A Lages Logística S/A, joint venture responsável pela construção do Porto de Lages no Puraquequara, na zona leste da cidade, começa a assinar os contratos para elaboração do projeto básico de engenharia da estrutura nesta semana. Os trabalhos de topografia, sondagem e batimetria estão incluídos nesta etapa inicial.
A expectativa da diretoria da empresa é que, na fase de construção, o porto reúna pelo menos mil trabalhadores em seu canteiro de obras. Espera-se também que, assim que comece a operar, a nova estrutura portuária gere no mínimo 120 empregos diretos.
Com 600 mil metros quadrados de terreno, 142 mil metros quadrados de área construída e capacidade para movimentar 250 mil contêineres por ano, o Porto de Lages vai priorizar o transporte de cargas do PIM (Pólo Industrial de Manaus) e do comércio local, passando a concorrer com os portos privatizados do Chibatão, Passarão e Centro –o antigo roadway.
O investimento total é de R$ 210 milhões. Inclui o terreno (R$ 60 milhões), situado no Lago do Aleixo, próximo ao Encontro das Águas, e a compra de equipamentos, construção de armazéns e a parte náutica (R$ 160 milhões). A diretoria da joint venture prefere não divulgar números, mas garante que a expectativa de retorno é de longo prazo.
“A empresa aposta no Amazonas. A idéia é trazer para Manaus um serviço que possa agregar valor aos produtos da região. Nos últimos anos, a cabotagem vem crescendo sensivelmente no Brasil, assim como a indústria do pólo, e a demanda para serviços logísticos para tratamento de carga acompanha essa tendência”, declarou o diretor da Lages Logística S/A, Sergio Gabizo.
“O PIM está localizado no centro geográfico da Amazônia, que não dispõe de uma infra-estrutura terrestre eficiente. Os dois principais segmentos industriais, duas rodas e eletroeletrônicos, são grandes demandantes de cargas. A solução para evitar que o sistema logístico da cidade chegue a um esgotamento é impulsionar a navegação, dotando-a das instalações necessárias”, analisou o também diretor da empresa, Laurits Hansen.
Sinaees aponta redução de custos
Para os empresários locais, a iniciativa é positiva porque torna os manufaturados da ZFM (Zona Franca de Manaus) mais competitivos. “Toda melhoria logística é bem vinda. Esperamos que o crescimento da oferta de serviços nos possibilite reduzir custos e oferecer produtos mais baratos”, justificou o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
A redução nas distâncias para translado de cargas entre o Distrito Industrial e as vias fluviais da cidade é outro aspecto considerado vantajoso pelo setor. O novo porto ficará a 4,5 km das fábricas do Distrito, evitando a perda de tempo por congestionamentos. Hoje, os produtos do pólo têm de percorrer uma distancia de 15 km, em media, até os portos do Passarão e Chibatão, atravessando a zona sul da cidade, uma área densamente populosa.
A empreitada encontra-se na fase de obtenção de licenças junto aos órgãos federais, estaduais e municipais. A meta é começar as obras em agosto, no começo do verão, e concluir os trabalhos em 2010. “A dificuldade para honrar o prazo é equilibrar as limitações impostas pelo regime de chuvas da região e o tempo demandado pela burocracia administrativa”, lamentou Gabizo.
Perfil
empresarial
A organização responsável pelo projeto surgiu da associação entre a Juma Participações (30% do capital) e a Log-In Logística (70%). A Juma Participações S/A atua há mais de 40 anos na região e hoje detém 25% de participação do Grupo Simões –que trabalha nos segmentos de bebidas, gás carbônico e venda de veículos. A Log-In é uma empresa de capital aberto, com atuação em logística – principalmente portos e navegação de cabotagem. Para isso, dispõe de cinco navios, adquiriu duas embarcações e encomendou outras cinco.
Laurits Hansen contou como surgiu a associação entre as duas empresas. “Décadas atrás, o patrono da firm






