Intenção de consumo em Manaus mantém estabilidade

Em: 4 de fevereiro de 2020
Janeiro é um mês em que o comércio varejista sobrevive basicamente da venda de material escolar
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Janeiro é um mês em que o comércio varejista sobrevive basicamente da venda de material escolar

Apesar da baixa confiança em relação ao mercado de trabalho e ao comportamento dos preços, detectada na mais recente sondagem do Ifpeam, as intenções de compras dos consumidores de Manaus se mantém em um patamar razoável, sendo lideradas por bens duráveis de consumo e dependentes de crédito.

Celulares (15,5%), artigos de informática (13%) e veículos (6,8%) despontam nas preferências das pessoas ouvidas pela entidade, em um mês tradicionalmente de baixa para o varejo local, em função das férias e do comprometimento da renda em pagamentos sazonais. Itens semiduráveis de uso pessoal, como vestuário (6,3%) e calçados (6%), figuram nas posições seguintes, seguidos pelas linhas de cine, foto e som (5,5%), de instrumentos musicais, CD, e fitas (5,3%), de artigos desportivos (0,8%) e de tecidos (0,8%).

Sem datas comemorativas e com muitas contas agendadas no calendário, janeiro – assim como fevereiro – é um mês em que o comércio varejista sobrevive basicamente da venda de material escolar. A boa notícia é que 87% dos entrevistados garantem que vão adquirir algum item do gênero. A má é que 92,5% estão pesquisando muito antes de abrir a carteira, e maioria da pequena faixa dos que já se decidiram pela compra (2,6%) vão seguir a lista de material das escolas.

A maioria dos consumidores manauenses ouvidos pelo Ifpeam (41,7%) avisa que só vai gastar de R$ 51 a R$ 100 com a compra de material escolar, o que aponta para um valor mediano de R$ 125 na capital. Na sequência, vêm aqueles que estão dispostos a desembolsar de R$ 101 a R$ 200 (37,1%), seguidos pelas faixas de consumo de R$ 201 a R$ 300 (16,1%), de R$ 401 a R$ 500 (3,7%), de R$ 701 a R$ 800 (0,9%) e de R$ 901 a R$ 1.000 (0,6%).

Crédito e locais

Apesar da tímida resposta bancária à contínua redução da taxa Selic, por parte do Copom (Comitê de Política Monetária), 54% dos consumidores manauenses declararam sua preferência por comprar com cartão de crédito. A modalidade de pagamento que conta com juros anuais de 293,9% a 318,3% para quem não paga o total da fatura, segundo o Banco Central. Os 46% restantes preferem pagar em dinheiro o debito, e nenhum dos entrevistados optou por crediário.

O estudo do Ifpeam também constatou a gradual mudança de hábitos do consumidor em termos de local para suas compras. O comércio local é a escolha de 40,5%, seguido pelo Centro (32%) e shoppings (27,5%). Os fatores preponderantes para as opções são preços (53,8%), promoções (48%), localização (38%), variedade de produtos (34%), climatização (220%), segurança (12,8%), variedade de lojas (4,5%) e estacionamento (3,5%).

Os consumidores que costumam comprar no Centro miram em preços (95,3%) e variedade de produtos (65,6%). Aqueles que preferem o comércio local têm em mente as promoções (93,2%) e a localização (92,6%). Já a clientela dos shoppings quer climatização (80%), preços (73,6%), variedade de produtos (47,3%), segurança (46,4%), estacionamento (12,7%) e variedade de lojas (11,8%).

Recuperação lenta

O assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) e coordenador da pesquisa, José Fernando Pereira da Silva, destaca que as intenções de compra dos consumidores correm em paralelo com uma percepção majoritária de que a economia amazonense seguirá igual no próximo semestre (56%) e que a situação familiar permaneceu inalterada (63%) nos últimos seis meses.

“A recuperação está vindo, mês a mês, mas em uma velocidade mais lenta do que esperado, o que influencia na piora da percepção do consumidor. Mas, é importante ressaltar que o Amazonas vem apresentando indicadores econômicos mais fortes do que a média nacional, inclusive com um saldo de empregos positivo no acumulado do ano. As medidas do governo estão tendo boa repercussão, e tudo aponta para uma melhora sustentada da economia em 2020 e nos próximos anos”, arrematou. 

A pesquisa do Ifpeam ouviu 400 consumidores da capital amazonense. A maioria (44,3%) ganha entre pouco mais de um, até dois salários mínimos (R$ 1.040 a R$ 2.078) por mês. Para 28,5%, a renda familiar mensal não supera a barreira de um mínimo (R$ 1.039,00), enquanto 0,3% dos entrevistados declararam receber renda mensal superior a quatro mínimos (R$ 4.157).

A maioria esmagadora (53,8%) é de assalariados com carteira assinada, seguidos pelos funcionários públicos (24,8%), trabalhadores autônomos (10,0%), aposentados ou pensionistas (0,3%) e assalariados sem carteira assinada (0,3%). Vale notar que uma faixa não inferior a 10,5% dos entrevistados encontrava-se desempregada no momento da pesquisa. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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