Liberman Moreno denuncia soldado de Tabatinga

Em: 9 de março de 2010
Ao recusar colocar as mão na cabeça, soldado tratou o advogado de maneira truculenta e mandou que ele fosse procurar os seus direitos
Ao recusar colocar as mão na cabeça, soldado tratou o advogado de maneira truculenta e mandou que ele fosse procurar os seus direitos

O deputado Liberman Moreno (PHS) denunciou na terça-feira, na Assembleia Legislativa, a arbitrariedade do soldado J. Francisco, da Força Nacional que atua em Tabatinga (a 1.108 km de Manaus ), contra o seu advogado Marcos di Fabianni, que estava no municípios nos últimos dias.
De acordo com Liberman, o advogado ia entrar num barco, quando o agente, ao revistá-lo, mandou-o levantar os braços e colocar as mãos na cabeça. Fabianni se recusou a botar as mãos na cabeça, explicou que era advogado e não bandido, propôs se identificar e disse que não queria ser tratado dessa forma (mãos na cabeça), mas levantou os braços. “O soldado o tratou de maneira truculenta e mandou que ele fosse procurar os seus direitos. E nós vamos procurar os direitos do cidadão”, informou o deputado Liberman Moreno.

Manter a ordem

“Estamos encaminhando oficio ao Ministério da Justiça, à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), estamos comunicando a esta Casa, vamos comunicar o fato ao Ministério Público Federal, porque não foi para isso que a Força Nacional veio para se instalar em Tabatinga: veio para manter a ordem, combater o crime mas respeitar o cidadão”.
Para o deputado, o mesmo pode acontecer a qualquer pessoa. Já aconteceu com o desembargador Neuzimar Pinheiro, no aeroporto de Tabatinga.
“Não sei se vocês estão lembrando de um fato gravíssimo e que foi bater no Ministério da Justiça, quando o desembargador Neuzimar Pinheiro teve um problema lá no aeroporto de Tabatinga e que foi contornado. As autoridades reconheceram que houve uma certo exagero na atuação e foi contornado. E agora a Força Nacional está lá. Isso ocorreu com um cidadão que é advogado e amanhã pode acontecer com qualquer pessoa. Não pode ser dessa forma. Até porque o cidadão se prontificou a se identificar e ser revistado”, afirmou.

“Lamentável incidente”

No Alto Solimões, na fronteira com a Colômbia e o Peru, explicou Liberman, existe um contingente da Força Nacional “tentando ajudar o Estado no combate ao tráfico de drogas, na manutenção da ordem, de modo geral”. “O que demonstra claramente que o governo do Estado poderia estar atuando de maneira mais rigorosa e nós não precisaríamos
da Forca Nacional aqui no nosso território”, declarou Liberman, da bancada oposicionista ao governo Eduardo Braga. Por um lado, segundo ele, o fato é positivo quanto ao combate do crime, mas por outro lado já “começou a trazer transtorno”, como no caso do advogado Fabianni.
A pretexto de ser autoridade para aquele momento, a pessoa designada para manter a ordem e dar combate ao crime, não pode se achar no direito de tratar qualquer cidadão como se fosse um criminoso, insistiu Liberman. Por isso estava fazendo o registro do “lamentável incidente”, na tentativa de se evitar que a Força Nacional pratique arbitrariedade, ao invés de combater o crime e manter a ordem. Além do mais, conforme o deputado, os criminosos não passarão por esse tipo e tratamento. “Os criminosos, na verdade estarão à margem desse tratamento, porque por lá não passam. Criminoso não vai se entregar na entrada de um barco ou na porta de um avião. Ele tenta fazer de outra forma”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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