Maiores salários com carteira assinada são escassos em Manaus

Em: 26 de junho de 2019
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A indústria incentivada de Manaus elevou os níveis salariais do Amazonas, mas a ausência de um setor financeiro pujante faz com que os maiores salários passassem longe da região. É o que permite concluir a análise dos rankings de profissões e segmentos que melhor remuneram no país, montados a partir de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). 

Em nível nacional, os melhores salários – de nível superior – estão nos cargos de direção de produtos bancários (R$ 36.747,53), de riscos de mercado (R$ 31.474,40) e de mercado de capitais (R$ 26.937). A oferta vem do setor financeiro que, como dito, não conta com participação relevante por aqui. Bancos de desenvolvimento (R$ 22.423,070), representações de bancos estrangeiros (R$ 15.999,40) e associações de poupança e empréstimo (R$ 13.098,59) encabeçam a lista.

Na outra ponta, os segmentos de seguros-saúde (R$ 4.625,32), de comércio atacadista de combustíveis de origem mineral (R$ 4.604,13) e bancos cooperativos (R$ 4.551,07) – bem mais comuns na região – ocupam as últimas posições no ranking de segmentos de empresas que pagam os melhores salários no Brasil em 2019. 

Nenhum dos subsetores presentes na indústria incentivada da Zona Franca está representado na lista. Esta inclui apenas linhas de produção que não contam com representação regional, a exemplo de catalisadores (R$ 7.153,19), produtos petroquímicos (R$ 7.014,13), defensivos agrícolas (R$ 5.472,11), aeronaves (R$ 5.272,15) e motores de veículos pesados (R$ 5.198,28).

É justamente da manufatura que vem o cargo de nível superior melhor remunerado no Amazonas: diretor de produção e operações da indústria de transformação (R$ 23.700,25). Os últimos lugares da lista são mais comuns: engenheiro eletricista (R$ 8.341,16), engenheiro de controle de qualidade (R$ 8.336,58) e médico ceteista (R$ 8.314,11).

Mais usuais ainda são as profissões do ranking de nível médio, que contam com salários de R$ 1.167,59 (faxineiro, servente e auxiliar de limpeza) a R$ 1.819,32 (motoristas de veículos pesados em geral). A primeira categoria está entre as dez oportunidades profissionais mais procuradas e oferecidas no Sine-AM (Sistema Nacional de Emprego – Amazonas) em maio. A segunda está na lista das 20 mais.   

Tático e operacional

A presidente da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seção Amazonas), Katia Andrade, lembrou que, dado o seu perfil econômico, a capital amazonense vem exercendo seu potencial na atração de investimentos em unidades fabris, além de grandes redes atacadistas e hoteleiras. 

A dirigente destaca ainda que as empresas de maior porte e complexidade instaladas em Manaus – em especial as indústrias multinacionais – costumam ter, no lugar de um setor financeiro convencional, uma controladoria para lidar com os benefícios fiscais da Zona Franca.

“Essas empresas trabalham em Manaus no plano tático e operacional. O planejamento estratégico e de investimentos não é feito aqui. As multinacionais costumam ter esses profissionais alocados no Rio de Janeiro ou em São Paulo, inclusive pela melhor mobilidade. Afinal, apesar das facilidades da tecnologia de comunicação digital, algumas reuniões terão de ser presenciais”, explicou.

Katia Andrade avalia que o mercado profissional de Manaus melhorou muito nas últimas décadas, com a proliferação de unidades de ensino superior e a maior oferta de cargos de direção nas empresas da Zona Franca, para além do chão de fábrica. Segundo a dirigente, embora não seja comum, há muitos casos de pessoas que começaram nas linhas de produção até galgar postos mais altos de chefia e gerência nas organizações.

“Só lamento que os cargos de diretoria nas unidades fabris ainda sejam ocupados, em sua maioria, por profissionais de fora do Estado. É muito difícil ver um amazonense na posição de diretor industrial, por exemplo. Quando muito, chega a um cargo de gerência. Creio que, infelizmente ainda há um preconceito em relação a essa ideia”, ressalvou.

A presidente da ABRH-AM estranhou a ausência do cargo de diretor de tecnologia da informação no ranking – comumente designado como CTO (Chief Technology Officer) – no ranking citado na matéria. Trata-se, conforme Katia Andrade, não apenas de uma carreira em alta e presente por aqui, mas de um conjunto de conhecimentos cada vez mais necessário a todas as profissões e regiões do globo, dado o avanço da tecnologia e seus efeitos no mercado de trabalho.

“Todas as profissões terão de ter algum conhecimento sobre essa área, sob o risco de verem sua prática inviabilizada. Os CTOs têm espaço em qualquer lugar, inclusive em Manaus, onde começa a despontar um polo digital importante. Geralmente são jovens e muito bem pagos. Os melhores profissionais certamente ganham mais de R$ 30 mil”, finalizou. 

  

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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