Considerada a terceira data mais importante para o setor (depois do Natal e Dia das Mães), o Dia dos Pais é apontado pelo varejo como aposta para desovar mercadorias ainda em estoque. Segundo a Fecomercio, roupas e acessórios, calçados, eletroeletrônicos e celulares estão entre as principais mercadorias apontadas na intenção de compra para o período, quando o varejo planeja 5,5% de recuperação na receita após a queda de 6,21% nas vendas provocada pela crise econômica mundial em igual período do ano passado.
O otimismo do comércio e as muitas promoções convidativas nas lojas contrastam, entretanto, com os preços finais que poderiam estar muito mais em conta para os consumidores não fosse a alta carga tributária que incide sobre as intenções de compra do manauense. De acordo com a pesquisa do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), os filhos que forem homenagear os pais devem preparar o bolso, pois mais da metade do valor do presente será destinado a pagamento de impostos.
O diretor técnico do IBPT, João Eloi Olenike, disse ao Jornal do Commercio que um dos artigos preferidos pelos filhos, os perfumes, são os que têm maior incidência de impostos. No caso das fragrâncias nacionais, segundo o especialista, essa tributação chega a influir em 69,13% do preço final, enquanto nos importados a alíquota chega a 78,43%. “Sobre a produção da indústria dos cosméticos e biocosméticos mais de 50% dos custos são de impostos. Se o filho preferir dar uma moto, vai bancar 64,65% do seu preço em tributos e, aqueles que decidirem reunir a família para um almoço de confraternização em um restaurante, pagarão 32,31% sobre o valor da conta em impostos”, revelou.
Promoções e consumo
O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ezra Benzion, disse acreditar que a crise não vai afetar as vendas, concordando que as promoções irão instigar o consumo. Por outro lado, o executivo também concordou que sobre o preço final dos principais itens de compra incidem alíquotas cavalares que influenciam diretamente no preço final e, portanto, no comportamento de compra do consumidor. “Pessoalmente acredito que a crise já deu o que tinha que dar. Até mesmo porque os celulares, por exemplo, além de baratos, estão se tornando descartáveis. O problema é que as empresas não teriam condições de sobreviverem se não repassassem essas alíquotas aos clientes”, relatou.
A estimativa apontada por Benzion é de que o fluxo de consumidores com intenção de presentear cresça em até 20%. Quanto ao valor médio previsto para as compras deste ano, as opiniões são de que poderá girar entre R$ 50 e R$ 150. “O consumidor ainda está retraído, com medo da crise e de se endividar. Mas estamos bastante otimistas, visto que as lojas vão oferecer opções para se fazer boas escolhas”, declarou.
Carga tributária
O que Benzion não disse, mas é notório, é que os preços poderiam estar muito mais em conta não fossem os impostos que incidem sobre as mercadorias. Se um filho decidir dar um perfume ao pai, pagará embutida uma carga de impostos que alcança os 70%. No caso de preferir um perfume importado, a tributação sobe para quase 80% do preço.
No entendimento do presidente da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, tão importante quanto aumentar as vendas no período, reduzindo as perdas provocadas por furtos, erros administrativos e falta de produtos, é fazer promoções para atrair consumidores. O executivo fez questão de frisar, entretanto, que não há rota de escape tanto por parte do empresário quanto do cliente com relação à carga tributária danosa no momento de adquirir um bem. “Em um momento de incertezas como o atual, em que o desaquecimento da economia e o aumento do desemprego ameaçam reduzir as vendas do varejo, não há como os varejistas se manterem competitivos com taxas de perdas tão elevadas”, completou.
Imposto embutido
De acordo com o IBPT, uma prosaica diária de hotel com que se queira presentear um pai significa em quase 30% de imposto embutido no preço, alíquota a qual se incorpora mais 15% caso o hotel seja de selva. Caso o presente escolhido para o pai seja um tênis importado, o imposto é de quase 60%. Para um par de sapatos ou um aparelho celular, essa carga alcança quase 40%.






