Satisfação com nível de emprego e renda atinge maior nível

Em: 16 de novembro de 2010
Pesquisa da Fecomercio registra recorde de otimismo quanto ao nível de emprego e renda, mas mostra insatisfação contínua dos economistas com a taxa de juros e a valorização do real sobre o dólar
Pesquisa da Fecomercio registra recorde de otimismo quanto ao nível de emprego e renda, mas mostra insatisfação contínua dos economistas com a taxa de juros e a valorização do real sobre o dólar

Pesquisa da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) registra recorde de otimismo quanto ao nível de emprego e renda, mas mostra insatisfação contínua dos economistas com a taxa de juros e a valorização do real sobre o dólar.
A avaliação dos economistas quanto ao nível de emprego e a renda dos brasileiros está no patamar mais elevado já registrado na série histórica do ISE (Índice do Sentimento dos Especialistas em Economia), indicador aferido pela entidade em parceria com a OEB (Ordem dos Economistas do Brasil) desde junho de 2008.
O otimismo quanto ao nível de emprego cresceu 8,52% na comparação entre outubro e setembro, atingindo 155,4 pontos em uma escala que varia de zero a 200 pontos e denota otimismo quando acima dos cem. Antes, a melhor avaliação deste item havia sido registrada em fevereiro de 2010 e correspondia a 149,9 pontos. Já a satisfação quanto ao valor dos salários reais teve alta de 14,5% no mesmo período, marcando 140,6 pontos. O recorde anterior era de 126,5 pontos, registrado em julho deste ano.
De acordo com o assessor econômico da Fecomercio, Guilherme Dietze, o otimismo é reflexo das constantes elevações no nível de emprego e do incremento no salário real médio, que também encontra-se no maior patamar para o mês de outubro desde 2002. “Outro fator que influenciou na boa avaliação dos economistas foi o acesso ao crédito que registrou a menor taxa de juros para pessoa física desde 1994, 39,4% ao ano”, comentou Dietze.
O bom desempenho destes indicadores, segundo a entidade, foi determinante para a avaliação positiva quanto ao Nível de Atividade Interna – PIB, que obteve 167,5. Apesar do bom resultado no mercado nacional, o ISE permaneceu praticamente estável em relação a setembro, registrando uma ligeira melhora de 0,5% e fechando o mês em 108,3 pontos.
Dietze destaca que os principais motivos para a evolução do ISE não ter sido mais expressiva foram a percepção dos economistas quanto aos juros praticados no Brasil e à relação cambial entre o real e o dólar. A avaliação da taxa de juros caiu 21% em relação ao mês anterior; já a queda na avaliação da taxa câmbio foi ainda maior, 41%.“A Selic continua sendo a maior taxa de juros reais do mundo, o que está atraindo dólares e sobrevalorizando a moeda nacional”, justificou o economista.
Com este resultado, a taxa de juros e a taxa câmbio atingiram, respectivamente, 56,7 e 58,5 pontos, demonstrando forte insatisfação e a crença dos especialistas de que ambas estão inadequadas diante da atual conjuntura econômica.

Gastos públicos

Os gastos públicos continuam sendo o item que mais preocupa os economistas e, em outubro, mais uma vez, restringiu a elevação do ISE ao registrar 41,5 pontos. Apesar de os especialistas em economia já estarem bastante insatisfeitos com o nível de gastos públicos, a tendência é que a avaliação deste item continue no patamar de pessimismo já que os especialistas acreditam que o governo continuará aumentando seus gastos, principalmente com o custeio da máquina pública.
No entanto, a perspectiva para o ISE, de modo geral, é de que as avaliações positivas alavanquem o indicador até o fim do ano, possivelmente ultrapassando a máxima histórica de 111,8 pontos. “O crescimento sistemático da renda, do nível de emprego e das facilidades de acesso ao crédito devem continuar sendo os principais propulsores do indicador”, concluiu Dietze.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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