O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, por enquanto, não é possível atribuir as causas do desmatamento ao plantio de soja nem à produção de gado na Amazônia. Lula fez o comentário durante almoço no Itamaraty em homenagem ao presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta.
Segundo interlocutores, Lula demonstrou preocupação com o tema, mas indicou que é necessário ter cautela. “Não dá para ficar culpando a soja nem a pecuária (por causa do aumento do desmatamento na região Amazônica). Tem de se avaliar”, teria dito Lula, de acordo com alguns dos presentes ao almoço.
Na semana em que o gover-no anunciou o aumento da derrubada de árvores na região da Amazônia, os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agri-cultura) divergiram publicamente sobre as eventuais causas do desmatamento.
Para Marina, o aumento do plantio de soja e da produção de gado em áreas preservadas contribuiu para o desmatamento. Já Stephanes discordou da colega, informando que o plantio e a produção seguiam regras que eram obedecidas.
No almoço, o presidente evitou entrar na polêmica, se-gundo interlocutores. Mas confirmou que pediu um levantamento detalhado à Polícia Federal e aos ministérios do Meio Ambiente e Agricultura sobre os números referentes ao desmatamento na Amazônia.
De acordo com alguns dos presentes, Lula reclamou do que chamou de “alarde” exa-gerado sobre os números refe-rentes à Amazônia. Porém, esquivou-se de responsabilizar um e outro pelo suposto exagero.
Pelo alerta do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Es-paciais), 7.000 km2 foram desmatados na Amazônia, em um trimestre. O presidente quer exatidão nos números, segundo informações de interlocutores.
Ao ser questionado se teria sido culpa da ministra Marina Silva o suposto alarde nos nú-meros do desmatamento, o presidente defendeu a petista. “Marina não é disso nem precisa disso”, teria dito o presidente, segundo interlocutores.
Avanço em parceria
O presidente Luiz Inácio disse que a parceria do Brasil com o Timor Leste vai avançar. Lula almoçou com o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta. Entre os projetos de cooperação com o Timor Leste está a criação de uma escola de futebol -destinada aos interessados oriundos dos países de língua portuguesa. “Com a criação da Escola de Futebol da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), vamos treinar no Brasil, a partir de março, técnicos de futebol para essa comunidade’, disse Lula antes do almoço.
O presidente disse ainda que está mantido o “compromisso brasileiro de avançar numa parceria verdadeiramente solidária’’, com o Timor Leste.
Segundo ele, o convênio para formação de professores de língua portuguesa está renovado até 2010, além de programas de distribuição de cestas básicas e do projeto de formação de diplomatas. Ramos-Horta agradeceu a Lula e retribuiu, afirmando que o considera um “irmão mais velho’.
Em seguida, agradeceu a confiança que disse que seu país recebeu permanentemente do governo brasileiro.
Questionado sobre o que achou das novas nomeações do Corinthians, Lula fez um sinal com a mão direita indicando “mais ou menos’’.







