Itautinga espera repetir 2008

Em: 8 de setembro de 2015
Impulsionada pelo boom da construção civil de 2008, a empresa ampliou suas vendas em 18% de janeiro a dezembro do ano passado
Impulsionada pelo boom da construção civil de 2008, a empresa ampliou suas vendas em 18% de janeiro a dezembro do ano passado

A crise demorou a alcan­çar a unidade local da Itautinga Agroindustrial S/A, mas finalmente chegou. Por conta disso, a companhia – que fabrica o cimento Nassau e é única em seu segmento a operar no PIM (Pólo Industrial de Manaus) – não espera crescimento de vendas para sua planta em 2009.
Impulsionada pelo boom da construção civil de 2008, a empresa ampliou suas vendas em 18% de janeiro a dezembro do ano passado. No período, utilizou o equivalente a 80% de sua capacidade de produção (19.000.000 sacos de 50kg) para atender à crescente demanda do setor, que tem no cimento um de seus principais insumos.
O Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) informa que o setor cresceu 22% no ano passado, puxado principalmente pelo segmento imobiliário. A entidade, no entanto, ainda não dispõe dos dados de mercado referentes aos dois primeiros meses de 2009, pois só deve fechar suas estatísticas ao fim do trimestre.
O Snic (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) destaca, por outro lado, que as vendas de cimento no mercado doméstico sofreram retração de 1,7% na comparação de janeiro de 2009 com igual período do ano passado. Quando se leva em conta o volume comercializado para o estrangeiro, a diferença aumenta para 2,5%.
De olho na evolução do mercado e seguindo a orientação adotada por grande parte das indústrias do pólo a partir do último trimestre de 2008, a Itautinga preferiu interromper as contratações. Os quadros da firma contam hoje com 935 trabalhadores efetivos, mesmo contingente registrado em fevereiro de 2008.
“As vendas da Itautinga vêm crescendo há anos. A crise, que começou a se manifestar a partir de outubro de 2008 não chegou a afetar com intensidade o mercado de cimento da região. Para 2009, não estamos considerando crescimento do mercado, exatamente em função da crise que já começou a ser sentida”, lamentou o diretor executivo da Itautinga Agro Industrial S/A, Marcílio Jacques Brotherhood.

Competitividade

A boa notícia é que, diferente do que ocorreu em grande parte dos segmentos e empresas do PIM, a escalada do câmbio não afetou a empresa, que não tem compromissos em moedas estrangeiras. O Banco Central informa que, de 1º de agosto de 2008 a 1º de fevereiro, a moeda americana saltou 50% – de R$ 1,56 para R$ 2,34 –, tendo oscilado em torno de R$ 2,20 ao longo do mês.
Se a mudança de sinal no sinal de câmbio não atrapalhou os negócios da Itautinga, também não ajudou. Embora a valorização do dólar aumente a competitividade do produto nacional, ao torna-lo mais barato e atraente no mercado estrangeiro, as exportações da firma ainda são tímidas e se limitam à Colômbia e à Bolívia.
Dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que o Amazonas teve queda de 54,91% nas vendas externas de cimento para construção civil no ano passado. Na comparação com 2007, o volume de produção direcionado ao estrangeiro foi reduzido de 17.340 (2007) para 7.818 (2008) toneladas métricas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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