Um mês depois do início das obras de construção da Nova Djalma Batista, as opiniões em relação ao projeto continuam divididas entre os comerciantes situados naquela avenida, considerada uma das principais vias de escoamento do tráfego de Manaus.
A comerciante Edjane Rodrigues, da Brinkelândia, concorda que a Djalma Batista precisa melhorar, mas sem interferir nas edificações existentes, e questionou sobre o futuro do comércio naquela localidade, com a padronização imposta pelo titular do projeto. “O projeto é lindo. Mas como vai ficar o comércio daqui sem o estacionamento? A sugestão do arquiteto Roberto Moita, titular do Implurb, foi de quebrar a fachada da loja e adentrar os metros necessários para o estacionamento”, relatou.
Indignada, Edjane reclamou da intransigência de Moita que, segundo ela, não abriu diálogo para solucionar a questão do afastamento legal. “Ele poderia melhorar o canteiro central que está horrível, padronizar as calçadas sem mexer no estacionamento que já existe, mas afirmou que o projeto dele já está aprovado e será executado sem outras adequações”, frisou.
Menos arrecadação
Segundo o gerente da loja Shop Tintas, Neíry Marques Rocha, o projeto vai prejudicar o comércio com a redução das vagas de estacionamento. “No nosso caso, vamos perder duas vagas das quatro que disponibilizamos hoje. Nós ajudamos a encher os cofres do governo, agora vai diminuir, e ficaremos todos prejudicados”, lamentou Rocha.
Preocupação com segurança
Para o comerciante Marcelo Pessoa, da loja de serviços UTI do Notebook, o projeto favorece os pedestres e a trafegabilidade da avenida, mas deve prejudicar os negócios por causa do estacionamento, que já é insuficiente para atender a demanda de clientes que procuram pelo serviço especializado em equipamentos eletrônicos.
“Em relação ao estacionamento, nós vamos perder. Hoje muitos clientes reclamam, mesmo com o estacionamento existente, imagina removendo o nosso estacionamento. Eles não vão querer estacionar em outro local para vir carregando equipamento no meio da rua, que é um risco que vão correr, de serem roubados pelo meio do caminho”, alertou Pessoa.
Solução otimista
Segundo a gerente da loja Arezzo, Klíssia de Lima Cavalcante, o ordenamento da avenida está no início e a obra não afetou a clientela. Ela acredita que o projeto concluído vai atrair mais clientes para a loja. Além do estacionamento frontal, estar sendo relocado para a lateral e fundos da loja. “Nosso estacionamento todo vai ficar atrás da loja, no formato de pracinha, bem organizado para facilitar o acesso de nossos clientes”, informou Klíssia.
De acordo com o diretor-presidente do Implurb, Roberto Moita, a obra já abriu várias frentes de trabalho, como a parte de recapeamento de calçadas, especialmente nas áreas onde não há estacionamento, e que ainda estão concluindo o processo de ajustamento da mobilidade urbana. São tratativas individualizadas com cada um dos proprietários de imóvel. “É um processo lento que exige ganho de paciência, grande organização para receber, avaliar e consolidar cada projeto, imóvel a imóvel e depois quadra a quadra”, esclareceu Moita.
Sobre o afastamento destinado às calçadas, Moita afirmou que algumas obras são irregulares porque nunca houve menos de 5 metros previstos no Plano Diretor de Manaus, referente a avenida. “Desde que a Djalma Batista nasceu já tinha um plano diretor que definia calçadas com 5 metros do afastamento da frente. O problema está nos imóveis mais antigos em que a prefeitura não fiscalizava, mas o fato não gera nenhum direito”, informou.
Indenização
Ainda segundo Moita, serão indenizados os proprietário de imóveis que comprovarem que o afastamento pertence ao terreno escriturado com registro em cartório. “Se for identificado que a calçada de três metros está entrando no trecho do imóvel construído ou não e que está dentro da escritura, a prefeitura vai pagar indenização. Para não penalizar o particular por um problema que é da cidade”, afirmou o secretário.
Em justificativa, o titular do Implurb, frisou que o problema do processo de requalificação da cidade está na falta de planejamento. “Manaus não foi planejada, cresceu desordenadamente. Tem trechos na Djalma com 4,5 metros, acima dos três metros adotados pelo antigo plano diretor e outros com menos que precisam ser recuperados com o projeto”, concluiu Roberto Moita.







