A divulgação de duas pesquisas de âmbito nacional sobre confiança do consumidor e intenção de consumo deixou as lideranças do comércio varejista do Amazonas dividida em relação a suas projeções para o comportamento da clientela local nos próximos meses.
A Intenção de Consumo das Famílias recuou pelo quarto mês seguido, na passagem de maio para junho, segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A pontuação de 91,3 pontos – em uma escala de zero a 200 pontos – corresponde a um tombo de 3,5% no período assinalado, embora esteja 5,3% acima da marca de junho de 2018.
O Índice de Confiança do Consumidor, por outro lado, subiu 1,9 ponto na mesma passagem de maio para junho, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas. A marca medida pela sondagem da FGV (Fundação Getúlio Vargas) foi de 88,5 pontos – novamente em uma escala de zero a 200 pontos –, um patamar baixo em termos históricos.
Todos sete componentes do levantamento da CNC sofreram retração mensal, principalmente a avaliação para compra de bens duráveis (-5,7%). Na pesquisa da FGV, praticamente todas as variáveis foram positivas, com exceção da satisfação dos consumidores em relação ao presente – que se manteve estável – e das avaliações sobre a situação financeira das famílias – que piorou 0,8 ponto percentual.
No texto divulgado pela CNC à imprensa, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que, diante do menor grau de confiança dos consumidores com relação à melhora da economia, às intenções de consumo podem vir a se refletir em menores vendas do comércio, mais para a frente”.
“Estima-se que o comércio tenda a sofrer oscilações no volume de vendas até o fim do ano, sendo afetado, sobremodo, pela cautela dos consumidores, uma vez que estes reconhecem que as condições de consumo se tornaram mais difíceis nos últimos meses”, declarou o dirigente.
Menos dinheiro
O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, concorda. O dirigente se diz pessimista em relação aos próximos meses, que não contarão com uma data comemorativa minimamente significativa para o setor, até o Dia dos Pais, em agosto. O panorama piora diante das incertezas das reformas da Previdência e Tributária – que pode prejudicar a ZFM.
“Estudos nossos já apontam para essa queda. Enquanto o governo não sinalizar com medidas para reduzir desemprego e destravar a economia, a situação vai ser essa. Além disso, o Festival de Parintins ajuda a aquecer as vendas no princípio, mas o consumo acaba caindo muito após o evento, já que as pessoas ficam com menos dinheiro”, salientou Azury, que prefere não mencionar números.
Consumidor cauteloso
O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, se diz mais otimista. O dirigente avalia que, após a euforia com o novo governo, no começo do ano, e o desencanto com a procrastinação das reformas, nos últimos meses, a situação deve se manter na mesma, no curto prazo.
“O consumidor está mais cauteloso diante das más notícias dos últimos meses. Creio que o consumo não deve cair no Amazonas, mas se estabilizar nos atuais patamares. O Banco Central sinaliza reduzir juros. O consumo depende também da geração de empregos, que ainda não aconteceu. Mas, o governo federal já se convenceu que tem que estimular a economia”, arrematou.







