A crise demorou a alcançar a unidade local da Itautinga Agroindustrial S/A, mas finalmente chegou. Por conta disso, a companhia – que fabrica o cimento Nassau e é única em seu segmento a operar no PIM (Pólo Industrial de Manaus) – não espera crescimento de vendas para sua planta em 2009.
Impulsionada pelo boom da construção civil de 2008, a empresa ampliou suas vendas em 18% de janeiro a dezembro do ano passado. No período, utilizou o equivalente a 80% de sua capacidade de produção (19.000.000 sacos de 50kg) para atender à crescente demanda do setor, que tem no cimento um de seus principais insumos.
O Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) informa que o setor cresceu 22% no ano passado, puxado principalmente pelo segmento imobiliário. A entidade, no entanto, ainda não dispõe dos dados de mercado referentes aos dois primeiros meses de 2009, pois só deve fechar suas estatísticas ao fim do trimestre.
O Snic (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) destaca, por outro lado, que as vendas de cimento no mercado doméstico sofreram retração de 1,7% na comparação de janeiro de 2009 com igual período do ano passado. Quando se leva em conta o volume comercializado para o estrangeiro, a diferença aumenta para 2,5%.
De olho na evolução do mercado e seguindo a orientação adotada por grande parte das indústrias do pólo a partir do último trimestre de 2008, a Itautinga preferiu interromper as contratações. Os quadros da firma contam hoje com 935 trabalhadores efetivos, mesmo contingente registrado em fevereiro de 2008.
“As vendas da Itautinga vêm crescendo há anos. A crise, que começou a se manifestar a partir de outubro de 2008 não chegou a afetar com intensidade o mercado de cimento da região. Para 2009, não estamos considerando crescimento do mercado, exatamente em função da crise que já começou a ser sentida”, lamentou o diretor executivo da Itautinga Agro Industrial S/A, Marcílio Jacques Brotherhood.
Competitividade
A boa notícia é que, diferente do que ocorreu em grande parte dos segmentos e empresas do PIM, a escalada do câmbio não afetou a empresa, que não tem compromissos em moedas estrangeiras. O Banco Central informa que, de 1º de agosto de 2008 a 1º de fevereiro, a moeda americana saltou 50% – de R$ 1,56 para R$ 2,34 –, tendo oscilado em torno de R$ 2,20 ao longo do mês.
Se a mudança de sinal no sinal de câmbio não atrapalhou os negócios da Itautinga, também não ajudou. Embora a valorização do dólar aumente a competitividade do produto nacional, ao torna-lo mais barato e atraente no mercado estrangeiro, as exportações da firma ainda são tímidas e se limitam à Colômbia e à Bolívia.
Dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que o Amazonas teve queda de 54,91% nas vendas externas de cimento para construção civil no ano passado. Na comparação com 2007, o volume de produção direcionado ao estrangeiro foi reduzido de 17.340 (2007) para 7.818 (2008) toneladas métricas.







