O que fazer quando a onda não se sustenta?

Em: 1 de dezembro de 2017

O modismo também atinge o empreendedorismo e com isso surgem diversos modelos de negócios com lucro certo, porém passageiro. O termo que descreve bem essa rotatividade é chamado de ‘bolha de negócio’, já que uma bolha costuma crescer e expandir, mas também corre o risco de simplesmente estourar a qualquer momento. Bons exemplos dessa febre instantânea são os food trucks e paleterias que aos montes tomaram ruas e esquinas de grandes cidades. No entanto, muitas dessas empresas acabaram fechando as portas pouco tempo depois.

Para especialistas, o fenômeno é resultado direto da saturação do produto ou serviço no mercado e falta de preparo de alguns empreendedores. “Quando esses modelos viram nicho de mercado produzem uma grande onda que pode resultar em uma ‘bolha’ porque com o tempo a oferta fica maior que a demanda, ou seja, muitas empresas acabam oferecendo o mesmo produto que deixou de ser novidade”, analisa o consultor Marcus Evangelista.

Segundo ele, após o atrativo inicial muitos negócios perdem movimentação de clientes e consequentemente fecham as portas. Dentre as principais características para identificar um negócio com tempo determinado de existência estão: a promessa de oportunidade com baixo investimento, ganhos altos e imediatos além de ser um modelo ‘facilmente’ copiável. “Muitos empreendedores acabam atraídos por isso e acreditam estar no caminho certo, mas esquecem de analisar a curva de vendas e a capacidade de gerar fluxo de caixa constante desses modelos, uma vez que a demanda do momento passa”, frisa o especialista.

Na avaliação do economista Erivaldo Lopes do Vale, essa rotatividade de negócios é uma tendência mundial como resultado da vocação humana em empreender. “Isso sempre existiu devido a constante busca de alternativas para sobrepor sua necessidade através da criatividade”, conta. Ele reforça que o efeito manada esbarra no fator temporário e na disposição em manter a atratividade.

“É importante lembrar que nem sempre o fracasso é culpa de quem investe, pois a base do sucesso também depende da o interesse da sociedade naquele produto”, afirma Vale. Segundo o economista, os micro e pequenos empreendedores são a maior fatia de investidores mesmo sem incentivo e ajuda do governo. “Acaba sendo uma briga isolada entre o mercado e o eles”, disse.

Como fugir das bolhas
Para quem quer fugir dos maus investimentos, Evangelista orienta antes de tudo estudar o ambiente de mercado, investir num planejamento estratégico e controles gerenciais. “O principal é trazer equilíbrio e apostar em inovações constantes dos produtos ou serviços oferecidos pela empresa”, destaca Marcus Evangelista.

Já na leitura de Erivaldo do Vale, outra dica é não investir todo o seu capital no novo negócio. “Por isso tem que ver os riscos antes de entrar e jamais utilizar todo o recurso de cara, invista de 20% a 30% e guarde o resto por segurança”, recomenda. Além disso, vale ainda investir em qualificação profissional e ter a consciência que atividade não durará para sempre.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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