Leon Sarmento é um dos nomes de destaque das HQs barés e, no dia 6 de dezembro, na Livraria Leitura do Amazonas Shopping, irá lançar mais um trabalho, ‘Submersos’, onde conta a jornada de Ayla Trevis, oficial da Marinha, e sua equipe de resgate. A bordo do submarino Traíra V, o grupo submerge na foz do Amazonas para investigar um enigmático sinal de socorro. A busca os conduz a uma ilha ancestral, encoberta pela névoa, que esconde verdades sombrias: uma estação científica abandonada.
“A ideia original é do meu tio, Rony Sarmento, inspirado em filmes como ‘Alien, o 8º passageiro’, de Ridley Scott; e no livro ‘Vinte mil léguas submarinas’, de Júlio Verne.
‘Submersos’ é uma narrativa ambientada nas profundezas da Amazônia”, contou o quadrinista.
Leon começou rabiscando papeis, ainda pequeno. Por volta dos 13 anos intensificou sua vontade de aprender mais sobre técnicas de desenho.

“Meu tio Rony foi meu grande incentivador, comprando livros de desenho nesse período. Na época a internet não era tão acessível, então eu lia esses manuais práticos de desenho, para me aprimorar”, recordou.
Mas os anos passaram, Leon deixou os desenhos para trás e, adulto, arrumou um emprego até o dia em que, então com 22 anos, sofreu um choque de realidade.
“Trabalhava numa loja de departamentos quando, um dia, vi na TV uma matéria que dizia: ‘conheça os artistas amazonenses que trabalham para a Marvel’. Parei para assistir e qual não foi minha surpresa ao reconhecer amigos meus que desenhavam e participavam de eventos geek, que eu deixara para trás. Eram vários. Havia uns três anos que eu havia deixado de desenhar completamente. Enquanto eu parei nos meus sonhos, meus amigos tinham ido adiante. Se eu tivesse continuado a desenhar, talvez estivesse ali, com eles”, lembrou.
Naquele momento o desenhista Leon Sarmento voltou a falar mais alto e o retorno aconteceu.

Tudo vem de fora
Com o lançamento de ‘Submersos’, Leon Sarmento chega a sete HQs publicadas. Em parceria com Guto Nery, o quadrinista produziu quatro volumes das HQS do ‘Super vovô’, nas quais conta a jornada de um aposentado, vendedor de picolés nas ruas de Manaus enquanto, ao mesmo tempo, combate o crime. Depois, com Rony Sarmento, publicou ‘Pirilampos’, aventura subaquática amazônica. Seu mais recente trabalho é ‘Amazonpunk 2099’, produzido com Luís Carvalho. A história se passa numa Amazônia pós-apocalíptica, no estilo Mad Max.
Diante das dificuldades em ser contemplado nos editais de cultura, ou mesmo conseguir patrocínio para suas HQs, Leon Sarmento ‘corre atrás’ e banca seus trabalhos do próprio bolso.
“A única vez em que eu contei com dinheiro de edital foi para o ‘Pirilampos’. Todos os demais trabalhos eu publiquei com recursos próprios, e posso provar que dá para se fazer um material com esmero e qualidade de forma independente, porém, não é tarefa fácil. Tem que trabalhar arduamente para juntar recursos, depois conseguir registrar, catalogar e imprimir a HQ. É um desafio e tanto”, revelou.
A grande barreira enfrentada por Leon para imprimir suas HQs, em Manaus, é a mesma enfrentada pelos demais quadrinistas barés.

“Tudo vem de fora: papel, tinta. Mesmo pagando o frete de outros estados para cá, ainda sai muito mais em conta mandar imprimir as HQs fora de Manaus”, lamentou.
Novos horizontes
Leon iniciou sua carreira profissional, em 2017, fazendo charges e tirinhas para o jornal Amazonas em Tempo.
“Era um desafio todos os dias ter ideias diferentes para criar pequenas situações cômicas em três ou quatro quadros, e precisavam ser rápidas e fáceis de serem entendidas. Nesse fluxo valia de tudo, situações engraçadas do cotidiano, até mesmo a falta de ideias se tornava tema das tirinhas. A evolução para os quadrinhos foi natural”, falou.
Agora o quadrinista pensa ultrapassar as fronteiras do Amazonas e ganhar o Brasil com sua arte.
“Pretendo continuar em Manaus enquanto der, mas desejo me projetar em novos horizontes e sair da nossa região. Quero difundir minhas HQs, esse sempre foi meu objetivo principal. Além de querer ser reconhecido nacionalmente, penso levar a cultura do Norte para que as pessoas de outras regiões saibam que aqui existe um potencial cultural inestimável e milhões de possibilidades criativas em narrativas regionais. Nossas raízes são ricas e a nossa terra é cheia de encantos. Gostaria que a leitura e o conhecimento, através das HQs, fossem mais difundidos e valorizados, principalmente nas escolas. Nossos futuros leitores sairão daí”,
alertou.
As HQs de Leon Sarmento podem ser encontradas na Livraria Leitura (no Amazonas Shopping), na loja Don´t Panic Geek Shop (na rua Lobo D’Almada, 463 – Centro) e, em breve, na Valer Teatro (no Largo São Sebastião).
Mais informações: @leon_sarmento
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