Leis durrubam faturamento de bares

Em: 8 de setembro de 2015
O momento de instabilidade atravessado pelas empresas do setor de bares e restaurantes não é consequência do contexto mundial, acreditam empresários do setor
O momento de instabilidade atravessado pelas empresas do setor de bares e restaurantes não é consequência do contexto mundial, acreditam empresários do setor

O momento de instabilidade atravessado pelas empresas do setor de bares e restaurantes não é consequência do contexto mundial, acreditam empresários do setor. A criação da Lei dos Bares e da Lei Seca é apontada como causadora de uma “crise institucional”, e como reflexo, quedas registradas no faturamento de até 60% desde o início da vigência da legislação, em julho de 2008, em confronto com os meses anteriores à norma.
A Lei dos Bares, aprovada em 2005, regula o funcionamento de bares e similares ao horário das 6h às 23 h. De acordo com o diretor da Abrasel/Seccional Amazonas (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Gerson Queiroz, o segmento passa por um momento de “crise institucional”, e não financeira. Ele atribui isso às decisões tomadas pelo governo municipal, enfatizando a limitação imposta por meio da Lei dos Bares. “Isso retrai o investimento dos empresários do setor, pois isso não é uma crise e sim uma imposição”, afirmou. Outra considerada prejudicial é a lei 11.705, que alterou o código de trânsito, proíbe o consumo de bebidas alcoólicas por condutores de veículos, a já conhecida Lei Seca. O texto da lei, aprovado no início de junho de 2008, passa a considerar crime conduzir veículos com 0,3 mg/l ou mais de álcool no sangue.
Queiroz disse acreditar ser um contra-senso da propaganda governamental. “Afirmam que estão abrindo o mercado, só que quando você fecha um bar, além de quebrar um dos pré-requisitos para a Copa de 2014, você prejudica o crescimento do setor”, afirmou. A quebra do “pré-requisto”, seria o funcionamento 24 horas do segmento de entretenimento na cidade, o que inclui o segmento de bares. Ele ressaltou que um dos principais entraves para o crescimento do setor é o que ele classificou como “insegurança institucional”. “Com a mudança nas regras, o empresário fica com medo de investir, fica receoso. Se mudou uma vez, quem garante que não mudará novamente?”, questionou.
Segundo ele, Manaus hoje é uma cidade de grande porte, com uma das maiores rendas do país, o que atraiu grandes marcas do segmento para a cidade. “A alta gastronomia e as bebidas finas, estão procurando mercado em ascendência, que é caso de Manaus”. De acordo com Queiroz, o setor tem uma tendência de crescimento de 12% a 15% no país, onde a cidade de Manaus acompanha esse índice.

Em busca de alternativas

De acordo com a gerente de marketing da Cervejaria Fellice, no Studio 5, Telma Arruda, após a vigência da Lei Seca, em julho de 2008, o estabelecimento registrou quedas no faturamento de até 15% nos meses subsequentes à norma. “A Lei Seca causou um impacto grande, pois as pessoas passaram a restringir a sua saída a bares”, disse. De início, visando contornar o problema, optou-se por realizar promoções de bebidas alcoólicas, com o escopo de aumentar a clientela. A medida não deu resultado e a empresa resolveu trilhar outros caminhos. “Resolvemos investir em bebidas alternativas, em drinks não-alcoolicos, como caipirinhas e cervejas sem álcool”, afirmou.
Outra estratégia utilizada pela cervejaria foi o incentivo ao acompanhante, para que os clientes pudessem beber com a certeza de estar voltando para casa em segurança. Além disso, a casa realizou contato com empresas de rádio-táxi, para transporte destes passageiros e também faz o serviço de chopp delivery, onde a pessoa pode contratar serviço e receber o barril de cerveja em sua casa. Ainda nos planos, está a elaboração de um chopp totalmente sem álcool. As medidas surtiram efeito: os 15% de queda foram revertidos para 7%. Segundo ela, houve uma diminuição na venda de bebidas alcoólicas e um aumento nas vendas de pizza, petiscos e refrigerantes.
Para o empresário Jackson Colares, da Adega de Pedra, a crise no setor de bares não está relacionada com a crise mundial. Segundo ele, a Lei Seca foi bem pior, pois após a aprovação desta, o empresário registrou uma queda no consumo de vinhos. “Tivemos uma queda de 60% no consumo, percentual para quebrar qualquer negócio”, afirmou. Segundo ele, essa perda pôde ser recuperada, com a migração para o consumo de outras bebidas e comidas. “Hoje somos mais restaurantes que propriamente uma casa de vinhos”, afirmou. Mesmo com a dificuldade enfrentada pelo momento, há plano de expansão para os municípios de Parintins e Coari.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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