As redes sociais deram visibilidade a uma Manaus de décadas atrás com várias páginas no Face publicando fotos e vídeos que, de outra forma, dificilmente seriam conhecidos. Uma Manaus que praticamente se resumia ao que, hoje, é o Centro, cidade rica, com belos prédios, casarões e palacetes, gente bem vestida, com certeza limpa, silenciosa e sem os problemas que temos atualmente, no dia-a-dia (engarrafamento, insegurança e pressa para tudo). Paulo Menezes é um desses pesquisadores da Manaus antiga. Desde 2008 ele restaura fotos seculares, numa época em que haviam pouquíssimas ferramentas para restauração de imagens. Para mostrar o resultado do seu trabalho, Paulo criou a página Manaus em Cores.
“Ainda criança comecei a apreciar as fotos raras e antigas de Manaus. Depois passei a colecionar postais e, em seguida, iniciei os restauros e colorização das imagens, até hoje como hobby”, contou.
Após ler a reportagem de um norte-americano que fazia trabalhos gráficos de restauração e colorização digital, Paulo resolveu pesquisar sobre quais ferramentas ele usava, mas no mercado haviam pouquíssimas disponibilizadas no Brasil.
“Continuei pesquisando e fui conseguindo algumas ferramentas básicas ao mesmo tempo em que testava minhas habilidades na restauração e colorização. Através do Facebook vi a oportunidade de testar uma publicação amadora, sem maiores pretensões, pois ainda estava estudando técnicas de recuperação de imagens digitais, e isso levou um bom tempo”, disse.
“Fiz várias páginas de teste e parei. Em 2012 consegui novas ferramentas que melhoraram um pouco a qualidade das edições e voltei a publicar com mais frequência, enquanto ia avançando na melhoria do meu trabalho”, falou.
Do menino ao adulto
A atual página Manaus em Cores apresenta a evolução do trabalho de Paulo, das fotos iniciais ainda bem simples até as mais autênticas e com maior qualidade.
“Algumas são excelentes em termos de qualidade e informações, pois além da pesquisa visual insiro pequenos textos para estimular as pessoas a também pesquisas sobre o tema. No Amazonas há poucas referências históricas de confiança. Há casos de dados conflitantes publicados em alguns livros o que pode confundir o leitor, por isso é importante que ele pesquise em várias fontes”, avisou.
Segundo Paulo, já somam alguns milhares os trabalhos realizados por ele, sendo que houve época em que acumulava umas 25 mil imagens aguardando avaliação.
“Como disponho de tempo, não me apresso em fazer as restaurações e colorizações, devido aos critérios que uso como qualidade da imagem e do texto histórico, referências, pesquisas, o trabalho pixel a pixel, que domino um pouco e, dependendo da ferramenta usada, às vezes uma imagem recebe o aprimoramento de outras, tudo com muito cuidado por que se houver excesso, isso danifica a qualidade da cena, o que não é nada aceitável”, ensinou.
Do menino que admirava as fotos antigas de Manaus ao adulto que, agora, busca melhorá-las ainda mais, mudou apenas o formato do hobby.
“Sim, é um hobby. Tem que gostar, já que as pesquisas muitas vezes ficam incompletas pela falta de material histórico, o que nos frustra, além das questões legais, e do bairrismo de certos leitores. Alguns reclamam do trabalho que faço, o que me leva a filtrar mensagens desagradáveis. Mas a maioria gosta do que vê”, revelou.
Inspirado na França
Para evitar problemas por publicar fotos de pessoas ainda vivas, Paulo prefere se dedicar aos imóveis.
“Faço restauração de cenas com indivíduos, mas com mais de 100 anos de registro. Dá muito problema publicar imagens de pessoas ainda vivas. Tem gente que não gosta nem um pouco, ainda que seja de um familiar”, informou.
Paulo revelou que os famosos postais policromados da França o levaram a querer fazer o mesmo com as imagens da Manaus de décadas atrás.
“Além da qualidade desses postais franceses ser muito boa, há belos prédios do período da Belle Époque parecidos com os de Manaus, tanto prédios comerciais quanto residenciais, palacetes, praças, logradouros dentre outros”, afirmou.
Para se manter fiel a como as imagens eram realmente no passado, Paulo busca referências de cada época em livros nacionais, europeus e norte-americanos.
“Há muitas cenas de Manaus em museus do exterior e são de fácil acesso, bem diferente do que ocorre aqui, onde sempre tem um obstáculo para atrapalhar a pesquisa”, lamentou.
“Penso que os órgãos municipais e estaduais poderiam fazer mais para preservar os prédios históricos de Manaus, mas pouco fazem. Alguns estão em ruínas e, realmente, precisam ser demolidos devido a problemas estruturais. Outros, particulares, os proprietários não têm condições financeiras para restaurá-los por ter um custo muito alto. Com isso, a história vira ruína, e restam apenas as imagens”, concluiu.
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