As grandes distâncias amazônicas, seja pela floresta, ou pelos rios, suas vias naturais, sempre foram quase uma barreira para o desenvolvimento da região, que agora começa a ser vencida pelo projeto ‘Vai de barco’, importante para as populações distantes de Manaus.
“O propósito do ‘Vai de barco’ é disponibilizar para o mercado, uma logística estruturada, lançando mão das modernas lanchas de passageiros, que já atendem atualmente os municípios do baixo Amazonas com pontualidade e rapidez. Pelo projeto, as encomendas serão devidamente embaladas em sacos coletores e mini containers, acondicionadas em porões apropriados e em armários preparados para acomodá-las, com seguro completo e rastreabilidade eletrônica via satélite, de porta a porta, possibilitando ao embarcador acompanhar ‘on time’ o status das suas cargas”, explicou Pedro Martins, CEO da 50Mais, empresa especializada em Log Tech aplicada à soluções de logística Last Mile.
Atualmente a 50Mais realiza logísticas aérea, terrestre, ‘ciclo logística’ e agora irá iniciar a logística fluvial, criando um ecossistema que atende desde grandes centros urbanos até regiões remotas.
“A maior barreira para diversas empresas, no Brasil, não é vender, mas conseguir entregar com eficiência. Com a digitalização, o crescimento do e-commerce, e o avanço das entregas ultra rápidas nos grandes centros, fica cada vez mais evidente que o próximo passo é conectar as regiões que ainda estão fora dessa revolução logística”, avaliou.
Os populares ajatos
O projeto ‘Vai de barco’ está pronto para ser posto em prática. Toda a burocracia documental já foi concluída e estão sendo finalizados acordos operacionais com dois grandes players do mercado de marketplaces.
“A previsão é iniciarmos a operação piloto em 02 de abril, uma quarta-feira, fazendo os primeiros embarques na linha Manaus/Parintins e cidades circunvizinhas, tais como Barreirinha, Boa Vista do Ramos e comunidades do município parintinense”, avisou.
Pedro Martins lembrou que, desde a fundação de Manaus surgiu a necessidade de receber e enviar encomendas de e para outras localidades. O transporte era realizado de maneira precária, usando-se os barcos regionais de passageiros, que navegam com lentidão se comparados às lanchas atuais, e sem o devido rastreamento, sem seguro apropriado, e sem acondicionamento adequado.
“Com o ‘Vai de barco’ usaremos lanchas rápidas, os populares ajatos, operadas com motores de 1.000 a 1.300 HP cobrindo o percurso, por exemplo, de Manaus a Parintins, em 8h ou 9h, e 14h até Santarém”, falou.
De acordo com Pedro, como se trata de um projeto de vanguarda, com muitas variáveis para serem ajustadas, inicialmente o ‘Vai de barco’ atenderá apenas o baixo Amazonas, chegando até Parintins e depois até Santarém/PA.
“Em se ajustando estas rotas, pretendemos operar futuramente o alto rio Negro e o alto Solimões, que são percursos mais longos, com complexidade logística exigindo bons parceiros de lanchas”, adiantou.
Levantamento realizado pela 50Mais, na rota Manaus/Parintins/Santarém, mostrou que existe uma população carente de atendimento de entregas da ordem de 1.300.000 pessoas.
“A ideia inicial é atendermos os municípios localizados nesta rota e as comunidades circunvizinhas. Por enquanto não temos pretensão de ir para outros estados amazônicos”, disse.

Um grande avanço
As encomendas a serem transportadas, são as comercializadas pelos marketplaces, ou seja, na maioria, pequenas, com peso médio de 3 a 5 kg. Pelos espaços reduzidos das lanchas, a limitação é de volumes de 15kg, peso real, a 20 kg, peso cubado.
“As cargas de ‘commodity’, cargas pesadas e volumosas, como veículos, por exemplo, são operadas por balsas ou pelos próprios barcos de recreio, e não são cargas com o nosso perfil”, informou.
A 50Mais Serviços de Coleta e Entrega opera há oito anos fazendo entregas de encomendas em todas as capitais brasileiras. Sua matriz fica em São Paulo e a filial, em Manaus, com armazém próprio, é a empresa responsável pelo ‘Vai de barco’. Também em Manaus atua a matriz da 50Mais Carga Aérea, fundada há dois anos e operando em paralelo com a 50Mais Serviços de Coleta e Entrega.
“O mercado está pronto para essa novidade. Os marketplaces querem expandir, os consumidores precisam ter acesso, as marcas buscam crescer, mas ainda esbarram no problema da entrega. Afirmo que o ‘Vai de barco’ é um avanço gigante porque irá minimizar a falta de infraestrutura e acabar com esse gargalo. Em vez de esperar a solução chegar, estamos construindo essa solução do zero, oferecendo algo que ninguém no mercado tem, ao menos da forma como estamos estruturando”, finalizou.








