Lições estratégicas com a Copa

Em: 12 de julho de 2014
Analistas apontam aprendizado para a economia e a política com a derrota brasileira em campo
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Analistas apontam aprendizado para a economia e a política com a derrota brasileira em campo

Usando a Copa do Mundo como analogia para outro assunto que causa paixões, a política, é quase impossível no momento desvencilhar a Copa das eleições que se aproximam. Analistas políticos e consultores apontam a negligência a algumas lições básicas de planejamento como fatores determinantes para uma goleada contra nas urnas ou na gestão de empresas. Para os especialistas, a derrota para uma seleção mais bem preparada tática e tecnicamente não pode ser lamentada e é a indicação de que mudanças são necessárias.

O jeito certo de jogar
Em lados opostos do campo estavam planejamento, foco, obstinação e investimento versus confiança em excesso e a dependência de um único nome. Com a quebra dos fracos esquemas brasileiros a seleção alemã venceu fácil. O jeito alemão de jogar pode servir como modelo de gestão que deve ser adotado pelas empresas, conta o gerente da Targo Consultoria, André Gomes. “O que a Alemanha praticou em campo foi uma lição de gestão. A tática começou bem antes, com simulações de ambiente de jogo, jogadas ensaiadas e tudo o que os preparasse para as pressões de uma partida importante”, explica.
De acordo com Gomes, o jogo alemão não foi um jeito novo de jogar, foi o jeito certo, estudando o ambiente antes de arriscar. Para o gerente, o contrário é o que tem acontecido com muitas empresas que arriscam sem estratégias. E no caso da seleção brasileira outro agravante foi a dependência de um único nome. “É como se uma empresa apostasse tudo em uma marca e nada acontecesse. A seleção brasileira tinha Neymar, os alemães tinham um time inteiro”, conta Gomes.

Aplicando o que
foi aprendido
Elaborar planos e não dar andamento é outro erro recorrente no empreendedorismo, exemplificados no fiasco da seleção brasileira. “Planejou e não executou, mesmo tendo condições e recursos para isso. Se vê também nas empresas que no decorrer do ano esquecem o que foi definido em reuniões” resume Gomes que lembra que a competitividade foi elevada com a entrada de pequenas seleções no campeonato. “Sem temer as grandes, pequenas empresas devem encarar o mercado e inovar, aprender com limitações de recursos e em ambiente hostil para alcançar metas satisfatórias,” comenta.
Citando um bom exemplo de determinação que serve para empresas pequenas e iniciantes, Gomes lembra da seleção costa riquenha, que alcançou uma boa colocação apesar das adversidades. “O técnico teve uma liderança exemplar, extraindo o melhor de sua equipe, mesmo com poucos recursos”, fecha.

Política em campo
A comoção popular causada pela derrota da seleção brasileira tem tudo para ser usada como arma nas próximas eleições, explica o analista político, Afrânio Soares. Para quem o campeonato vinha sendo usado desde o ano passado como plataforma, seja por oposição ou situação. “Em outros anos, 2006 e 2010, a Copa coincidiu com as eleições, mas não se viu a apropriação da mesma pelos políticos. Este ano tornou-se obrigação, o Brasil é a sede e vencer era ordem, o que explica as discussões acaloradas nas redes sociais, com acusações e suposições de ambos os lados”, conta o analista.
Mais planejamento e menos ‘já ganhou’ são recomendados em qualquer jogo e isso é lembrado pelo o analista. Mesmo não acreditando em uma goleada nas urnas ou em uma virada de jogo, Soares recorda que uma equipe preparada evita sangrias na campanha. “A seleção perdendo o rumo após o primeiro gol sofrido, mostra que um golpe pode desestabilizar todo o time. Isso deve ser evitado nas campanhas e deve se estar pronto para possíveis baixas no elenco”, ressalta Soares.
Analisando o cenário político atual, Soares, vê o jogo como equilibrado e aponta que aqui e aqui podem haver bolsões de votos, para mais ou para menos e na disputa à Presidência um segundo turno é inevitável. “Não é como uma seleção de sub-20, os candidatos mais fortes são experientes e estão bem assessorados. No Amazonas, os nomes definidos são de times fortes, com a exceção de um candidato solitário (Marcelo Ramos), que provavelmente está alicerçando uma campanha para prefeito,” fecha.

Estratégias
Os papéis encontrados no vestiário alemão, com anotações e estatísticas sobre cobranças de pênaltis, detalhes de jogos e outros, são exemplos do planejamento da adversária antes de entrar em campo, o que deve ser seguido pelas equipes de marketing dos candidatos. “Acredito que as equipes estão a postos, estudando o adversário. Alguns grupos precisarão de um plano B, já que o A seria a vitória da seleção. Já para alguns adversários, explorar a derrota será o plano A. Usar o ‘legado da Copa’ será estratégia para muitos”, explica.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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