidade dos preços e pela possibilidade de abater dívidas, obtendo descontos ao utilizar os recursos do FGTS e do PIS/Pasep”, arrematou. A CNC estima que os recursos combinados de FGTS e do PIS/Pasep gerem até R$ 7,4 bilhões em vendas para o varejo.







