Lentidão em repasses para Minha Casa, Minha Vida joga contra setor

Em: 19 de setembro de 2019
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Os repasses destinados ao programa Minha Casa Minha Vida liberados pelo governo federal no último dia (5), permanecem preocupando o setor da construção civil no Amazonas. Embora a liberação tenha iniciado há cerca de 15 dias para imóveis da faixa 1, representantes afirmam que existe uma certa lentidão nesses pagamentos e que as dificuldades permanecem.

O superintende da RD Engenharia, Wescley Magalhães, afirma que têm valores a receber, mas a incerteza de pagamento das próximas medições traz preocupação. O impacto permanente desses atrasos ele diz que é difícil mensurar, pois essas liberações são referentes à produção de 4 meses atrás. “Além disso, o futuro é incerto quanto ao recebimento das novas medições. Há colegas noutros Estados que não conseguiram mais entregar suas obras. Não é o caso de Manaus. Se os atrasos não existissem mais, entregaríamos a primeira etapa em 60 dias”, ressalta ele, endossando que a “penúria” continua. “Esse cenário não é exclusividade do Amazonas e sim em todo Brasil”. 

O superintendente da Morar Mais Empreendimentos e diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi Morar Mais, Henrique Medina,  confirma a lentidão dos respasses e ainda alguns problemas no sistema da CEF (Caixa Econômica Federal).

“O problema de lentidão no sistema, provavelmente pelo grande número de financiamentos que estão sendo feitos ao mesmo tempo, ficou muita coisa represado. Os financiamentos de imóveis dentro do programa MCMV para as faixas 1,5 e 2 para famílias com renda de até R$ 4 mil  já foram retomados no Amazonas, porém, ainda com alguns gargalos”. Apesar de as obras seguem seu ritmo normal, ele afirma que durante 2 meses, ficaram impossibilitados de efetuar o financiamento de novos clientes.

Em tom mais ameno, o presidente da Comissão da Indústria Imobiliária do Sinduscon-AM,  Marco Bolognese, diz que até o fim deste ano os pagamentos estão garantidos e entende que o processo é demorado porque precisam de um prazo para regularizar tudo. “O assunto está resolvido até dezembro, mês que o governo federal vai apresentar nova proposta para o programa”. 

Em declaração feita ao Jornal do Commercio, no mês passado, o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, enfatizou sobre a importância de previsibilidade por parte do governo federal sobre esses repasses para que as construtoras pudessem arcar com seus compromissos. “A construção civil trabalha por meio de fases. Se essa verba não é liberada o que já está contratado traz prejuízo. O setor gera muito emprego e renda com menos dinheiro do que outras indústria. É importante esse aporte para que haja movimentação no mercado e desenvolvimento”.

Números

Até o mês de agosto o setor da construção civil no Amazonas já havia registrado 60 dias de atrasos nos repasses das verbas contabilizando um prejuízo em torno de R$ 9 milhões para obras de imóveis da faixa 1, que compreendem as famílias com a renda de R$ 1,8 mil  mensais. Conforme empresários do segmento, para colocar o Brasil todo em dia, o valor exato seria R$ 500 milhões. No âmbito nacional os atrasados ultrapassaram R$ 450 milhões. O Orçamento do programa em 2019 é de R$ 4,6 bilhões. 

O MCVM representa atualmente 70% do mercado imobiliário brasileiro. Cerca de 500 mil empresas atuam no programa de habitação popular.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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