O senador Jefferson Peres disse que não pode ser chantageado porque mantém a ética como princípio de vida. “Canalhas de todos os matizes: eu não sou como vocês. Ética para mim não é pose, não é bandeira eleitoral, não é construção artificial de imagem para uso externo. Ética para mim é compromisso de vida. Agir eticamente para mim é tão natural quanto o ato de respirar”, afirmou.
Peres desafiou seus inimigos a revelarem supostas fotos suas com amantes, que teriam sido tiradas sem o seu conhecimento. O senador também negou acusações de que manteria sua mulher empregada no Senado, sem concurso público.
“Se alguém mandou me seguir, me fotografou em companhia de amantes, mande as fotografias, estou pedindo. Quem é que pode me chantagear? Eu não sou chantageável. Minha mulher nunca foi funcionária do Senado Federal, nem do meu nem de qualquer gabinete”.
O senador evitou especular sobre os autores do dossiê. Peres disse que as suspeitas “óbvias” apontariam o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) como o responsável pelas denúncias -já que o pedetista é relator da terceira representação contra o presidente licenciado do Senado no Conselho de Ética.
Ele, porém, divulgou carta de Renan, recebida na manhã de ontem, na qual o peemedebista elogia sua conduta. “As primeiras suspeitas poderiam apontar para o senador Renan Calheiros, que me enviou carta ontem de manhã, cujo trecho leio agora: ‘a trajetória de vida do senador Peres é coerência de vida política, lisura e honradez que merece o respeito de todos os brasileiros. Receba meu sincero abraço, senador Renan Calheiros’.”
Segundo Peres, como o dossiê foi elaborado no Amazonas, deve ser instrumento utilizado por inimigos políticos no Estado.
“Não descarto terem sido pessoas do Amazonas. Talvez, eu tenha no máximo cinco dedos da mão de pessoas inimigas. Mas tenho milhares de inimigos rancorosos. Todos os canalhas são desinibidos. Nada incomoda mais um canalha que uma pessoa de bem”.
Federal deve investigar
De acordo com Péres, fere a alto estima do canalha saber que há pessoas honestas.
Peres pediu ao presidente interino do Senado, Tião Vi-ana (PT-AC), que autorize a Corregedoria da Casa a investigar o dossiê. O senador também cobrou investigações da Polícia Federal sobre as acusações. “Afinal de contas, é uma peça de calúnia e difamação contra um membro desse Senado”, argumentou.
No dossiê, encaminhado a alguns senadores, um DVD reúne informações com as denúncias que ligariam Peres a irregularidades na Companhia Siderúrgica da Amazônia.
O senador disse que chegou a ser arrolado como testemunha em uma investigação, na década de 70, sobre supostas irregularidades na empresa. Mas descartou qualquer envolvimento na operação. “Arrolado é uma coisa, indiciado é outra. O inquérito foi realizado pela Polícia Federal. O que há contra mim não é um dossiê, mas notícias difamatórias”, afirmou.







