Lotação em terminal atrapalha liberação de cargas

Em: 4 de fevereiro de 2009
Cerca de 50 empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) estariam com dificuldades para retirar suas mercadorias do Super Terminais, por excesso de lotação
Cerca de 50 empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) estariam com dificuldades para retirar suas mercadorias do Super Terminais, por excesso de lotação

Cerca de 50 empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) estariam com dificuldades para retirar suas mercadorias do Super Terminais, por excesso de lotação. A denúncia foi feita pelo presidente da Força Sindical no Amazonas Vicente Filizola, apontando que quando os importadores ‘caem na linha vermelha’ a situação piora porque é preciso tirar toda a carga do contêiner para ser inspecionada.
Segundo o sindicalista, a falta de espaço físico leva um tempo superior ao necessário e isso estaria causando problemas às indústrias que ficam sem componentes e consequentemente suas linhas de produção param. “Essa situação tem sido constante e, aliada à crise financeira, gera um problema seríssimo para a indústria local, que está lutando para segurar os empregos dos trabalhadores”, disse.
De acordo com Filizola, o Super Terminais atende também a uma gama de empresas que atuam com atracação. Aliado a isso, é baixo o número de servidores dos órgãos públicos que atuam na área de fiscalização –Receita Federal, Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), Ministério da Agricultura e Anvisa. Filizola avaliou que o Super Terminais foi criado para agilizar a liberação das mercadorias, porém isso não vem acontecendo. “O que se vê a cada dia são mais exigências e mais burocracia, dessa forma, a ZFM (Zona Franca de Manaus) perde a atração e deixa de receber novos investimentos”, denunciou.

Processo normal

O gerente operacional do Super Terminais, Joabe de França Barros, contesta a denúncia do sindicalista justificando que a movimentação de cargas deste terminal privativo destinadas ao Polo Industrial de Manaus tem sido feita regularmente durante todo o ano, salvo as destinadas aos armazéns (movimentação em torno de 9%) no último trimestre do ano passado. “Houve um acréscimo nas inspeções físicas (canal vermelho), entre outras, mas com muita determinação e comprometimento está normalizada esta operação”, justificou. Barros pediu que fossem enumeradas quais as exigências e burocracias mencionadas por Vicente Filizola a fim de tomar as medidas cabíveis. “Gostaríamos de convidar o senhor Filizola para conhecer nosso terminal privativo que figura como destaque entre os demais portos brasileiros”, defendeu o gerente. 

Processo produtivo

Outra denúncia feita pelo presidente da Força sindical, foi com relação ao PPB (Processo Produtivo Básico) dos condicionadores de ar. No entendimento de Filizola, os fabricantes de TV e condicionadores de ar, em especial, querem flexibilizar o PPB com a finalidade de trazer prontos de outras praças cabos e metálica da TV, como forma de ajudar o setor eletrônico nesse momento de crise global.
Apesar da defesa, pesquisa encomendada pelo Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) aponta que, na visão dos empresários, a questão portuária é um dos maiores gargalos logísticos enfrentados pelas indústrias.

PPB deve ser adequado

O sindicalista disse que a entidade é favorável ao PPB, só que alguns itens têm que ser amarrados para garantir o emprego e a permanência das empresas de componentes no PIM. “Desde que as empresas de bens finais do segmento eletroeletrônico comprem cabo, ferro e estamparia, todas das fabricantes de bens finais locais, do contrário será um desastre para o seguimento de metalúrgica e estamparia de peças, que deixaram de atender o PIM e fechariam as portas”, disse, ressaltando que até as empresas que vendem ferro e aço como a Amazon Aço, que vende para as metalurgias, serão atingidas.
Filizola avaliou que os fabricantes de bens finais deste setor estão agindo de má fé e se utilizando da crise, para pressionar a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o governo do Estado e federal, para conseguir benefícios diferenciados, que vão prejudicar outros setores.
Na próxima quinta-feira, a Suframa se reúne com dirigentes do setor plástico e eletroeletrônicos, além de sindicatos para tratar sobre o novo PPB para o segmento de ar-condicionado.
Vicente Filizola disse ainda que da forma como está sendo costurado o novo PPB não haveria necessidade do PIM existir. “Bastaria trazer tudo pronto, montar e colocar o selo Zona Franca de Manaus que se transformaria em polo atacadista”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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