Lavareda vê Flávio Bolsonaro como favorito vulnerável em um dos 2º turnos mais apertados desde 1989

Em: 20 de outubro de 2026

O cientista político Antonio Lavareda avaliou, em reunião do Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) realizada na segunda-feira (19), a seis dias do segundo turno, que a disputa de 25 de outubro se tornou mais competitiva e que o senador Flávio Bolsonaro (PL) continua favorito, mas vulnerável diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A análise se apoia em pesquisa Ipespe/Abrapel segundo a qual a diferença entre os dois candidatos caiu de 5 para 2 pontos em votos totais: Flávio Bolsonaro tinha 49% e Lula, 44%, na rodada de 6 a 8 de outubro, e os números passaram para 48% e 46% na de 13 a 15. Em votos válidos, a diferença passou de 5,4 para 2,4 pontos.

A diferença na série histórica

Na série das nove eleições presidenciais desde 1989 apresentada por Lavareda, a vantagem do vencedor sobre o segundo colocado, calculada sobre os votos válidos do turno decisivo com dados do TSE, variou de 2 a 27 pontos. As menores foram as de 2022, com 2 pontos, e de 2014, com 3. A diferença de 2,4 pontos nos votos válidos da pesquisa Ipespe/Abrapel de 13 a 15 de outubro situa-se nesse patamar, embora intenção de voto e resultado final não sejam diretamente comparáveis.

Alfredo Cotait Neto, Rogério Amato, Marcos Nascimento e Antonio Lavareda | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Alfredo Cotait Neto, Rogério Amato, Marcos Nascimento e Antonio Lavareda | Foto: Edu Guimarães / ACSP

Na própria apresentação há a ressalva de que o cálculo em votos válidos, de 52,7% para Flávio Bolsonaro e 47,3% para Lula na rodada de 6 a 8 de outubro e de 51,2% e 48,8% na de 13 a 15, é um exercício arbitrário, porque os indecisos não necessariamente têm opiniões iguais às dos decididos. Na pesquisa espontânea, a distância foi de 5 para 3 pontos, com Flávio Bolsonaro em 48% e Lula em 43%, e depois em 47% e 44%.

Economia

Lavareda apontou a economia como fator central na avaliação do governo Lula. A percepção dos eleitores sobre o tema tem dois retratos distintos: na rodada de 13 a 15 de outubro, 53% dos entrevistados avaliaram a situação econômica do Brasil como ruim ou péssima, contra 19% como ótima ou boa, saldo de menos 34 pontos.

Ao avaliar a própria situação econômica e a da família, porém, 41% a classificaram como ótima ou boa e 13% como ruim ou péssima, saldo de mais 28. O resultado mostra que o eleitor julga a economia do país de forma mais severa do que a da própria vida.

No encontro

Alfredo Cotait Neto, Rogério Amato, Marcos Nascimento, Antonio Lavareda e Heráclito Fortes | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Alfredo Cotait Neto, Rogério Amato, Marcos Nascimento, Antonio Lavareda e Heráclito Fortes | Foto: Edu Guimarães / ACSP

O presidente da ACSP e da CACB, Alfredo Cotait Neto, defendeu o voto distrital como ponto de partida de uma reforma cívica e criticou a aprovação da escala 6×1 sem debate adequado. Um dos conselheiros criticou o que descreveu como um pacote de R$ 300 bilhões em benefícios apresentado durante a campanha e questionou o custo da reeleição para o país, em especial para a competitividade da indústria.

Outros participantes, entre eles Paulo Delgado e Moreira Franco, manifestaram preocupação com o esgotamento da Nova República, o desgaste das instituições e a falta de um projeto de nação claro Também foi avaliado que o debate televisivo mais recente foi mais um espetáculo de rejeição do que de apresentação de propostas.

O texto em análise na Câmara dos Deputados sobre o voto distrital é o PL 9.212/2017, que propõe o modelo misto para a eleição de deputados e vereadores. A proposta foi apresentada pelo então senador José Serra, aprovada pelo Senado em 2017 e tem como relator o deputado Domingos Neto (PSD-CE). Se for votada neste ano, a mudança só valeria a partir das eleições de 2030.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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