As lideranças classistas dos setores econômicos do Amazonas comemoram o novo corte na taxa básica de juros, mas avaliam que o caminho para a retomada ainda é longo. Como esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu, nesta quarta (19), em 0,5 ponto percentual, o valor da Selic, que passou de 6% para 5,5% ao ano, o menor patamar histórico.
Foi o 14º corte na taxa do custo da Selic decidido pelo Copom, desde quando a taxa atingiu o pico de 14,25% ao ano (entre julho de 2015 e outubro de 2016). A redução do custo do dinheiro foi incentivada por um cenário de inflação controlada – e demanda em baixa. O Copom indicou que pode haver mais cortes neste ano.
O setor que melhor recebeu a notícia no Amazonas foi comércio varejista, que atravessou um ano de altos e baixos. O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, considera que a medida era mais do que justificada, diante do atual panorama econômico do país.
“A notícia de hoje, com a baixa de 0,50 ponto percentual na Selic, que entra hoje no menor valor da história, deixa os empresários otimistas. Entendemos que não cabe no atual cenário de vendas estagnadas e inflação baixa termos uma taxa relativamente alta. Agora, é esperar algumas semanas para que isso chegue na ponta”, declarou Ezra Azury.
Em sintonia, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, avalia que a medida vai beneficiar substancialmente o varejo, em especial o financiamento de bens duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos de linha branca.
“O mercado imobiliário será também beneficiado, pois a linha de crédito para Imóveis vai ficar mais ao alcance das pessoas com menor poder aquisitivo e que sonham em adquirir a casa própria”, acrescentou.
Assolado pelas perdas da cheia atípica deste ano, mas com safra recorde em vários itens, o setor agropecuário do Estado também comemorou. “A redução da taxa básica de juros é muita bem vinda para o setor rural. Principalmente porque diminui o custo dos financiamentos e estimula o investimento na atividade”, garantiu o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço.
Custo e consumo
A indústria também demonstrou otimismo, embora com pelo menos um pé atrás. O vice-presidente da Fieam e presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), assinala que aguarda que o efeito da Selic menor chegue logo ao consumidor para gerar efeitos na indústria incentivada da capital amazonense.
“É uma boa notícia, que tem impacto potencial para o consumo e com potencial para gerar mais produção, investimentos, empregos e arrecadação tributária, mais adiante. Também é positivo, porque reduz os custos industriais e dá alívio às empresas. Esperamos agora que a política partidária possa dar boas notícias para gerar mais confiança ao investidor”, ponderou.
Na mesma linha, o presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Mario Okubo, disse que espera que a redução no custo do dinheiro chegue logo na ponta de consumo para facilitar e sustentar a alta nos financiamentos de compra de veículos de duas rodas – o segmento majoritário atendido pela entidade.
“O segmento depende muito disso para continuar crescendo. O corte dos juros ajuda as fábricas a reduzirem os custos também, principalmente aquelas que têm problemas de capital de giro. Mas, a decisão de investir e empregar não depende de taxa de juros, mas de confiança e de o país se estabilizar”, ressalvou.
Desemprego e insegurança
O setor mais cético em relação aos potenciais efeitos do corte na taxa básica de juros foi o imobiliário e de construção civil. O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, considerou que a iniciativa do Copom foi importante, mas ressalta que o problema é que a redução não está chegando nos bancos.
“As perspectivas são baixas para a inflação e para os juros. Nosso problema mesmo é investimento. Hoje, com 13 milhões de empregados e insegurança em relação aos pagamentos da Caixa Econômica, tem empresa que está sem receber na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida. E há uma redução de verba no futuro próximo. Se isso não mudar, dificilmente teremos uma recuperação mais pujante”, lamentou Frank Souza.
Mais crítico ainda, o vice-presidente da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas), Hélio Alexandre, tem opinião semelhante. “Baixar a Selic é necessário, mas não é suficiente para garantir o crescimento do país. O Brasil precisa criar segurança mínima para voltar o investimento. Se baixar os juros fosse o bastante, não teríamos 13 milhões de desempregados”, encerrou.







