A liberação da primeira parcela do 13º salário até o dia 28 deste mês, a qual deve injetar, na economia da capital amazonense, perto de R$ 430,35 milhões referentes ao valor líquido da folha de pagamento, segundo cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), vem cercada de grande expectativa pelos empresários do comércio local.
De um lado, a retração na oferta de crédito e a desconfiança por prazos mais longos fazem alguns empresários acreditarem que o período natalino não será dos melhores para o varejo amazonense. Para o diretor da Acomac-AM (Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Amazonas), Virgílio Dácio do Nascimento, é justamente o risco de escassez de crédito um dos fatores que devem influenciar na redução das vendas do setor. De acordo com o executivo, a sazonalidade do varejo, iniciada em meados de agosto, segue até o início de dezembro, momento em que as vendas sofrem uma sensível queda. “Pessoalmente, acredito que as empresas do setor terão de improvisar até março, quando geralmente acontece a retomada do movimento ”, explicou o diretor.
Para o varejista Vanderley Souza Garcia, atuante no ramo dew telefonia móvel, as festas de fim de ano, em especial o Natal, estão entre as mais importantes datas para o comércio das telecomunicações. Com a maior parte dos estoques já comprados e pagos com a moeda cotada abaixo dos R$ 2, o empresário disse ter conseguido neutralizar, ao menos em curto prazo, os impactos do câmbio sobre o preço dos aparelhos, que têm 90% de seus componentes trazidos do exterior. “Esta é a grande aposta das operadoras móveis para o Natal e o preço tem sido o principal chamariz de concorrência”, explicou.
Outra que comemorou o prazo final da primeira parcela foi a varejista Paula Andréia Fujimoto, cujo segmento de vestuário será um dos mais contemplados, segundo a pesquisa de intenção de compra do consumidor divulgada pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas). A empresária disse que a maior parte da clientela das quatro lojas do grupo tem preferência pelo pagamento à vista em dinheiro, o que leva a crer que o consumidor amazonense ainda está indiferente à sensação da crise. “Em se mantendo esse mesmo patamar, deveremos ter no natal um desempenho similar ao do ano passado, quando houve expansão de 4% nas vendas”, ressaltou.
A expectativa positiva tem razão de ser, uma vez que, dos consumidores ouvidos pela Fecomercio, 64% costumam pagar suas compras em dinheiro ou no débito automático, 24% costumam pagar no cartão de crédito e apenas 13% costumam utilizar crediário ou cheque. Para o presidente da Fecomercio, José Roberto Tadros, apesar de as festas natalinas representarem o maior apelo mercadológico de vendas, a tendência da economia se volta para possível mudança de cenário no ano que vem. Segundo o executivo, historicamente o comércio local sofre uma queda brusca no ritmo dos negócios em janeiro, retração que é balanceada com o aumento das vendas de materiais escolares e de festas carnavalescas. “Entretanto, é importante frisar que o consumo para este fim de ano não deve ser tão comedido, apesar das projeções de alguns analistas, já que a maioria dos amazonenses tem no foco de consumo a preferência por não se endividar de um ano para outro”, frisou.
Liberação do 13º anima comércio varejista
Em: 13 de novembro de 2008
Para Dieese, cerca de R$ 430 milhões devem ser injetados na economia local, gerando boa expectativa para setores como telefonia móvel e vestuário
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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