Jornal do Commercio – A Reman é uma grande geradora de impostos para o Estado?
Augusto César de Carvalho – Em termos de arrecadação de tributos a refinaria responde por 25% da arrecadação do ICMS do Estado do Amazonas, o mesmo acontecendo no Pará. Isso significa que a produção da empresa representa um quarto do que é arrecadado. Em valores representa um montante superior a R$ 1 bilhão.
JC- Ter uma refinaria é um negócio lucrativo?
Carvalho – Com certeza, daí o motivo de o governo do Maranhão, do Ceará e de Pernambuco estarem brigando por isso. Trata-se de uma atividade econômica extremamente alavancada, não somente em nível de arrecadação, mas de geração de emprego e renda.
JC – Quantas refinarias existem no Brasil?
Carvalho – Tem uma refinaria no Norte, a Reman, enquanto as demais estão situadas no Sul, Sudeste e Nordeste. A refinaria de Manaus atende 45% da demanda enquanto os 55% restantes vêm basicamente de outras regiões do país, principalmente Salvador e São Paulo e alguma coisa do Rio de Janeiro.
JC – Qual o peso econômico da Reman em relação às demais?
Carvalho – É em torno de 3%, o que é uma parcela muito pequena em relação as grandes do país. São Paulo, por exemplo, tem quatro refinarias.
JC – A participação da Reman pode aumentar?
Carvalho – O mercado da região Norte é muito pequeno para uma logística extremamente complexa porque é feita por rios.
JC- A companhia tem dificuldade de logística?
Carvalho – Não mais porque já trabalha no mercado local há mais de 30 anos e já montou sua logística própria. A prova é que não há falta de produtos na região, apesar de todas as dificuldades, porque a Petrobras tem conhecimento suficiente de como fazer esse trabalho.
JC- Como está o projeto de querosene para aviação?
Carvalho – Está dentro do projeto de modernização da Reman, que é a construção de uma unidade que ficará pronta entre o fim de 2010 e início de 2011, visando produzir todo querosene de avião utilizado pelas aeronaves locais na Reman.
JC – Como está esta venda atualmente?
Carvalho – O querosene é vendido misturado com produtos que vêm de outras regiões brasileira e essa mistura faz com que ele fique bem, com a qualidade necessária dos aeroportos.
JC – Qual o investimento dessa unidade?
Carvalho – Da ordem de US$ 8 milhões e vai atender 100% do mercado local. A vantagem desse negócio é a economia de divisas, porque a Petrobras importa produtos de outros países para poder abastecer o mercado local. Se tudo for produzido aqui, vai economizar divisas.
JC – E o asfalto, a quantidade produzida atende a demanda local?
Carvalho – A quantidade aqui é sazonal, ou seja, a maior demanda ocorre no período de eleição, o que é uma realidade do Brasil, por se tratar de um produto que tem um reflexo social muito grande.
JC – Qual a capacidade de produção desse produto na Reman?
Carvalho – É de 12 mil toneladas por mês.
JC- Está produzindo quanto?
Carvalho – Em média 7 mil toneladas. Produzimos de acordo com a demanda do mercado.
JC – Quais os principais clientes?
Carvalho – São os distribuidores, como a Enasa, que vendem para órgãos como a Prefeitura de Manaus e o governo do Estado, os grandes consumidores. Algumas empresas particulares que querem fazer a pavimentação de suas áreas também compram esse produto dos distribuidoes. A Petrobras não vende direto ao consumidor final.
JC – Quais os tipos de óleos fabricados pela Reman?
Carvalho – Existe uma gama, como: para navios (panker), termelétricas, diesel somente para veículos, caminhonetes, caminhões e locomotivas. Do petróleo se tira o GLP, a gasolina, o querosene de aviação, o diesel e o combustível.
JC – Na cadeia do gasoduto, a Reman faz o quê?
Carvalho – Ela será uma consumidora do gás natural. Para isso, está se preparando e ao mesmo tempo esperando a adaptação que está sendo feita pela Petrobras em Urucu, em Coari.
JC – Qual o número de funcionários da refinaria?
Carvalho – A Reman trabalha com 338 funcionários próprios e cerca de 550 contratados, o que dá em média mil colaboradores entre diretos e indiretos, afora a cadeia criada por conta dos negócios gerados para indústrias, comércio, hóteis, área de saúde, etc. A cada emprego nosso são gerados três lá fora.
JC – A crise financeira gerou demissão na Reman?
Carvalho – Em linhas gerais, a Petrobras tem uma política de estabilidade de emprego. No caso do pessoal contratado, a empresa contrata serviço e não pessoas. Porém se aquele serviço deixa de ser prioritário corta o orçamento e evidentemente as pessoas que desempenham aquele serviço sairão.
JC – No atual cenário encerraram alguns serviços?
Carvalho – Sim, enquanto outros continuaram e alguns entraram. Logo, o número de pessoas é o mesmo do ano passado.
JC – Mesmo com a crise os investimentos continuam?
Carvalho – Em 2008, os investimentos somaram em torno de US$ 30 milhões, entre médio e grande portes, em áreas extremamente importantes como segurança, meio ambiente e saúde. Em 2009, serão US$ 65 milhões, sendo US$ 45 milhões de grande porte, e US$ 20 milhões para pequeno e médio porte.
JC – Quais benefícios sociais geram a Reman?
Carvalho – Temos uma série de programas sociais na cidade de Manaus. Alguns voltados para crianças de 7 a 10 anos, de complementação educacional, para crianças que durante a manhã estudam e à tarde praticam atividades extracurriculares como esportes. Outro programa de inserção social é voltado para moças e rapazes, visando dar oportunidade a esses jovens de participarem de danças típicas regionais para manter a tradição. São jovens que anteriormente viviam nas drogas, se prostituindo e que agora mudaram de vida, o que significa que já deu bastante resultado. O Plantando o Futuro, é outro projeto voltado para crianças que trabalham em hortas comunitárias. Eles obtêm orientação de como plantar de forma saudável. Temos também o de preservação do sauim, feito em parria com uma ONG que trabalham com a preservação desses animais.
JC – Qual o projeto feito com a PM?
Carvalho – Em parceria com a Polícia Militar patrocinamos o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência), para alunos do ensino fundamental das escolas públicas, municipais e estaduais em todo o Estado do Amazonas. Outro patrocinado pela empresa é o de Segurança da Navegação junto com a Capitania dos Portos. Esse projeto visa conscientizar os profissionais da navegação e passageiros no sentido de alavancarem nas questões de segurança dos rios da Amazônia.







