No próximo dia 27 de outubro, o Bairro da Paz completará 40 anos de existência e há cerca de um ano e meio ganhou um presente que, desde então, vem sendo montado por partes: o Centro Poliesportivo Professora Kátia Magalhães, um imenso terreno de 83 x 153 metros, que por cerca de 25 anos foi um depósito de carros apreendidos pela Manaustrans.
“O terreno foi adquirido pela prefeitura há mais de duas décadas numa época em que as kombis lotação invadiram as ruas da zona leste. Os donos de empresas de ônibus reclamaram da concorrência desleal e as kombis começaram a ser apreendidas. Foram tantas que se tornou necessário a prefeitura comprar esse gigantesco terreno para acomodá-las”, lembrou Luiz Carlos, líder comunitário do bairro praticamente desde a sua fundação.
“Com o tempo, além das kombis, começaram a ser trazidos para o ‘curral’ ônibus clandestinos, caminhões, motos e todo tipo de veículo irregular apreendido pela polícia. Parece inacreditável, mas todo esse terreno ficou tomado por veículos que, quando começaram a envelhecer, passaram a se tornar um problema para os moradores do entorno do terreno, pois virou lugar de reunião de marginais”, contou.
“Iniciaram ali as minhas solicitações para tornar o espaço uma área de lazer para os moradores. Cada vez que eu participava de algum evento onde o prefeito estava (Alfredo Nascimento, Serafim Corrêa, Amazonino Mendes e Arthur Neto), solicitava o terreno. O problema é que a prefeitura não tinha outro terreno nas mesmas dimensões para realocar os veículos e assim os anos foram passando. Infelizmente a solução só veio depois de uma tragédia”, lamentou.
“Há uns oito anos, uma adolescente que morava numa casa próxima ao ‘curral’, morreu de dengue hemorrágica e foi comprovado que o foco da doença estava entre os veículos velhos e abandonados. Foi acionado o sinal vermelho para desativar o espaço”, falou.
Homenagem à Kátia Magalhães
Uma medida simples foi tomada pela prefeitura. Um leilão dos veículos foi autorizado e, de imediato, a grande maioria deles foi arrematada sendo retirada do terreno.
“Só ficaram alguns poucos, bastante velhos, que não interessou a nenhum dos compradores. Há menos de dois anos, num encontro com o prefeito Arthur Neto, mais uma vez eu solicitei o terreno para a comunidade do Bairro da Paz e finalmente ele autorizou a liberação. Desde então comecei a trabalhar para transformá-lo num espaço de lazer para os moradores, e tinha que ser assim porque lutei tanto exatamente para esse fim”, disse.
O terreno é inteiramente murado, com cerca de um terço da área na altura da rua da entrada e os dois terços restantes numa parte mais baixa. O nome do incipiente Centro Poliesportivo Professora Kátia Magalhães é uma homenagem à esposa de Luiz, falecida em 2014. Kátia Magalhães atuou no magistério por 20 anos. Havia uma pequena estrutura construída na parte alta do terreno, mas Luiz mandou derrubar porque estava sendo utilizada por usuários de drogas. Uma piscina, construída para o lazer de final de semana dos funcionários que trabalhavam no ‘curral’, foi limpa e, há duas semanas, foi liberada para uso.
“Os carros velhos que ainda restavam, eu negociei com areia agora disposta nas duas quadras de vôlei e futevôlei. Também delimitei e mandei colocar as traves no campo de futebol. O Centro Poliesportivo começa a receber pessoas a partir das 16h e segue por boa parte da noite, principalmente jovens, que vêm praticar esportes. Hoje ninguém mais usa drogas aqui dentro, e todos os frequentadores sabem disso”, comemorou.
Atrás de patrocinadores
O Centro Poliesportivo está de portões abertos diariamente e os próprios moradores são responsáveis por mantê-lo.
“Eu faço questão de mostrar isso a eles. Eu sou apenas o responsável, mas todos os que o utilizam devem se preocupar em mantê-lo, porque é deles”, ensinou.
Às terças e quintas-feiras acontece a escolinha de futebol reunindo cerca de 80 crianças. Periodicamente policiais militares vão até o local fazer palestras principalmente sobre drogas. Todas as noites, nas quadras, acontecem torneios de vôlei e futevôlei e às sextas é realizado o Bolão Feminino, com dez times de futebol se revezando no campo.
“Agora estou correndo atrás de patrocinadores para construir a pista de caminhada em toda a extensão do muro, um salão para a terceira idade, uma academia ao ar livre, um orquidário para comercialização de plantas, e uma área para churrasqueiras. Tudo que está sendo construído aqui, vem da colaboração de moradores e empresários. Todos somos voluntários”, destacou.
Atualmente o Bairro da Paz tem aproximadamente 22 mil moradores. Possui duas Unidades Básicas de Saúde; duas casinhas do Médico da Família; quatro escolas municipais, uma estadual, cinco particulares; 30 igrejas evangélicas; três igrejas católicas; cinco linhas de ônibus e está todo urbanizado.
“Nosso principal problema, como em toda a cidade, são jovens marginais e usuários de drogas que causam intranquilidade para o comércio e moradores”, concluiu.







