Lendas e aventuras na Amazônia

Em: 15 de outubro de 2014
Editora Callis dedica obras às crianças com histórias que abordam universo amazônico
Editora Callis dedica obras às crianças com histórias que abordam universo amazônico

A Editora Callis acabou de ‘tirar do forno’ alguns títulos especialmente dedicados às crianças, mas dois deles tem tudo a ver com a Amazônia: “A lenda da noite” e “A lenda da vitória régia”, de Blandina Franco, ilustrados por José Carlos Lollo, além de “Bernardo e o enigma das Amazonas”, de Flávia Reis, ilustrado por Camila Carrosine.
Nos dos primeiros, as histórias são contadas por Vó Betica, que conhece todas as lendas dos índios brasileiros por sua vez, aprendidas com sua avó, que morava numa comunidade ribeirinha e, debaixo de uma árvore, gostava de contar histórias para as crianças do lugar, incluindo Betica.
Ambas as lendas são bem conhecidas entre as crianças da Amazônia, mas é sempre bom relembrá-las para as que vão nascendo. A lenda da noite começa desde quando ela ainda nem existia. Ficava dormindo no fundo do rio junto com a boiúna até que um dia, um casal de índios decidiu buscá-la, pois queriam dormir e, como só existia o dia, não conseguiam. A boiúna entregou a noite dentro de um caroço de tucumã, mas os índios que foram pegá-la, curiosos, resolveram abrir o caroço e a noite saiu de uma só vez, escurecendo tudo.
Na lenda da vitória régia, a índia Naiá se apaixona por Jaci, a lua, e quer ser levada por ela para virar uma estrela. Tão obcecada ficou por isso, que um dia subiu na árvore mais alta da floresta para tentar chegar até onde a lua estava mas, ao vê-la refletida nas águas de um igarapé, pensou que ela estivesse ali, nadando, e se atirou lá do alto. A lua, vendo o fim trágico de Naiá, resolveu transformá-la na vitória régia, cujas folhas redondas, que chegam a ficar com mais de um metro de tamanho, são as mais bonitas dos lagos da Amazônia.
Em “Bernardo e o enigma das Amazonas”, o personagem Bernard de Bourbon é um francês que veio ao Brasil em busca de aventuras, isso durante os anos que antecedem o final do império, em 1889. Neste caso, depois de vir de Petrópolis, no Rio de Janeiro, ele chega a Manaus, em 1886, e a autora faz uma viagem fantasiosa pela região misturando lugares, fatos e personagens.
Em Manaus, Bernardo e seu cavalo Pegasus ficam hospedados na casa de Barbosa Rodrigues, um botânico e naturalista mineiro que realmente viveu na capital amazonense onde, em 1883, inaugurou um jardim botânico. A autora faz questão de citar que a Manaus daquela época não tinha escravos, libertados aqui quatro anos antes da Lei Áurea. No instante seguinte à sua chegada a Manaus, Bernardo e Pegasus já estão na floresta amazônica onde fazem amizade com um gato maracajá, Madame Maracajica, que conversa com Pegasus numa linguagem não entendida por Bernardo. Ainda na floresta encontram uma tribo de índios (os saterê mawé), e junto com eles comem a fruta do guaraná e participam do ritual da Tucandeira, quando Bernardo surta e vê índias Amazonas passando ali perto, montadas em lhamas. Seguindo em suas aventuras, cavalo e dono, passam pelo encontro das águas, o barco em que eles vão, afunda, um se perde do outro, a noite toma conta da floresta até que Bernardo encontra as índias Amazonas, dessa vez reais, e são elas que estão com Pegasus, mas o devolvem ao francês que as ajuda a trazer o dia de volta. O livro é ideal para alimentar as fantasias das crianças e instruir. Só uma correção. A autora se refere ao Lugar da Barra, como se fosse Barcelos, a primeira capital do Estado do Amazonas. Lugar da Barra foi a primeira denominação de Manaus desde 1669, com a construção do Forte de São José da Barra, que deu origem à cidade, até 1832, quando o Lugar da Barra passou a se chamar Vila de Manaus.

Dia do professor

Livro rompe os paradigmas da educação tradicional brasileira

Hoje, quarta-feira, 15 de outubro, é comemorado o Dia do Professor! A criação da data se deu em virtude de D. Pedro I, no ano de 1827, ter decretado que toda vila, cidade ou lugarejo do Brasil, criasse as primeiras escolas primárias do país, que foram chamadas de “Escolas de Primeiras Letras”, através do decreto federal 52.682/63. Para celebrar essa data, a Editora Nossa Cultura apresenta o livro “Crônicas Educação Volume 2 – Denunciar e Anunciar”, escrito por um professor português, José Pacheco, e organizado pelo professor Samuel Lago – que é um auxílio para todos os educadores que querem fazer diferença.
O livro que rompe os paradigmas da educação tradicional brasileira é um alerta para os educadores sobre como o sistema educacional precisa de uma revolução. Por meio da obra, o leitor consegue fazer uma viagem até Portugal e admirar a forma de ensino que José Pacheco proporciona. O educador e biólogo Samuel Lago conta como foi a experiência de conhecer de perto a Escola da Ponte. Por meio de fotos e depoimentos, ele transmite a alegria dos “miúdos” em frequentar uma escola exclusiva e até inusitada.
José Pacheco aborda assuntos como o tradicionalismo na educação, o pensamento ultrapassado dos professores, o preconceito com a religião e a inclusão na sala de aula. O autor reforça a importância de um projeto de educação nas escolas e instiga os educadores a mudarem o sistema automático de ensino, que está enraizado nas salas de aula.
No livro, José Pacheco – que também é Especialista em Música e em Leitura e Escrita – apresenta os bastidores da Escola da Ponte e mostra aos professores, pais e também aos políticos brasileiros que é possível ter um ensino diferenciado onde professor e aluno convivem sem nenhuma divisão e aprendem juntos.
Número de páginas: 48. Preço Médio: R$ 29.

Lançamento

Livro ganha versão falada para deficientes visuais

O Livro “A Rosa e o Beija-flor”, da poetisa Franciná Lira, que foi lançado em 2012 – será lançado amanhã, quinta-feira (16), na ASSINPA na versão livro falado, como parte da programação do Sarau Amazônia: Cantos e Poesias que Encantam, realizado pela Livraria Lira. O livro foi produzido pela Biblioteca Braile do Amazonas e dirigido por Gilson Mauro Pereira (gerente da BBAM).
Autora vislumbrava, desde 2012, tornar o livro o acessível aos deficientes visuais, mas somente este ano entrou em contato com a Biblioteca Braile, e orientada pelo Sr. Gilson Pereira, transformou-o neste novo projeto. Livro começou a ser gravado em julho desde ano e já está disponível para aquisição tanto para o público em geral.
Livro contém 61 poemas, a crônica “A Rosa e o Beija-flor” e o poema “Musicalidade”, que ganhou versão musical através do cantor Alex Pontes, que no ano passado, fez a melodia do poema. Franciná Lira é poetisa e participa de projetos de contação de histórias, abordando as fábulas amazônicas, com objetivo de estimular a leitura do gênero, buscando aquisição de conhecimento e mudança de comportamento nas atividades cotidianas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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