Manaus discute sistemas de transporte

Em: 2 de dezembro de 2010
Subsede da Copa do Mundo de 2014 e consequentemente da Copa das Confederações, Manaus ainda não definiu qual será o sistema de transporte público que funcionará na capital por ocasião dos jogos
Subsede da Copa do Mundo de 2014 e consequentemente da Copa das Confederações, Manaus ainda não definiu qual será o sistema de transporte público que funcionará na capital por ocasião dos jogos

Subsede da Copa do Mundo de 2014 e consequentemente da Copa das Confederações, Manaus ainda não definiu qual será o sistema de transporte público que funcionará na capital por ocasião dos jogos. Considerado como um dos piores do país, o sistema de transporte da cidade é alvo das exigências da Fifa e precisa ser reformulado para que o sonho dos amazonenses de sediar o torneio seja concretizado.
Duas possibilidades estão sendo estudadas pelos governos Estadual e Municipal: a primeira é o sistema BRT (sigla inglesa de Bus Rapid Transit), que significa: ônibus que circula rapidamente. Os carros que compõem a frota podem ser bi ou triarticulados e trafegam por corredores exclusivos e interligados.
O curioso é que sistema idêntico já foi utilizado em Manaus pelo então prefeito Alfredo Nascimento, que pôs em circulação o chamado Expresso que custou R$ 300 milhões aos cofres públicos. E que provavelmente será alvo da futura CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da CMM (Câmara Municipal de Manaus) que investigará as responsabilidades sobre a ineficácia do transporte público na capital.

Jornal do Commercio – Qual o melhor sistema de transporte público a ser instalado na capital em virtude dos jogos de 2014, o BRT ou Monotrilho?
Isaac Tayah – Sou a favor da implantação dos dois sistemas. Manaus há anos demonstra a necessidade de um transporte coletivo capaz de suprir o grande fluxo de pessoas que utilizam os coletivos. O monotrilho significa modernidade e beleza, o BRT significa aliar modernidade e beleza à rapidez e organização de que a cidade precisa e terá com o mesmo.
Minha preocupação na questão do monotrilho, e acredito que é a de todos os parlamentares do Estado, é o deficit que a implantação de algo muito caro pode gerar aos cofres públicos, a escolha deve ser pensada para a Manaus do futuro, além da Copa, quem vai pagar os anos iniciais do sistema?
Isso com certeza vai recair no bolso da população, que terá que pagar tarifas muito caras. As duas possibilidades são boas, elas deveriam ser postas em prática conjuntamente, pois ambas se completam.

Jornal do Commercio – Qual o melhor sistema de transporte público a ser instalado na capital em virtude dos jogos de 2014, o BRT ou Monotrilho?
Marcelo Ramos – Levando em consideração o custo benefício dos dois projetos, acredito que o mais vantajoso para a população em geral é a implantação do sistema BRT. Além de mais barato, possui maior abrangência em seu deslocamento, ele perfaz aproximadamente 43 quilômetros enquanto o Monotrilho faz apenas 13 quilômetros.
Outro fator positivo no BRT é a capacidade elevada de passageiros, ele pode andar com mais que o dobro de pessoas frente ao monotrilho. E o que considero mais importante: o valor tarifário, o monotrilho não tem capacidade de sustentar os custos de sua manutenção, nenhum trabalhador que precisa do transporte público todos os dias terá condições de pagar uma faixa de cinco reais diários na utilização do sistema.
Não há como negar a beleza e a modernidade do monotrilho, entretanto ele se mostra longe da realidade da população. Temos que reformular toda a estrutura de transporte na cidade, isso inclui a implantação de corredores exclusivos, sinalização apropriada, e um maior controle das frotas, isso significa priorizar o coletivo mesmo que isso se dê em detrimento do individual.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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