O Banco Itaú registrou lucro líquido de R$ 6,44 bilhões entre janeiro e setembro deste ano e bateu, com folga, seu arqui-rival Bradesco. O resultado é 113% superior ao apurado em igual período de 2006, quando a instituição ganhou R$ 3,03 bilhões. Segundo a empresa de informações financeiras Economática, trata-se do maior lucro entre os bancos de capital aberto em 20 anos. O ganho da instituição nos nove meses foi superior ao resultado de Bradesco, Banco do Brasil e Unibanco durante todo o ano de 2006.
O diretor de Controladoria do Itaú, Silvio de Carvalho, explicou que parte dos ganhos expressivos do banco no período pode ser atribuída a receitas extraordinárias, como a venda de participações na Redecard e Serasa, além da alienação da antiga sede do BankBoston. Tudo isso proporcionou receita de R$ 1,58 bilhão.
Outra explicação para o avanço de 113% no lucro é que em 2006 a instituição havia registrado amortização integral do ágio na compra do BankBoston, o que provocou queda de 20,8% no resultado.
Os ganhos extraordinários deste ano também conseguiram compensar as perdas do banco com tesouraria, no valor de R$ 64 milhões no terceiro trimestre. De acordo com Carvalho, o prejuízo foi causado pela instabilidade do mercado financeiro entre julho e agosto devido à crise nos Estados Unidos com as hipotecas de alto risco. “O resultado de tesouraria é volátil. Ganhamos muito dinheiro no primeiro semestre e perdemos um pouco agora.”
O retorno sobre o patrimônio líquido da instituição subiu de 22 6% para 33,3%. O índice de eficiência também apresentou melhora no período: 45,6% ante 47,5% de igual período do ano passado. Nesse caso, quanto menor o índice melhor é a eficiência da instituição.
Contribuição definitiva
Além dos fatores extraordinários, a carteira de crédito teve participação importante no resultado do banco. Cresceu 26,9% no período de 12 meses e atingiu R$ 114,07 bilhões. Deste valor, as operações voltadas para pessoa física responderam por R$ 49 bilhões. O destaque ficou com o financiamento de veículos, cujo crescimento atingiu 62% no período. “A carteira de veículos é hoje a que tem maior propensão a crescer”, disse o executivo.
O portfólio de pessoa jurídica avançou 11%, influenciada especialmente pela demanda das micro, pequenas e médias empresas que cresceu 26,4%. Diante do desempenho geral da carteira, o Itaú elevou a projeção para o crescimento do crédito neste ano. Carvalho afirmou que agora o banco espera expansão entre 25% e 30%. A estimativa anterior era entre 20% e 25%.
Outra boa notícia, comemorou o executivo, foi o recuo no índice de inadimplência. Nas operações para pessoa física, os atrasos acima de 60 dias caíram de 8,6% em setembro de 2006 para 4,7% neste ano. Entre os clientes pessoa jurídica, o índice recuou de 2,1% para 1,7%.






