Manaus corre risco de ficar sem tijolos

Em: 16 de novembro de 2010
Apesar de ter durado apenas três horas, a manifestação dos caminhoneiros em Iranduba (a 34 km de Manaus, em linha reta), realizada na última quinta-feira, 11, já causa preocupação para os canteiros de obras da capital amazonense
Apesar de ter durado apenas três horas, a manifestação dos caminhoneiros em Iranduba (a 34 km de Manaus, em linha reta), realizada na última quinta-feira, 11, já causa preocupação para os canteiros de obras da capital amazonense

Apesar de ter durado apenas três horas, a manifestação dos caminhoneiros em Iranduba (a 34 km de Manaus, em linha reta), realizada na última quinta-feira, 11, já causa preocupação para os canteiros de obras da capital amazonense.
Como a paralisação contou com o apoio do setor de olarias, em virtude de grande parte dos caminhões serem responsáveis pelo transporte de tijolos cerâmicos, há possibilidade de o produto faltar na região.
Isto porque, de acordo com a presidente da Aceram (Associação de Ceramistas do Estado do Amazonas), Irlene Batalha, os responsáveis pela negociação afirmaram que irão resolver as reivindicações do segmento. Entretanto, caso isto não aconteça, está programada uma nova manifestação no feriado, por tempo indeterminado.

Setor reclama

A reclamação do setor é para que haja uma melhoria no tempo da travessia das balsas, que, segundo Irlene, estão em situação precária, prejudicando a entrega de cargas. “Com a seca, nós fomos relocados provisoriamente para a Ponta do Pepeta, próxima à nova ponte”, detalhou.
A dirigente comenta que, hoje, aproximadamente, cem caminhões esperam nas filas para realizar a travessia e, na maioria das vezes, são necessários dois dias para a passagem.
Sobre a especulação de prejuízos, ela explica que quem mais sofre são os consumidores. “Por milheiro, o preço na praça é R$ 420, mas a partir do momento que falta na cidade, é vendido mais caro”, destacou a dirigente.
O presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado do Amazonas), Eduardo Lopes, esclarece que as construtoras antecipam seus pedidos e, provavelmente, o dano maior será para as pessoas que fazem obras no dia a dia. “Grande parte das empresas da região fabricam o seu próprio tijolo e, assim, não devem ter problemas com a falta de mercadoria”, analisou Lopes.
Por isso, as empresas que preferem utilizar o tijolo cerâmico, correm o risco de ficar sem o material e, consequentemente, não terminar suas obras, caso não haja estoque no estabelecimento.

Prejuízo para empresas depende do tempo de paralisação

Na Platinum, as obras são feitas com este tipo de tijolo. Segundo o diretor técnico da empresa e também vice-presidente do Sinduscon, Frank Souza, a manifestação pode trazer prejuízos, caso a paralisação dure mais de 15 dias. “A construtora possui um estoque para 30 dias, mas sempre há obras em andamento que precisam de uma grande quantidade de material”, considerou.
Por enquanto, a obra que pode ter atrasos, em virtude de uma nova manifestação por longo prazo, é do edifício Rider Park. “Normalmente, com esses imprevistos, nós compensamos com um aumento na hora de trabalho, para que não se descumpra o prazo de entrega do contrato”, especificou. Mesmo assim, a empresa acaba sofrendo porque é obrigada a pagar as horas extras.
O diretor comercial da Cristal Engenharia, Jorge Roldão, fala que há dois tipos de blocos de vedação (tijolos), os de concreto e os de cerâmica. No momento, a construtora utiliza o tijolo feito com areia e cimento, dentre outros produtos. Porém, ela pretende migrar o processo produtivo, utilizando o produto das olarias no início de 2010. “Com análises técnicas, nós percebemos que o tijolo cerâmico é tão ou mais eficiente que o outro”, detalhou.
Roldão destaca que mesmo com novas manifestações do segmento, a empresa sempre terá o plano B, mas é preciso novos investimentos para que não ocorra um enfraquecimento desta indústria no Estado, principalmente agora, com a demanda do produto. “Às vésperas da Copa do Mundo, a tendência é um aumento nos pedidos desta mercadoria. Então, deve haver um estímulo no setor”, enfatizou.

Manifestação espontânea

O assessor de Comunicação da SNPH (Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas), Marinaldo Matos, explica que a manifestação de sexta-feira em Iranduba ocorreu de forma espontânea e não vê qualquer motivo para que aconteça novamente.
Segundo ele, o município tem nove balsas, que carregam no mínimo dois caminhões e no máximo doze. Mas, apenas seis estão em funcionamento. “Duas estão em manutenção e uma está trabalhando em Autazes”, informou.
Na quinta-feira, 11, mais duas balsas apresentaram problemas, restando apenas quatro para a travessia, duas para caminhões e duas para carros pequenos.
“Nas últimas duas semanas, depois do incidente do Chibatão, o número de caminhões para realizar a passagem aumentou tanto na ida, quanto na volta. Se triplica este número e diminui as balsas, consequentemente, há reclamação de quem deve esperar”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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