O aumento no número de assaltos em posto de combustíveis na capital deve ser pauta de uma reunião entre o Sinpospetro-AM (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Amazonas) e a SSP-AM (Secretaria da Segurança Pública do Amazonas). O representante da categoria pretende solicitar um encontro com o secretário da pasta para falar sobre possíveis medidas de segurança para coibir o aumento no número de ocorrências.
A categoria vê disparar o número de assaltos. Segundo os dados do sindicato, são registrados 560 casos por mês na capital. Ou seja, 18 assaltos por dia. São 16 mil frentistas em todo o Estado enfrentando riscos.
O presidente do Sinpospetro-AM, Adonay Gomes, disse que os números são alarmantes e que mesmo com a instalação de câmeras nos estabelecimentos os assaltantes não se intimidam. “Precisamos dar um basta nisso. Não dá mais pra aguentar. Muitos pais de família saem para trabalhar e não sabem se voltam”.
Na tentativa de inibir os assaltos, Gomes informou que sugeriu que os frentistas andem com pouco dinheiro, no máximo R$ 150, mesmo assim quando o trabalhador não dispõem de dinheiro o ladrão o agride. Para ele, falta poder de polícia para impedir esses assaltos.
“Para tentar amenizar eu acredito que a frequência de viaturas nesses locais para dar um suporte ajudaria bastante”.
As ocorrências no interior do Estado também são frequentes, no município de Cacau Pirera um assalto recente a um posto de combustíveis terminou com um frentista morto. ‘Nós estamos indo visitar os municípios, indo conversar à noite com os profissionais, expondo a nossa preocupação. O nosso objetivo agora é tentar uma reunião com a SSP-AM e o sindicato patronal para tentar articular alguma medida”.
Os assaltos ocorrem na maioria das vezes à noite onde não existe nenhum tipo de patrulhamento. Conforme Adonay, desde o ano passado a categoria tenta diálogo com o governo do Estado e secretaria, mas sem respostas”.
Investimento vs ousadia
É importante destacar que o segmento é um dos que mais paga impostos e os investimentos em segurança por parte dos donos desses estabelecimentos são altos, uso de cofres, câmeras de monitoramento, mas a ousadia dos ladrões não tem limites.
De acordo com o empresário Ralph Assayag, que atua no ramo, infelizmente os postos são alvo fácil para os bandidos, principalmente à noite. “Os frentistas estão à mercê, principalmente porque os postos funcionam 24h, o que é um problema e acaba trazendo essa facilidade. Apesar das câmeras instaladas, muitas vezes não conseguem identificar o assaltante por está de capacete. Se não tomarem providência outros estabelecimentos comerciais serão alvos”.
O prejuízo maior segundo Ralph é para os frentistas que se sentem impotentes e muitas das vezes não querem mais trabalhar. “Tudo que é possível ser feito da nossa parte para tentar diminuir as ocorrências nós fazemos. Todos os lugares tem câmeras, uso de cofre inteligente, porém o dinheiro que está na mão do frentista é impossível, com isso ele acaba sendo vítima. O maior problema é o cuidado que temos que ter com os nossos funcionários. Por mais que levem determinada quantia, mas render os nossos trabalhadores é o maior problema”, disse.
Um vídeo que circula nas redes sociais, mostra o momento em que um frentista é esfaqueado durante um assalto a um posto de combustíveis, na noite de quarta-feira (2), na avenida Rodrigo Otávio, zona Sul de Manaus. Na imagem é possível observar que o rapaz não reage ao assalto e mesmo assim é atingido com golpe de faca.
À Rede Amazônica, o homem contou que chegou a ver os vídeos do assalto e conseguiu reconhecer os suspeitos. O frentista também fez um alerta às autoridades e pediu mais segurança no local de trabalho.
Os dois suspeitos foram presos. Além desse crime, eles já eram investigados por outros na região. Agora, a polícia trabalha para encontrar o terceiro, que foi o responsável por esfaquear o frentista.
Temor
Os riscos inerentes ao trabalho tem sido motivo de tensão para quem trabalha na área. Uma frentista que não quis citar o nome por medo, descreve que a tensão dela e dos colegas durante a atividade está cada dia pior. “É uma pressão psicológica pela falta de segurança no nosso ambiente de trabalho. Infelizmente nós precisamos do trabalho, pois muitos precisam sustentar as suas famílias, mas não está sendo fácil”. O posto que ela trabalha já foi alvo de vários assaltos.
Ela relata ainda que além do empregado que trabalha nas bombas está sujeito a roubos, a ação de assaltantes também atinge os atendentes da loja de conveniência. “Retornamos para nossas casas traumatizadas”, enfatizou a frentista.
Outro lado
A reportagem procurou a SSP-AM para comentar sobre o aumento dos assaltos nos postos. A nota enviada ao Jornal do Commercio, contesta os números do sindicato da categoria. “Conforme levantamento do Centro Integrado de Estatística da SSP-AM, com base nos registros de boletins de ocorrência, no mês de setembro de 2022 foram registrados 19 casos de roubos em postos de combustível. Em relação aos meses anteriores, a média oscila entre 7 e 12, diferente do que foi noticiado por dia”
“A SSP-AM ressalta que intensificou as ações de policiamento em toda a capital, além disso a PC-AM reforçou o trabalho investigativo para elucidação dos casos. A pasta de segurança reforça que se encontra à disposição para receber a categoria”, finaliza a nota.
Por Andreia Leite







