Mais pesquisas impulsionam orgânicos

Em: 8 de agosto de 2014
Produzir alimentos sem adubos químicos e agrotóxicos ainda é um desafio
Produzir alimentos sem adubos químicos e agrotóxicos ainda é um desafio

Em 2006, quando o último censo agropecuário foi realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), havia 5 mil produtores orgânicos no Brasil. Atualmente, já são cerca de 8 mil e a área de produção está em torno de 1,5 milhão de hectares. Estudos recentes revelam ainda que o crescimento do setor nos últimos cinco anos pode chegar a 46%.
Apesar do aumento da conscientização ecológica e da demanda por parte dos consumidores, produzir alimentos sem adubos químicos e agrotóxicos ainda é um desafio para os agricultores. Para o coordenador de Agroecologia do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Rogério Dias, essa é uma área que carece de estudos. “É claro que temos situações pontuais, mas não poderíamos dizer que as tecnologias estão atendendo os produtores orgânicos do país inteiro”, comenta.
Segundo Dias, as principais necessidades do setor estão relacionadas a insumos, adaptação de variedades, sementes, produção animal e tecnologias para pós-colheita e processamento. Ele reconhece o esforço da pesquisa, mas lamenta a falta de uma política nacional de desenvolvimento tecnológico voltada para o incremento da agricultura orgânica. “Tem o esforço isolado de pesquisadores que estão muito engajados e contribuem para o processo. Mas ainda não é um compromisso das instituições”, enfatiza.
Atenta a essa demanda, a Embrapa incluiu a agricultura orgânica e a agroecologia entre os 17 temas reconhecidos como estratégicos e de relevância nacional a serem priorizados em sua programação de pesquisa. A Empresa também assumiu o compromisso no Planapo (Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica) de criar um núcleo de agroecologia e produção orgânica em 20 dos seus 47 centros de pesquisa.
Uma das ações no âmbito do Planapo é a criação do portfólio Sistemas de Produção de Base Ecológica da Embrapa, dentro do qual foram levantados 41 projetos relacionados à transição agroecológica e produção orgânica, além de cinco novos projetos. “Estamos organizando a coordenação das ações do Planapo porque elas vão ser desdobradas em toda a Empresa e fora dela. A partir do portfólio, vamos treinar e capacitar técnicos para que eles possam difundir essas tecnologias”, explica Waldyr Stumpf Junior, diretor-executivo de Transferência de Tecnologia da Embrapa.

Resultados de pesquisa
Na Embrapa, os pesquisadores desenvolvem, adaptam e testam novas técnicas para as diferentes regiões do país. Algumas práticas já estão sendo empregadas por agricultores e outras ainda estão restritas aos campos experimentais, mas também apresentam bons resultados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar