Livro e baralho na feira cigana

Em: 29 de maio de 2025
Quem gosta de consultar cartas de baralho antes de tomar decisões, precisa ler o livro ‘Baralho cigano Amazônia’.

Acontece na noite de hoje, 29, a partir das 19h, o lançamento do livro ‘Baralho cigano Amazônia’, do jornalista Lucius Gonçalves. O evento acontece no Salão Solimões, do Centro Cultural Palácio Rio Negro, e faz parte 6ª edição da Feira Mística Cigana, que começou no dia de ontem, quarta-feira, e segue até 1º de junho, domingo, sempre das 10h às 22h. A Feira também é uma realização de Lucius. O livro vem acompanhado de um deck (baralho).

“Esse livro é um projeto muito antigo, surgido ainda na década de 1990, quando organizei as originais e antigas feiras místicas no ICHL, no Campus Universitário da Ufam. Na época aconteceram três edições da Feira naquele espaço de conhecimento, porém, só agora, nos últimos quatro anos, com a volta das Feiras Místicas, pude me dedicar a escrevê-lo, o que fiz em três anos. No último ano me dediquei exclusivamente ao processo de ilustração juntamente com o ilustrador Glen Dinely”, falou.

Existem dois tipos de baralho, aquele utilizado apenas para entretenimento e socialização; e o místico ou esotérico, como o tarô, ou tarot. No segundo caso, para quem acredita, o baralho serve para orientação espiritual, autoconhecimento, além de explorar questões emocionais e materiais. Lucius amazonizou o seu baralho.     

“O baralho cigano Amazônia tem a peculiaridade de ter sido inspirado na Amazônia. Todo oráculo de cartas é composto por imagens arquetípicas, que nos remetem a um universo, sem perder o sentido clássico e as conotações mágicas. O nosso baralho tem como ponto alto sua representação amazônica, a magia da região, sua sabedoria e seu conteúdo ancestral. Propõe uma imersão na simbologia mística da floresta amazônica, unindo saberes ciganos e amazônicos”, explicou.

 

Baralho amazônico

Não se sabe porque, mas no dia 25 de maio se comemora o Dia Mundial do Tarô. Apesar do nome afrancesado, historiadores dizem que o tarô surgiu no norte da Itália, em Milão, entre os séculos 15 e 16. Também não se sabe quem o idealizou, e parece ter surgido apenas como um jogo de cartas, até que um dia alguém resolveu que, pelo fato de as cartas poderem ser escolhidas aleatoriamente, serviriam para serem interpretadas e passar algum tipo de informação para quem retira, uma a uma, do conjunto de cartas. Surgiu assim o tarólogo. A prática deu tão certo que evoluiu para o seu estágio atual, como uma ferramenta de consulta e orientação.

“No baralho cigano Amazônia quero passar a consciência da preservação, não somente do ecossistema, mas também da sabedoria de nossos povos originários, o conhecimento de nossos ancestrais brancos bem como a magia dos povos pretos”, revelou.

Quem tem o costume de consultar tarô, geralmente o faz em momentos de indecisão ou dúvida, ou para obter orientação sobre diversos aspectos da vida como amor, carreira, saúde, finanças. Colocam na cartomancia o poder de adivinhar pela interpretação e leitura das cartas do baralho.  

“Eu não escrevi esse livro simplesmente para vender e ficar numa estante. Eu desejo que ele seja um complemento aos cursos de cartomancia que eu ministro. Quero, com esse trabalho, dividir um pouco do meu conhecimento adquirido nos últimos 32 anos. Pretendo mostrar para os leigos que a cartomancia nada tem a ver com mediunidade, cartomancia é estudo, é conhecimento, é pesquisa. Quanto mais autores você ler, mais conhecimento irá adquirir. O conhecimento é a maior riqueza que se pode ter. Quem abre as cartas, quem manipula um oráculo ou mesmo quem joga um baralho divinatório, tem que ter conhecimento, nada tem a ver com espíritos. Quero que quem tenha meu livro goste de estudar a cartomancia e obviamente vivê-la”, afirmou.

 

Fama dos ciganos

Quem ganhou a fama de ler cartas foram os ciganos, como uma forma de ganhar dinheiro pela leitura, e até os dias de hoje a tradição é passada de geração para geração. O famoso Baralho Cigano foi adaptado do tarô de Marselha. Durante a Feira Mística Cigana, não ciganos, mas tarólogos, estarão fazendo leitura de oráculos (do latim, oraculum, que significa ‘palavra de oração’ ou ‘resposta de um oráculo’. Também estarão à venda, produtos esotéricos, vestuário e artesanato místico, e o livro de Lucius.

“O livro está lindo, muito bem diagramado, com cores incríveis, ilustrado de maneira fácil de se compreender e com uma linguagem didática e acessível, pronta para ser lida e vivida. As cartas, por sua vez, falam por si só. Quem tiver o meu livro precisa entender que cartomancia é uma filosofia de vida. A Amazônia merece esse meu trabalho”, finalizou.

‘Baralho cigano Amazônia’ foi publicado pela Editora da Imprensa Oficial do Estado do Amazonas, e é prefaciado pelo carnavalesco e pesquisador carioca Milton Cunha. Pedidos podem ser feitos pelo (92) 9 8414-3136.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar