Investimentos atravessam período de recuperação, avalia Iedi

Em: 14 de setembro de 2010
A economia brasileira experimentou o melhor primeiro semestre da série iniciada em 2006, expansão de 8,9%
A economia brasileira experimentou o melhor primeiro semestre da série iniciada em 2006, expansão de 8,9%

A economia brasileira experimentou o melhor primeiro semestre da série iniciada em 2006, expansão de 8,9%. É certo que tal resultado se deve em certa medida à baixa base de comparação. Mas na comparação entre o segundo trimestre de 2010 e o primeiro (série dessazonalizada), o PIB continua crescendo, com taxa de 1,2%. Os números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) trazem outros dados relevantes.
O incremento de 1,2% no segundo trimestre do ano ficou aquém das variações registradas por essa base de comparação em trimestres anteriores: em janeiro-março, por exemplo, o produto crescera 2,7% frente a outubro-dezembro de 2009;
Todavia o acréscimo em abril-junho foi superior ao esperado ao se considerarem o fim de incentivos ligados às medidas anticíclicas para o enfrentamento da crise internacional e por abarcar o período da Copa;
Na comparação entre segundos trimestres de 2010 e 2009, o PIB a preços de mercado logrou ampliação de 8,8%;
Já no contraponto entre o acumulado dos últimos quatro trimestres e o acumulado dos quatro trimestres anteriores, a taxa de expansão atingiu 5,1%, sinalizando para um incremento do PIB, em 2010, maior do que se esperava no começo do ano.
De qualquer modo, os números apontam para a retomada, ainda que tenha havido um arrefecimento no segundo trimestre. Entretanto, o limite para tal processo expansivo pode chegar mais cedo, por conta da taxa de câmbio apreciada, dos entraves burocráticos que ainda caracterizam o País, a complexidade de seu sistema tributário e as questões de infraestrutura que podem se evidenciar ainda mais à medida que o produto agregado do País avance.
No caso do câmbio, apesar de as autoridades monetárias terem cessado a alta da taxa de juros básica da economia, a dificuldade dele decorrente reside nas exportações de produtos de maior valor agregado, bem como dos riscos de menor agregação de valor em solo brasileiro por unidade produzida. O enfrentamento dessas dificuldades envolve tanto esforços estruturais – por exemplo, provisão de mão de obra qualificada – quanto de gestão macroeconômico, como o rebatimento das elevadas taxas de juros do Brasil sobre a taxa de câmbio.

Crise internacional

O primeiro semestre também traz o investimento fixo se sobressaindo, talvez retomando o dinamismo que se configurava antes da crise internacional. Por outro lado, também as importações e as exportações de bens e serviços voltaram a se deteriorar, processo que já se apresentava antes da crise internacional, mas que, agora, traz consigo novos contornos em virtude da cena internacional.
Na comparação entre trimestre e trimestre imediatamente anterior, o consumo das famílias cresceu 0,8%, enquanto o consumo do governo se ampliou em 2,1%, o que guarda relação com o período eleitoral. A FBCF (formação bruta de capital fixo), a seu turno, cresceu 2,4%, registrando arrefecimento em relação ao primeiro trimestre do ano, quando crescera 7,3%. Quanto às exportações de bens e serviços, tiveram expansão de 1,0%. O contraste é principalmente com as importações, que registraram taxa de 4,4%, refletindo a deterioração das transações internacionais de bens e serviços.
Voltando-se para o contraponto entre os segundos trimestres de 2010 e de 2009, o padrão se assemelha com o da base de comparação acima. O consumo das famílias e o do governo lograram taxas de 6,7% e 5,1%, respectivamente. Novamente a FBCF se destaca, com expansão de 26,5%. Já as exportações cresceram 7,3%, pouco ao se considerar o incremento de 38,8% das importações.
No acumulado do ano, o incremento de 8,9% do PIB foi capitaneado, sobretudo, pela FBCF, cuja expansão atingiu 26,2%. O consumo privado, por sua vez, registrou taxa de 8,0%, enquanto o consumo do governo, de 3,6%. As exportações lograram variação de 10,5%, mas bem aquém do aumento de 39,2% das importações de bens e serviços.
No acumulado de quatro trimestres, o PIB continua ascendente com taxa de 5,1% no segundo trimestre. No trimestre anterior, a taxa atingira 2,4%. Dos componentes do PIB pela ótica da demanda, o investimento fixo novamente liderou a retomada (8,9%). Quando ao consumo das famílias e ao consumo do governo, atingiram taxas de 6,9% e de 3,4%, respectivamente. As exportações cresceram apenas 0,7%, porém já se recuperando da taxa negativa observada no primeiro trimestre do ano pela mesma base de comparação. De qualquer modo, as importações cresceram 12,7%, bem mais que as exportações.
O bom desempenho das inversões também transparece nas taxas de investimento fixo. Medida a partir de valores correntes, a FBCF sofreu discreto recuo no segundo trimestre deste ano, ficando em 17,9% do PIB. Embora denote uma boa recuperação frente aos impactos da crise, ainda está bem aquém da taxa de FBCF lograda no terceiro trimestre de 2008, de 20,1% do PIB. Já, medindo-se por valores de 2006, sofreu ligeiro acréscimo de 0,1%, situando-se em 17,0% do PIB, também contrastando com a taxa de 18,4% lograda em julho-setembro de 2008.
Registre-se ainda que, em apresentação feita em agosto, o Ministro da Fazenda divulgou projeções do Ministério da Fazenda, pelas quais o PIB cresceria 7,0% em 2010, sendo capitaneado pelos investimentos fixos, com projeção de elevação de 22,1%. Para o consumo das famílias, a expansão projetada é de 6,9%, enquanto a do consumo do governo, de 2,8%. Quanto aos fluxos de bens e serviços, o Ministério da Fazenda projetou acréscimo de 7,7% em claro contraste com o aumento das importações, de 30,5%. Ressalte-se o fato de essas projeções terem sido feitas antes do anúncio dos números do primeiro semestre do ano pelo IBGE.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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