A exemplo das temakerias e paleterias que são segmentos da gastronomia que trouxeram novidades a Manaus, a febre de hambúrgueres artesanais tem se mostrado cada vez mais comum dentro do mercado. E na mesma medida da sua ascensão, a sua repentina queda dentro do sistema de consumo tem feito muitos empresários que fizeram grandes investimentos desistirem do negócio.
Segundo o diretor da Targo Consultoria, Carlos Oshiro, um dos grandes fatores para a constante queda do setor é o fato de ele atingir apenas o público de jovens e adolescentes. Por ser uma onda e moda, muitos dos produtos possuem preços que não cabem no bolso do consumidor.
“Isso ocorre porque eles atingem apenas o jovem e adolescente. Geralmente essa fatia de consumidor não tem recursos para consumir de forma constante esses produtos que custam caro. Normalmente eles pegam os hambúrgueres de trailers mais baratos e tradicionais na nossa cidade. Então, essa faixa etária com pouco dinheiro e os de idade avançada que acabam não comendo o sanduíche por causa do estigma de saúde e detecta-se o grande problema”, disse.
De acordo com o especialista, esse segmento não se encaixa no conceito de bolha de negócio, sendo mais uma nova onda ou modismo. O consultor afirmou ainda, que é necessário mais opção para atender o público e aumentar o faturamento. A cultura amazonense está muito acostumado a a comprar sanduíches mais baratos.
Mantendo o padrão
Para a nutricionista e especialista em segurança alimentar, Liete Lima, outro fator que impede as hamburguerias de não se manterem no mercado é a manutenção do padrão alimentar de seus produtos. Muitas delas, por falta de acompanhamento ou estudo técnico, não utilizam as fichas técnicas para desenvolver da melhor forma o sanduíche.
“É importante manter o padrão de qualidade e seguir uma ficha técnica onde a pessoa que trabalhe na área consiga desenvolver o produto. Tem que agregar valor ao produto. Às vezes os sanduíches deixam muito a desejar no padrão de qualidade. As pessoas ainda preferem o famoso X-Salada e X-Bacon por conta do valor mais acessível. Vale ressaltar que a média do preço dos hambúrgueres gourmet é de R$ 24 para cima. Enquanto você encontra em lanches famosos como McDonald’s ou Burger King combos desse valor, com refrigerante e batata frita”, disse ela.
Há dois anos atuando dentro dos serviços de hamburgueria, o empresário, Júlio Almeida, conta que o mais importante que ganhar dinheiro em cima do segmento é necessário fazer com amor e dedicação. Ele explica que não se preocupa com a concorrência de outras hamburguerias e foca apenas em inovar e fidelizar seus clientes com qualidade nos hambúrgueres e preço acessível para o bolso do consumidor.
“Estou há dois anos no mercado um dos primeiros da zona leste, com hambúrguer artesanal. E procuro manter o preço baixo em relação às outras hamburgueria. Busquei atender em uma boa localização com um ambiente bem caipira de música country. Eu sou muito apaixonado por hambúrguer e aprendi a fazer o artesanato e busco fazer com amor e qualidade diferenciada. A concorrência é consequência do negócio, o segredo é trabalhar e sempre buscar inovar”, disse.
Outro grande fenômeno que atingiu o consumidor amazonense e que tem tentado sobreviver dentro do ramo de gastronomia, são os carros adaptados para servir comida, os famosos food trucks. Bastante comum nos Estados Unidos, o modelo veio trazer uma proposta inovadora de praticidade alimentícios. O segmento que teve seu início em 2014, atualmente vem enfrentando uma grande baixa de procura.
Causas que impedem o crescimento do setor
Para o economista, Felipe Talhari, isso é causado pela falta de estudo de mercado por muitos empresários, que não investem tempo para analisar as demandas, os preços e o conhecimento do seu produto, acabam investindo seu recurso sem um certo norteamento daquilo que buscam alcançar. “Muitas empresas caem por não terem um estudo ou projeto de negócio para nortear o rumo do empreendimento. Percebe-se que não há um estudo de mercado para ver a aceitação do produto. Não buscam informação”, disse Talhari.
A falta de conhecimento do mercado e a ausência de técnicas de administração, como preços elevados e ânsia de ver o retorno financeiro de imediato, são outros pontos que prejudicam o crescimento do Food Trucks. Com essa ausência surgem diversas empresas com os mesmos serviços e produtos.
“Vai sobreviver quem souber administrar o negócio. Não pode cobrar muito caro e nem muito barato. Tem que saber administrar.
Tem que ter estratégia de preço, tem que ter novidade. Com tudo isso, a tendência é aumentar a quantidade de serviços de food truck, mas, consequentemente diminuir a qualidade dos serviços, isso tem levado a baixa procura desses serviços. Outro ponto impactante é que as pessoas tem o capital para abrir o negócio, mas não tem o capital para manter o negócio. O empreendimento tem um custo e é preciso manter isso”, explicou.
Talhari reforça que para o negócio se sustentar não basta ter um produto, tem que ter um diferencial. Além de um bom capital de giro para manter o andamento dos serviços e melhorar a sua qualidade.
“Sempre haverá várias empresas, mas, nem sempre o produto vai vingar. As pessoas precisam inovar o cardápio se não a tendência é as pessoas não procurarem mais. Se o empreendimento é novo e está em crescimento, haverá o período que será necessário o consumidor conhecer a marca e o produto.







